sexta-feira, 6 de março de 2015

Apagão de Dilma: brasileiro ficou, em média, 17,61 horas sem energia elétrica em 2014

Nicola Pamplona - IG



Segundo Aneel, distribuidoras completaram sexto ano seguido acima do limite de duração dos cortes no fornecimento de energia


Os brasileiros ficaram, em média, 17,61 horas sem luz no ano passado, por falhas no serviço de distribuição de energia. Embora o número represente uma melhora com relação ao ano anterior, ainda está bem acima do limite estipulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), de 14,58 horas. É o sexto ano seguido em que as distribuidoras deixam de cumprir o limite estabelecido para o indicador de Duração Equivalente de Interrupção (DEC) no fornecimento de eletricidade. 
Os dados foram divulgados ontem pela Aneel, em seu ranking anual da qualidade do serviço das distribuidoras de energia. O relatório mostra que, depois de uma leve alta em 2012, quando atingiu 18,66 horas, o indicador de duração dos apagões registrou dois anos seguidos de melhora. O ritmo, porém, é bem inferior ao aperto nos limites máximos, que também caem a cada ano. Já no indicador de número de interrupções — chamado de Frequência Equivalente de Interrupções (FEC) — as empresas têm operado com valores abaixo dos limites estabelecidos. Em 2014, foram 9,94 interrupções em média, contra um limite de 11,77. 
O ranking de qualidade do serviço da Aneel é encabeçado pela CPFL Santa Cruz, que abastece 27 municípios em São Paulo e 3 no Paraná, que fechou 2014 com DEC de 6,74 horas e FEC de 5,29 interrupções. A pior empresa, entre as que distribuem mais de 1 terawatt-hora por ano, é a Celg, de Goiás, que enfrenta grave crise financeira e teve o controle vendido à Eletrobras no ano passado. O relatório mostra mau desempenho também da AES Sul, do Rio Grande do Sul, que caiu 12 posições no ano, para a 24ª colocação entre as 36 empresas consideradas de grande porte pela Aneel. A Cemig, de Minas Gerais, foi a que mais evoluiu, subindo 10 posições. 
Procurada, a Aneel não comentou os resultados do levantamento. O comunicado oficial não traz análise sobre o desempenho das empresas. Nos últimos anos, as distribuidoras de energia têm reclamado de falta de recursos para investimentos, reflexo dos problemas de fluxo de caixa provocados pela necessidade de comprar energia a preços mais altos no mercado de curto prazo. Com a revisão extraordinária das tarifas concedida na semana passada, o governo deu um importante passo para equacionar a questão, na opinião de analistas e executivos do setor. 
De acordo com dados da Câmara Comercializadora de Energia Elétrica (CCEE), o consumo de energia continua apresentando retração no país. Na primeira semana de março, a queda foi de 5,6%, com relação ao mesmo período do ano anterior. Houve queda tanto entre os consumidores cativos (aqueles ligados às distribuidoras) quanto entre os consumidores livres (grandes indústrias) — no primeiro caso, a redução foi de 4,31% e, no segundo, de 10,98%. Praticamente todos os segmentos da indústria reduziram seu consumo no período, segundo o boletim Infomercado, editado pela CCEE. 
Extração de minerais metálicos e telecomunicações foram os únicos segmentos que apresentaram alta, de 14,96% e 4,05%, respectivamente. O primeiro caso, segundo um especialistas, reflete o crescimento da produção de minério de ferro no país, que bateu recorde no ano passado, apesar dos baixos preços do produto no mercado internacional. 
Na outra ponta, diz o relatório da CCEE, o segmento de bebidas teve a maior queda, de 28,68%, seguido de saneamento, com retração de 23,27% no período. 
O documento estima que, apenas na primeira semana de março, as geradoras hidráulicas que vêm vendendo menos do que o contratado tiveram um prejuízo de R$ 673,4 milhões com o Mecanismo de Realocação de Energia, que determina a compensação por volumes gerados a mais por outras empresas. As geradoras de energia negociam com o governo uma solução para o problema, que é provocado pela falta de água nos reservatórios. 
Omercado calcula um prejuízo de até R$ 20 bilhões este ano, mesmo valor verificado em 2014. Ao contrário das distribuidoras, porém, o segmento de geração não tem proteção contratual contra a exposição involuntária ao mercado de curto prazo.
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