Clarice Spitz - O Globo
É o maior índice desde o período de março a maio de 2013. Aumento ocorreu porque mais pessoas estão procurando emprego
A taxa de desemprego no trimestre encerrado em fevereiro foi de 7,4%, informou o IBGE nesta quinta-feira, pelos números da Pnad Contínua Mensal. A taxa de desemprego no Brasil tinha sido de 6,8% no trimestre encerrado em janeiro. No trimestre encerrado em fevereiro do ano passado, também tinha sido de 6,8%. Entre setembro e novembro, o desemprego havia ficado em 6,5%.
Considerando todos os trimestres móveis, a taxa de desemprego entre dezembro e fevereiro é a maior desde o trimestre encerrado em maio de 2013, quando fora de 7,6%.
O aumento da desocupação ocorreu, segundo o IBGE, porque mais pessoas saíram em busca de emprego. Mas a renda de quem já está no mercado de trabalho cresceu: o rendimento médio real (acima da inflação) no trimestre móvel encerrado em fevereiro foi de R$ 1.817, uma alta 1,1% em relação ao mesmo período do ano passado e de 1,3% frente ao trimestre encerrado em novembro.
A taxa de desocupação do trimestre encerrado em fevereiro é, no entanto, menor que aquela terminada no trimestre encerrado em fevereiro de 2012, quando havia sido de 7,7%.
O contingente de pessoas desempregadas no país no trimestre foi de 7,401 milhões nos cerca de 3.500 municípios. A massa de rendimento real somou R$ 162,112 milhões, uma alta de 2,2% em relação ao mesmo período do ano passado e um avanço de 0,7% em relação ao trimestre terminado em novembro.
Os dados são calculados mensalmente com informações coletadas no trimestre encerrado no mês de referência. Por exemplo, para informações de fevereiro, foram contabilizados dados de dezembro, janeiro e fevereiro. A série histórica começa em 2012.
PELA PME, TAXA DE 5,9% EM FEVEREIRO
O IBGE optou pela divulgação sob esta forma por conta dos custos de se fazer a pesquisa em todo o país. Segundo o instituto, de um mês para outro (trimestre móvel) há repetição de dois terços da amostra, o que serve para atenuar movimentos mais bruscos.
O levantamento reúne dados de 3.464 municípios do país e não apenas de seis regiões metropolitanas, como a Pesquisa Mensal de Emprego (PME). Inicialmente, a PME seria feita apenas até 2014. A decisão de produzir indicadores mensais da Pnad contínua — e não apenas por trimestre — motivou a extensão da coleta dos dados. Assim, será possível ter uma base de comparação entre as duas pesquisas.
Justamente por ser mais abrangente, a Pnad Contínua costuma apresentar uma taxa maior que à mensalmente divulgada dentro dos parâmetros da PME, que conta com dados de seis regiões metropolitanas.
A PME em fevereiro tinha apontado que a taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas (Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre) subiu para 5,9% em fevereiro, a maior taxa para meses de fevereiro desde 2011, quando foi de 6,4%.
Considerando qualquer mês, é a mais alta desde junho de 2013 (6%). Em janeiro deste ano, havia sido de 5,3%. E, em fevereiro do ano passado, a taxa havia ficado em 5,1%.
Nessa mesma pesquisa, o rendimento médio real dos trabalhadores caiu 1,4% frente a janeiro e 0,5% em relação a fevereiro de 2014, para R$ 2.163,20. É a primeira variação negativa na comparação interanual desde outubro de 2011, quando houve recuo de -0,3%. É também a maior desde maio de 2005, quando o recuo no rendimento chegou a 0,7%.
O objetivo é substituir gradualmente a PME pelo levantamento nacional, criado em 2012 e que, até ano passado, não contava com números sobre a renda.