sábado, 22 de agosto de 2026

Conheça a lobista que se uniu a Lulinha em negócios no governo Lula e caiu nas garras da PF

Roberta projetava faturar R$100 milhões em um ano em negócios com o filho de Lula



Roberta Luchsinger em Paris: ela projetava faturar R$100 milhões no governo do PT em um ano - Foto: redes sociais.

Roberta Moreira Luchsinger, apontada pela Polícia Federal (PF) como peça-chave em investigações de suspeitas de tráfico de influência e intermediação de interesses privados junto ao governo federal, especialmente no terceiro mandato de Lula (PT). Ela é amiga próxima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, e figura central em inquéritos que apuram uma suposta “sociedade informal” com ele e o Fernando Bittar, velho amigo e sócio de Lulinha.

Nascida em Miraí (MG), por volta de 1985 (cerca de 41 anos em 2026), Roberta seria neta de Peter Paul Arnold Luchsinger, ex-acionista do Credit Suisse. Formada em Direito, vive entre São Paulo (bairro de Higienópolis) e Brasília. Foi casada com o ex-delegado da PF e ex-deputado federal Protógenes Queiroz (de quem se separou por volta de 2014) e tem filhas.

Politicamente, é apoiadora declarada de Lula. Em 2017, no auge da Lava Jato, prometeu doar R$500 mil (em dinheiro e objetos de luxo) ao então ex-presidente após o bloqueio de bens determinado por Sérgio Moro. Candidatou-se a deputada estadual por São Paulo pelo PT em 2018 (obteve cerca de 14 mil votos e ficou como suplente). Depois se filiou ao PSB. Em redes sociais, publica conteúdos de apoio a Lula, críticas a Bolsonaro e aliados, e imagens de viagens e luxo. Ironicamente, usa a hashtag #ComLulaPelaJustiçaPeloBrasil.

Atuação profissional e como lobista

Em 2019, após a tentativa política, abriu a RL Consultoria e Intermediações Ltda. (capital social de cerca de R$100 mil), registrada para “intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral”. Também tem vínculos com outras empresas familiares (Distribuidora Luchsinger e Elephant II Produções). A consultoria é o veículo principal de sua atuação.

A PF e reportagens descrevem seu modus operandi como o de abrir portas no governo: marcar reuniões com agentes públicos, “costura política via Palácio”, indicar nomes para cargos e intermediar contratos. Em mensagens, ela afirmou frases como “somos governo, tem que pedir tudo e fazer” e “eu trabalho a política via palácio”. Jactava-se de ter influenciado nomeações (ex.: no Porto de Santos) e projetava ganhos de até R$ 100 milhões só em 2024 com facilitação de negócios.

Registros mostram dezenas de visitas a órgãos públicos desde 2023 (muitas fora de agenda oficial): Ministério do Desenvolvimento Social (MDS — pelo menos 17 visitas), Ministério da Saúde, Dataprev, Câmara dos Deputados (gabinetes de Alexandre Padilha e lideranças), BNDES e outros. Empresas por ela representadas obtiveram contratos milionários.

Relação com Lulinha e suspeitas da PF

A amizade com Lulinha e a esposa dele (Renata) é antiga e íntima: eles frequentavam a mesma mansão no Lago Sul (Brasília), viajavam juntos, e ela cuidava de aspectos das finanças dele (“você que cuida das minhas finanças”, segundo mensagens). Em diálogos, Roberta chegou a dizer “eu sou o Fábio” e “Fefe, Fábio e eu somos uma coisa só”. A PF conclui que havia uma associação informal e coordenada entre ela, Lulinha e Fernando Bittar para interlocução de interesses privados perante a administração pública. Lulinha teria participado de reuniões, orientado emissão de notas fiscais e sido citado como destinatário de pagamentos e benefícios.

Ela recebeu ao menos R$4 milhões de empresários com interesses no governo (valores totais ainda sob apuração). A PF abriu inquéritos específicos envolvendo a dupla no Ministério da Saúde, Dataprev e outras áreas, sob relatoria de ministros do STF (André Mendonça e Flávio Dino).

