terça-feira, 23 de maio de 2017

"Pelo fim dos políticos profissionais", por Glauco Humai

O Globo

Há no Brasil “donos” de Estados, coronéis de regiões e de cidades. Os ciclos eleitorais perpetuam práticas, famílias e conveniências, tornando privado aquilo que deveria ser público. As mesmas elites e os mesmos sobrenomes se multiplicam e se perpetuam no poder, variando apenas os cargos, profissionalizando a política.

Qual o interesse de um ‘político profissional’ se candidatar eleição após eleição, estendendo isso a seus familiares e amigos, como que criando feudos, cargos vitalícios? A exposição das entranhas da República, como temos visto, mostra definitivamente que não é o espírito público.

Toda média e generalização é injusta, então faço ressalva de que há (embora poucos) políticos com espírito público, políticos que conseguiram romper o sistema criado para perpetuar os mesmos grupos. Todavia, são engolidos pela máquina, pelos esquemas, pelas manobras e pelas leis e regimentos feitos para manutenção das oligarquias que dominam o Brasil desde sempre.

O sistema eleitoral (e político) do pais é insustentável. As eleições se tornaram muito caras e complexas. Vence quem tem mais dinheiro e/ ou quem tem mais visibilidade na mídia. 

Precisamos acabar com esse ciclo. É necessário inserir o Brasil definitivamente no século XXI, simplificando o Estado, reorganizando prioridades, desburocratizando os processos e modernizando as instituições.

Precisamos de eficiência, responsabilidade e temporalidade. É necessário resgatar o princípio de que cargos públicos (e políticos) são públicos; e o público pode e deve participar. A sociedade tem que participar mais da gestão pública, seja se elegendo, seja participando dos governos. Cada cidadão deveria oferecer o que tem de melhor em termos de conhecimento técnico ao país, quem sabe dar pelo menos dois anos de sua vida para a gestão pública.

Para tanto, precisamos oxigenar o sistema atual. Vereadores, deputados e senadores deveriam ter limite máximo de mandatos; prefeitos, governadores e presidente não deveriam se reeleger.

A regra eleitoral deve equilibrar o acesso aos entrantes. Precisamos do voto distrital. Não faz sentido um deputado estadual ou federal fazer campanha em 853 municípios em Minas Gerais, por exemplo. A representatividade se dilui, o custo é demasiadamente elevado (para não dizer insustentável), o tempo se torna curto para cobrir tantos locais, o debate de ideias se perde pela falta de foco.

Precisamos de um teto financeiro (baixo) para as campanhas, e os candidatos não podem se utilizar de recursos próprios no processo. Não podemos de forma alguma permitir eleições com lista fechada. Urge democratizar o acesso aos cargos públicos, modernizar a gestão pública, os pensamentos, e “desprofissionalizar a política”.

Estamos diante novamente de outra enorme crise política. Apurando-se as denúncias e as comprovando, que siga o processo legal. Não podemos dar brechas para voluntarismos e oportunismos. É necessário preservar as instituições e cumprir a Constituição. Nós, lideranças empresariais, temos um papel importante de dialogar e pressionar o Congresso e o governo para que o Brasil não pare, pois agenda do país deve ser maior.

Glauco Humai é presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers.


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