sexta-feira, 6 de março de 2015

Ao contrário de presidente e relator da CPI da Petrobras, sub-relatores tiveram poucas doações de empreiteiras da Lava Jato

Lauro Jardim - Radar - Veja



Motta: critério com os sub-relatores
Motta: critério com os sub-relatores

Hugo Motta (PMDB-PB), o presidente da CPI da Petrobras, teve 60% de sua campanha financiada por empreiteiras envolvidas na Lava Jato (leia mais aqui), mas tomou o devido cuidado ao nomear deputados pouco ajudados pelos empreiteiros para as quatro sub-relatorias da CPI anunciadas ontem.
Altineu Côrtes (PR-RJ), que investigará as refinarias, e Andre Moura (PSC-SE), sob quem ficarão as investigações sobre a Sete Brasil e as vendas de ativos da Petrobras na África, não receberam sequer um real das empreiteiras envolvidas no escândalo da Petrobras.
Bruno Covas (PSDB-SP), que está encarregado de investigar as subsidiárias, recebeu, por meio de repasses de outros candidatos tucanos, 216 reais da Andrade Gutierrez e 2 711 reais da OAS. Fazendo as contas, os valores correspondem a irrisórios 0,08% do total de 3 547 342 reais arrecadado.
Sub-relator da investigação sobre compras e afretamento de navios de transporte da Petrobras, Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) recebeu 2 343 reais da Engevix repassados pelo PTB paulista. A ajuda equivale a 0,12% dos 1 925 128 reais arrecadados.
Entre os três vice-presidentes da CPI, dois receberam dinheiro das empreiteiras encrencadas.
O primeiro vice-presidente, Antonio Imbassahy (PSDB-BA), recebeu 76 800 reais da UTC e 250 000 da OAS, valores correspondentes a 11% da arrecadação de campanha. Já o segundo vice, Felix Mendonça Junior (PDT-BA), recebeu, em repasses da campanha do governador petista Rui Costa, 9 545 reais da OAS, 9 600 reais da Odebrecht e 2 854 reais da UTC, o equivalente a 1,8% de suas receitas de campanha.
O terceiro vice-presidente, Kaio Maniçoba (PHS-PE), não recebeu doações de empreiteiras.