Principais casos investigados:

Cléber Ribas/3Structure IT (tecnologia e cibersegurança): Contratada para intermediar interesses na Dataprev e MDS. Recebeu pelo menos R$ 2,5 milhões entre 2024 e 2025. A empresa de Ribas fechou contratos de R$14,4 milhões e R$19,2 milhões com o MDS. Mensagens mostram Roberta cobrando pagamentos “para o Fábio” (viagens, despesas) e Lulinha pedindo emissão de nota fiscal (“Emite a NF pro Cleber”). A PF considera os indícios nesse caso mais robustos.

Antônio Carlos Camilo Antunes (“Careca do INSS”): Recebeu R$ 1,5 milhão (cinco parcelas de R$ 300 mil) por serviços relacionados à regulação de cannabis medicinal e outros. Apresentou Lulinha ao Careca. Suspeitas de que parte dos valores seria para o “filho do rapaz” (possível referência a Lulinha). Alvo da Operação Sem Desconto (fraudes no INSS); indiciada no relatório da CPMI do INSS por organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, falsidade ideológica e tráfico de influência. Foi alvo de busca e apreensão em dezembro de 2025 e usou tornozeleira eletrônica.

Outros: Pagamentos de contas e presentes a Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula — cerca de R$ 217 mil, tratados pela defesa como empréstimo); envolvimento em prospecção de negócios de cannabis, cibersegurança e consignados; possíveis indícios de lavagem via joias e viagens (enquanto acumulava dívidas de centenas de milhares de reais).

Em mensagens, ela afirmou que Lula teria oferecido um cargo no governo, o qual recusou para permanecer na “sociedade” com Fábio e Fernando (“tô em cargo nenhum e ando onde quero”).

Posição da defesa e status atual

A defesa de Roberta nega irregularidades, afirma que os serviços eram de consultoria legítima, que não repassou valores a Lulinha, que apresentou o Careca em contexto social e que não tinha conhecimento de irregularidades prévias. Lulinha e ela negam tráfico de influência ou recebimento indevido. As investigações seguem em andamento no STF e na PF, com quebras de sigilo de mensagens e relatórios apontando indícios concretos de participação.

Em resumo, o papel atribuído a Roberta Luchsinger pela PF é o de intermediária estratégica e operadora de influência, usando proximidade política e amizade com Lulinha para facilitar negócios privados com o setor público, em troca de remuneração elevada. As apurações ainda estão em curso.

Diário do Poder

Caso Lulinha pode envolver autoridade com foro

 

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha | Foto: Reprodução / Redes Sociais


É carregada de significado a decisão do ministro André Mendonça de manter no Supremo Tribunal Federal (STF) os três inquéritos contra Fabio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, filho de Lula (PT), suspeito de crimes de tráfico de influência e corrupção, entre outros. Na avaliação de experientes magistrados de tribunais superiores, Mendonça não adotaria essa decisão, cuidadoso como é, não houvesse indícios de envolvimento de autoridades do mais alto escalão da República, com foro privilegiado.

Ele sabe o que faz

Mendonça recusou tão logo recebeu o pedido da PGR, revelando “absoluta segurança no que fez”, segundo ministro aposentado do STF.

Operação blindagem

Mandar o caso Lulinha para primeira instância já tinha virado campanha de parte da mídia ligada ao governo. O objetivo era blindar Lula.

Contrato lotérico

A minuta do contrato de R$626 milhões entregue a Marcola reforçaria a suspeita de que Lula, no mínimo, sabia das negociações do canabidiol.


