O engenheiro Shinko Nakandakari, primeiro dos 11 operadores de propina na Diretoria de Serviços da Petrobras a fazer acordo de delação premiada, explicou assim a finalidade do pagamento em nome da Galvão Engenharia ao petista e afilhado de José Dirceu, Renato Duque:
“Primeiro, aprovar os aditivos. Segundo, criar um cenário favorável para começar a participar das grandes concorrências também. O fato de você estar levando a propina acaba melhorando o cenário”.
Quando o juiz Sérgio Moro perguntou-lhe quantas vezes ele se encontrara com Duque entre 2011 e 2012 para “melhorar o cenário”, Shinko respondeu:
“Acho que umas dez vezes, viu, doutor.”
O delator confirmou que pagou 1 milhão de reais ‘em espécie’ e ‘em parcelas’ de 100 a 150 mil nas mãos do diretor petista de Serviços; e outros 4,4 milhões de reais a Pedro Barusco, ex-gerente de Engenharia e braço-direito de Duque.
Na planilha de Barusco, o valor é maior, viu, doutor: Shinko pagou 12,4 milhões de reais em propinas para ele e Duque e pagou também mais 12,4 milhões para o PT.
Cabe a CPI da Petrobras confirmar com Barusco a denúncia do quão maravilhoso era o cenário petista e descobrir para onde foram os 12,4 milhões do partido.
De preferência, antes que acabe em samba:
“Vejam essa maravilha de cenário / É um episódio relicário / Que o petista num sonho genial / Escolheu para essa estatal…”
