sábado, 13 de maio de 2017

França pós-eleição tem sistema político revirado por Macron

Diogo Bercito - Folha de São Paulo


Eleito há uma semana, Emmanuel Macron foi apelidado "Le Kid" pela revista francesa "L'Express". O garoto. Aos 39 anos, ao tomar posse neste domingo (14), será o presidente mais jovem do país.

A alcunha também funcionaria em espanhol, "El Niño", com a vantagem de abarcar outra das características dele: ser um fenômeno.

Macron irá inaugurar seu governo em uma França já bastante distinta daquela em que ele fez campanha. Seu movimento centrista, o República Em Frente!, contribuiu para a transformação do cenário político.

François Mori/AFP
O presidente eleito da França, Emmanuel Macron, participa da cerimônia da vitória sobre os nazistas
O presidente eleito da França, Emmanuel Macron, participa da cerimônia da vitória sobre os nazistas

Pela primeira vez na história moderna francesa, por exemplo, os partidos tradicionais não chegaram ao segundo turno, em 7 de maio.

Um dos sintomas mais imediatos de seu impacto é a crise do Partido Socialista, representado pelo presidente François Hollande. Seu candidato, Benoît Hamon, recebeu apenas 6% dos votos.

A sigla de esquerda foi prejudicada por uma campanha ruim, ofuscada pela de Macron, mas também pela impopularidade recorde de Hollande -motivada, em parte, pela persistência de um desemprego em 10%.

A derrota de Hamon fez com que diversas figuras de peso dentro do partido fossem a público decretar seu provável fim. "Esse Partido Socialista está morto", disse o ex-premiê Manuel Valls em entrevista nesta semana.

Farejando o naufrágio, Valls pediu para representar o República Em Frente! 
nas legislativas de 11 e 18 de junho. O movimento rejeitou a candidatura, pois ele já cumpriu três mandatos e, portanto, não se encaixa na proposta de renovação política.

Hamon, o candidato derrotado, também deve mudar de rumo. Descontente com a direção da sigla, que teria abandonado suas propostas, ele planeja lançar o seu próprio movimento político após estas eleições legislativas.

ERA MACRON

À direita, o partido conservador Republicanos enfrenta as suas próprias crises neste início de era Macron.

A legenda tenta se afastar da imagem de François Fillon, derrotado após um semanário satírico publicar uma denúncia contra ele. Ele teria remunerado sua mulher de maneira ilegal, o que nega.

Os Republicanos querem recuperar o terreno perdido, elegendo parlamentares o suficiente para poder influenciar o governo Macron.

Na França, se o presidente não tem a maioria na Assembleia Nacional, ele é obrigado a aceitar um primeiro-ministro de outra força política —um cenário chamado de "coabitação", visto pela última vez em 2002, no qual os poderes do presidente ficam reduzidos.

A tarefa de eleger parlamentares é especialmente difícil ao movimento República Em Frente! porque foi fundado há apenas um ano, com militantes sem experiência, e vai concorrer na eleição contra as siglas tradicionais.

A eleição de Macron também causou fissuras nos extremos. Marion Maréchal-Le Pen, da Frente Nacional, deve deixar a política aos 27 anos. O partido de sua tia, Marine Le Pen, anunciou que vai se reestruturar após receber 34% dos votos. É o recorde da direita ultranacionalista, mas ainda distante da Presidência.

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