Diário do Poder

PF aponta que Lulinha recebia dinheiro de negócios no governo, e cerco se fecha contra Lula

 

Lulinha em foto recente na imprensa e redes sociais espanholas


A crise que assombra Lula (PT) se agrava com a devastadora revelação, desta sexta (21), de que seu filho Lulinha é “destinatário de pagamentos” originados de contrato milionário que uma empresa de tecnologia obteve no governo do seu pai graças à sua interferência direta. Diálogos recuperados pela Polícia Federal da lobista Roberta Luchsinger apontam que os pagamentos eram de Cléber Ribas de Oliveira, da 3Structure, dona de contratos com Dataprev e Ministério do Desenvolvimento Social.

‘Despesas’ caras

Mensagens mostram Roberta pedindo dinheiro para “despesas de Lulinha” e cobrando pagamentos citando o filho do presidente.

Abrindo portas

Tem mensagem de Lulinha também: “Emite a NF pro Cleber”, que pagou ao menos R$ 2,5 milhões a lobista. Em troca ela abria portas no governo.

Cuidadora financeira

Lulinha reconhecia que a lobista “cuidava” de suas finanças e discutia viagens caras sem “dim dim nem origem”.

CPI do Lulinha

Indícios de sociedade oculta e tráfico de influência investigados pela PF fragilizam mortalmente o governo. E reforça pressão pela CPI do Lulinha.


Diário do Poder

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Lulinha foi ‘destinatário de pagamentos’ em contrato milionário no governo Lula, aponta PF

Investigação de trafico de influência do filho de Lula na Dataprev aponta que ele recebia dinheiro de dono de empresa de tecnologia, que pagou R$ 2,5 milhões a lobista



Roberta Luchsinger com p ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias: 17 "reuniões" fora da agenda - Foto: assessoria.


Ao investigar suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a Polícia Federal encontrou diálogos apontando o filho de Lula (PT) como destinatário de pagamentos e benefícios bancados por um empresário que buscava contratos na Dataprev e mantinha negócios milionários no Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), chefiado pelo ministro Wellington Dias (PT), que recebeu a lobista Roberta Luchsinger por 17 vezes fora da agenda.

As informações se originam da quebra de sigilo de Roberta Luchsinger. Ela teria sido contratada pelo empresário Cléber Ribas de Oliveira, do setor de tecnologia, para intermediar interesses junto a órgãos públicos. Nas conversas, Roberta pede recursos a Cléber e menciona que parte serviria para cobrir “despesas de Lulinha”.

A PF relata que Lulinha participou diretamente da intermediação dos negócios de Cléber, esteve em reuniões com agentes públicos em defesa dos interesses do empresário e solicitou a emissão de notas fiscais para o recebimento de valores. Em relatório, citado em reportagem de Aguirre Talento e Gustavo Côrtes, do Estadão, a corporação afirma que ele aparece associado a reuniões empresariais, é citado como beneficiário de pagamentos e, em ao menos uma ocasião, intervém na emissão de nota fiscal destinada a Cléber.

Esses elementos, segundo a PF, indicam participação efetiva e justificam o aprofundamento das apurações.A PF abriu inquérito específico sobre a intermediação junto à Dataprev. Há ainda investigações sobre a atuação de Roberta e Lulinha no Ministério da Saúde e em outras áreas do governo.

Os indícios relacionados à Dataprev são considerados mais robustos, pois resultaram em contratos concretos com o governo federal e estaduais, além de pagamentos milionários à lobista. Cléber Ribas pagou ao menos R$2,5 milhões a Roberta entre março de 2024 e dezembro de 2025. Em troca, ela agendou reuniões na Dataprev e com outros agentes públicos. Em junho de 2023, Roberta enviou a Cléber uma lista de ações em andamento, citando Geap, portos e aeroportos, Correios, Dataprev e MDS, e mencionando envolvimento do “palácio”.

A empresa de Roberta, 3Structure, fechou contratos de R$14,4 milhões e R$19,2 milhões com o MDS em dezembro de 2023 e abril de 2024. Nas mensagens, a lobista cobra pagamentos de notas fiscais citando Lulinha. Em setembro de 2023, ela escreveu: “E me avisa lá tb do pagamento do Fábio q ele me perguntou pq ele vai viajar”. Em outra ocasião, pediu aviso sobre pagamento porque “ele perguntou aqui” — a PF considera mais provável que “ele” se refira a Lulinha.

