segunda-feira, 15 de maio de 2017

Dólar cai a R$ 3,10; risco-país recua ao menor nível em 2 anos


  - Sanjit Das / Bloomberg

Renna Setti - O Globo

O dólar comercial caiu pelo quinta sessão consecutiva nesta segunda-feira, recuando 0,54% e valendo R$ 3,108. Na mínima do dia, chegou a valer R$ 3,097. O câmbio local acompanhou o desempenho da divisa americana em escala global, com o índice Dollar Spot (que mede sua força frente a dez moedas) caindo 0,35%. O dólar foi pressionado pelo salto do petróleo, cujo barril do tipo Brent chegou a subir mais de 3% e fechou em alta de 1,91%, a US$ 51,81, maior nível em duas semanas. No mercado acionário, a alta da commodity favoreceu as ações da Petrobras, fazendo com que o índice Ibovespa subisse também pelo 5º pregão, avançando 0,36%, aos 68.474 pontos.

— É uma conjunção de boas notícias. Houve esse "rali" do petróleo, o mercado local também começou a trabalhar com um corte de 1,25 ponto percentual na próxima reunião da taxa Selic. O que era um “hedge” (aposta com objetivo de proteção) virou quase que uma certeza. Além disso, tivemos dados de IBC-Br e Focus, mostrando a retomada da atividade e a inflação baixa — afirmou Pablo Spyer, diretor de operações da Mirae Asset.

Com a escalada do otimismo nos últimos dias, o risco-país medido pelo CDS (credit default-swap, espécie de seguro contra calote) caiu abaixo dos 200 pontos nesta segunda, o que não acontecia desde janeiro de 2015, quando o Brasil ainda tinha o chamado grau de investimento.

O petróleo se valorizou em reação ao anúncio de Rússia e Arábia Saudita, que afirmaram querer estender por nove meses (até março de 2018) o acordo que limita a produção de petróleo dos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e de outros 11 países produtores. Em comunicado conjunto, autoridades dos dois países informaram que farão consultas com os outros participantes do acordo. A reunião semestral da Opep acontece no próximo dia 25.

Na agenda doméstica, um dos destaques é o IBC-Br, índice do Banco Central usado como uma prévia do PIB oficial. Segundo o dado divulgado esta manhã, após a pior recessão do país, a economia brasileira começou a dar sinais de que o pior já foi superado. Nas contas do BC, o país cresceu 1,12% no primeiro trimestre deste ano.

Segundo Pablo Spyer, da Mirae, a probabilidade de um corte de 1,25 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Copom, no fim do mês, está hoje em 76%. Em relatório, o Itaú Unibanco divulgou previsão de que o corte será dessa magnitude.

“O motivo por trás da nossa decisão é uma combinação dos dados de atividade de curto prazo mais fracos do que o antecipado, juntamente com uma sequência de resultados de inflação vindo muito bem-comportados, uma queda contínua nas expectativas de inflação e ajustes na comunicação do BC” disse o relatório assinado pelo economista-chefe Mario Mesquita.

As ações da Petrobras subiram 1,63% (ON, a R$ 16,19) e 1,49% (PN, por R$ 15,68). 

Segundo relatório da agência Fitch, a companhia está disposta a fazer captação de US$ 4 bilhões a US$ 6 bilhões no mercado externo hoje. Um dos objetivos seria financiar sua dívida já existente.

A Vale também avançou, subindo 2,86% (ON) e 2,15% (PNA). Entre os bancos, o Banco do Brasil caiu 1,81% e o Bradesco teve alta de 0,16%, enquanto o Itaú Unibanco teve valorização de 0,42%.


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