Escrevi aqui que a largada da CPI foi boa e que dá para ter esperanças. Ao menos por enquanto. Leitores de boa-fé me cobram sobre uma reportagem da Folha, cujo título é este: “CPI da Petrobras poupa empresas; cúpula é financiada por empreiteiras”. Um bobalhão, este de má-fé, engrossa: “Você não é colunista de lá? Como você explica?” Sou, sim! Pelo visto, não com a concordância dele, hehe… Ser colunista de um veículo não implica endossar todas as suas escolhas e abordagens. Não creio que a Folha pague pelos meus textos para eu repetir o que o jornal pode fazer de bom e de mau sem mim. Que gente chata!
Até onde sei, a comissão não recusou requerimentos de convocação de empreiteiros. Simplesmente não foram votados ainda, naquele que foi o seu primeiro dia de trabalho efetivo. Assim, acho cedo para afirmar que a “CPI da Petrobras poupa empresas”.
Também não concordo com a embocadura da reportagem, expressa na segunda parte do título: “cúpula é financiada por empreiteiras”. De fato, segundo levantamento feito pelo jornal, 12 dos 27 membros da CPI, incluindo presidente e relator, receberam doações de empresas da área.
Já escrevi aqui e volto ao tema. Teria sido prudente se os partidos tivessem escolhido para essa comissão parlamentares que não tivessem recebido doações legais de empreiteiras — certamente, o dinheiro teria vindo de outros ramos.
Confesso a minha limitação: não sei pensar fora da lógica. Se atribuo a não convocação de empreiteiros (na primeira sessão!) ao fato de membros da CPI terem recebido doações legais, a suposição (ou certeza?) subjacente é a de que os parlamentares são meros porta-vozes ou agentes de quem contribui para as suas respectivas campanhas. Bem, caros leitores, então será preciso aderir à reforma política do PT: fim da doação de empresas; financiamento público de campanha, voto em lista. E outras aberrações. Aí, sim, nós conheceremos a política como expressão do crime organizado.
Eu elogiei a largada da CPI. Se os nobres deputados não convocarem os empreiteiros, aí eu darei porrada. É assim que funciona: elogio quando faz a coisa certa; crítica quando faz a coisa errada. Mas, atenção!, nem assim vou aderir à pauta de reformas do PT.