Em mensagem divulgada antes, o próprio Lulinha pediu a Roberta: “Emite a NF pro Cleber”. Em agosto de 2025, Roberta questionou Cléber sobre pagamento de alguém chamado Freitas, dizendo que os valores serviriam para comprar passagens aéreas para Lulinha: “Tem que pagar essa bosta dessas passagens pro Fabio, aí vai pagar com o dinheiro do Freitas”.

A PF interpreta que Lulinha usava a empresa da lobista para custear despesas. Diálogos mostram ainda que ele reconheceu que Roberta “cuidava” de suas finanças. Em maio de 2024, ao discutir uma viagem à África com familiares, Lulinha perguntou: “A gente tem grana pra bancar essas coisas? Vc q cuida das minhas finanças”. Em janeiro de 2024, sobre uma viagem a Genebra estimada em valor elevado, ele disse não ter “dim dim nem origem” para o gasto e que qualquer problema não teria explicação.

A PF identificou que Roberta recebeu ao menos R$4 milhões de empresários com interesses no governo. As conversas foram transcritas em relatórios para abertura de inquérito contra Lulinha, Roberta e outros investigados. As defesas ainda não se manifestaram.

Diário do Poder

Guilherme Fiuza e a 'SENSAÇÃO'

 

Ilustração: Montagem Revista Oeste/Gerado por IA

A palavra “sensação” está na moda. De fato, ela tem tudo a ver com os tempos atuais. A era das coisas “instagramáveis” ou não “instagramáveis” é um show de sensações. Quanto menos conectadas com a realidade, melhor. 

A humanidade se cansou da vida real. Compreensível. Na vida real, é bem difícil você ser herói com um vídeo e uma legenda. Isso frustra o ser humano.

 As pessoas não aguentavam mais ser comuns, vendo todo o charme e o frisson indo pro Antônio Fagundes, a Bruna Marquezine e o Cristiano Ronaldo.

 Aí chegou o Instagram e acabou com essa angústia. Hoje todo mundo é famoso sem precisar ser nada.

 Ufa, até que enfim.

 Basta uma frase humanitária e o dia tá ganho. É a chamada “sensação de grandeza”. 

E o pessoal preocupado com os preços… 

A sensação de grandeza não é só uma recompensa para o bem-estar individual. 

Ela deflagra outras sensações — de pertencimento, de utilidade, de simpatia, empatia, homeopatia e apatia (benigna). 

Nos dias de hoje, o ser apático é um pensador. 

Não perturbem a gestação da próxima postagem matadora. Quem continua aferrado às coisas reais está com a sensação errada. 

Desculpe o alerta, mas é para o seu bem. 

Talvez você estivesse pensando agora em criticar o poder por causa de algum desmando, e aí você já pode dar meia-volta e botar a viola no saco.

Você provavelmente estava prestes a disparar uma “narrativa antiestatal”, sem saber que isso hoje é pecado. 

Críticas ao poder fazia sua avó. 

Agora você estaria desacreditando as instituições e descredibilizando os fundamentos da democracia.

 Presta atenção, distraído. 

A imprensa é parceira do poder nessa nova ordem. 

Ela atua para garantir que as melhores sensações confortem a opinião pública — salvando a população das agruras das coisas reais. 

Se você criticar esse novo papel da imprensa, será imediatamente enquadrado como negacionista e propagador de ódio. 

Isso se não te chamarem também de bobalhão, por estar querendo ver jornalistas exercendo seu antigo ofício de fazer jornalismo. 

Você é um nostálgico. 

Sensação de preço alto se resolve com sensação de mordaça. 

Sensação de roubalheira (de novo?!) se resolve com sensação de impunidade. 

Sensação de Venezuela se resolve com sensação de Nicarágua. Sensação de enjoo se resolve com estômago de aço. 

E, claro, sensação de governo velho se resolve com aventureiros novos. 

