O Globo com agências internacionais

CARACAS — Um tribunal do estado de Aragua condenou a oito anos de prisão dois manifestantes venezuelanos um ano após serem detidos. Raúl Emilio Baduel, filho do general Raúl Baduel, e Alexander Tirado, foram presos em março de 2014 durante um protesto em Maracay. A decisão foi criticada pelo advogado dos dois jovens, que acusou a corte de criminalizar o direito à manifestação.
A sentença foi emitida na noite de quarta-feira. A juíza Iris Araujo concluiu que os estudantes universitários Raúl Emilio e Alexander cometeram “os delitos de intimidação pública, associação criminosa e instigação à desobediência”. Eles permanecerão na Penitenciária de Tocuyito, em Carabobo.
“Os condenados lideravam manifestação que se tornou violenta. Minutos mais tarde, foram apreendidos e encontrados vários coquetéis molotov e objetos contundentes”, explicou o Ministério público em nota.
O advogado Omar Mora Tosta afirma que durante o julgamento foram apresentados “testemunhas e vídeos da detenção que demonstram que a versão policial foi forjada”. Ele vai recorrer da decisão.
— Com esta decisão, a juíza criminalizou o direito ao protesto e instaurou a pena ao direito que tem os cidadãos de discordar e de expressar sua discordância publicamente com o que ocorre no país — disse o advogado Omar Mora Tosta ao sair do tribunal, classificando a sentença como “uma vergonha e barbaridade que abre um precedente terrível”.
Raúl Emilio e Alexander participavam de uma manifestação contra o governo de Nicolás Maduro quando foram presos em 20 de março de 2014. O irmão de Raúl Emilio, Adolfo, comentou sobre a sentença no Twitter: “Nem ameaças, nem a prisão injusta, nem perseguições vão deter nossa luta. Os Baduel estão comprometidos com #Venezuela”, tuitou.
Raúl Emilio Baduel é filho do ex-ministro da Defesa Raúl Emilio Baduel, que está preso na Penitenciária de Ramo Verde. Amigo e compadre de Chávez, o general Baduel liderou em 2002 a operação que resgatou Chávez de uma base militar, após um breve golpe de Estado. Mas acabou por se afastar do governo por diferenças políticas, como ao discordar da reforma constitucional que instaurava a reeleição indefinida. Em 2009 foi preso e mais tarde condenado a 7 anos e 11 meses de prisão por corrupção, abuso de autoridade e delito contra o decoro militar.