Ou seja: tudo se resolve. 

A grande heresia se chama vida real — mas essa está sob controle.


Ilustração: Montagem Revista Oeste/Gerado por IA


Guilherme Fiuza - Revista Oeste


Lobista Roberta Luchsinger diz que o ex-presidiário Lula ofereceu cargo no governo e que ela recusou

 Em conversas obtidas pela PF, Roberta afirmou ter mantido proximidade com o presidente e optado por negócios privados com Lulinha


A empresária e lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha - Foto: Reprodução/Redes sociais


A lobista Roberta Luchsinger afirmou, em conversas de 2024 obtidas pela Polícia Federal (PF), que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lhe ofereceu um cargo no governo. Segundo ela, recusou a função para se dedicar a negócios privados com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Fernando Bittar. 

Nos diálogos, Roberta também declarou que mantinha proximidade com Lula. As conversas integram um relatório da Polícia Federal publicado pela revista Veja.



A imagem consta no relatório da Polícia Federal |-Imagem: Reprodução/ Revista Veja


Segundo o inquérito, Lulinha atuava como agenciador oculto de empresários interessados em contratos com autarquias federais. Os investigadores apontam indícios de corrupção e tráfico de influência na atuação do grupo. 

Mensagens citam atuação no governo 

As mensagens mostram que Roberta mantinha contato direto com o empresário Gustavo Gaspar. O relatório revela que ela, Lulinha e Fernando Bittar formavam um núcleo de atuação permanente para atender a interesses privados perante agentes e órgãos da administração pública federal, incluindo o Ministério da Saúde. 


Roberta afirmava atuar por meio do Palácio do Planalto e projetava receber R$ 100 milhões em 2024. As investigações também revelam que ela orientava o motorista a fazer entregas de valores em espécie transportados em malas. 

Entre os destinatários das quantias estava Fernando Bittar, um dos proprietários do sítio de Atibaia. 

Em uma das conversas, Lulinha questionou a disponibilidade de recursos para custear uma viagem à África e afirmou que Roberta cuidava de suas finanças.


O filho de Lula, Lulinha, e a amiga Roberta Luchsinger - Foto: Reprodução/Redes sociais 


Em nota ao portal Poder360, a defesa de Lulinha criticou o vazamento da investigação e afirmou que não existem provas no inquérito. O advogado Marco Aurélio Carvalho disse que a divulgação busca causar impacto no processo eleitoral. 

A assessoria de Fernando Bittar contestou o acesso seletivo aos autos e também citou interferência política. As defesas de Roberta Luchsinger, Gustavo Gaspar e Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, não se manifestaram ou informaram que aguardam acesso à íntegra do processo.


Letícia Alves - Revista Oeste




Adalberto Piotto - 'Lula castiga o varejo e o consumidor'

 A crise é fruto de um projeto de poder sem pudor e a qualquer custo


Foto: Montagem Revista Oeste/IA

O mesmo governo, no mesmo mandato, em menos de três anos, faz dois programas de renegociação de dívidas de consumidores. O Desenrola Brasil, em julho de 2023, e o Novo Desenrola Brasil, em maio de 2026. É prova cabal de incompetência da política econômica do governo Lula que, em vez de gerar desenvolvimento sustentável e autonomia para as pessoas, produz novos endividados hoje para se transformarem em dependentes de programas assistencialistas do governo amanhã. É a máquina de votos de Lula e do PT a todo vapor. Em ano de eleição, como este de 2026, a crise do varejo, do endividamento familiar recorde e de inadimplência crescente precisa ser compreendida como o projeto de poder sem pudor e a qualquer custo — para os outros — que Lula implementa sem piedade dos brasileiros.


O Desenrola voltou. O endividamento também. O que não veio foi uma política econômica capaz de quebrar esse ciclo de dependência - Foto: Shutterstock

Dois programas para renegociar dívidas em tão pouco tempo, sem nenhuma crise externa séria, mostram que o problema é só local. O varejo que fecha lojas, demite funcionários e recorre cada vez mais à recuperação judicial é a vítima da vez. Antes, foi o consumidor quem perdeu poder de compra, a primeira vítima dessa equação tenebrosa de empobrecimento e crise econômica. A conexão dos dois “desenrola” com a crise no varejo é umbilical. E ambos têm a mesma fonte, o terceiro mandato de Lula. Recorro aqui a um trecho do artigo “A fórmula do endividamento permanente” (Revista Oeste, Edição 321), que escrevi ainda em maio deste ano. Ali estão dados inequívocos da realidade brasileira:

“Segundo a Serasa Experian, em março deste ano, o número de inadimplentes chegou a 83 milhões de brasileiros com o CPF negativado. Algo em torno de 10 milhões a mais se comparado a julho de 2023, quando o governo Lula lançou o Desenrola 1. Ao recorrer uma vez mais a um programa que piorou o endividamento, insiste no erro porque interessado apenas em possíveis dividendos. eleitorais. (…) No Desenrola 1 [de 2023], foram renegociados R$ 53 bilhões. Desde o fim de maio de 2024, quando o programa foi finalizado, houve aumento de R$ 61 bilhões de novos calotes até o início deste ano. Mais que dobrou o valor da dívida com atrasos superiores a 90 dias, segundo relatório recente do Banco Central”. 

Uma população endividada em 2023, exposta a uma política econômica ruim nos três anos seguintes, ficou ainda mais endividada. É mera questão matemática, uma soma de dívidas. O varejo vive de consumidor com poder de compra. É justamente esse consumidor que ficou mais raro, porque convive com CPF negativado e tendo de escolher o que comprar, porque não dá para fazer tudo o que costumava fazer até anos atrás. Como entrar em um novo financiamento de uma geladeira em 24 vezes se está com prestações atrasadas do fogão comprado dois anos antes? 

Não dá. O consumidor pisa no freio para se proteger ou porque, como é esperado que aconteça, lhe é negado um novo crédito. O consumo retrai e a loja fecha. A inflação é real e já corroeu os salários. Uma melhora nos índices atuais, com o discurso oficial de estabilidade inflacionária, não traz refresco porque tudo já está bem mais caro que antes. E pior: com as pessoas já endividadas. É uma lógica tão simples quanto aterrorizadora. Consumidor endividado primeiro. 

Varejo em crise na sequência


Quando a dívida cresce, o poder de compra encolhe. O consumidor recua — e o varejo sente primeiro 


No total, são 602 empresas que entraram em recuperação judicial só até abril deste ano, segundo a Serasa Experian. Em 2025, foram 2.466 — uma alta de 13% em relação a 2024. É um quadro de piora constante a partir do segundo ano deste terceiro mandato de Lula. Os casos de grandes varejistas que recorreram à Justiça para tentar se recuperar chamam a atenção pelo tamanho, os números e por evidenciar que ninguém está a salvo quando a política econômica é a vilã de uma lógica perversa que derruba o consumidor antes e o vendedor depois. O Grupo Casas Bahia pediu recuperação em agosto. Divulgou dívida de R$ 17,3 bilhões. Prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Quase 300 lojas foram fechadas no país, praticamente um terço de toda a operação de rua. A demissão de cerca de 3 mil funcionários só em agosto de 2026 apenas aprofunda a crise da empresa. Uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho tenta reverter as demissões com uma liminar. É razoável supor que quando julgarem o mérito, verão que quando falta dinheiro para pagar folha de pagamento, só dinheiro resolve. É justamente o que a empresa está dizendo à Justiça que não tem, por isso pediu recuperação judicial. 

Nem dinheiro, nem crédito para si ou para o consumidor. Esse é o nó. Lojas Marabraz. A rede também fez pedido de recuperação na Justiça agora em agosto e declarou ter dívida de R$ 140,2 milhões. 

A dívida do grupo que comanda a rede varejista pode atingir R$ 400 milhões. 

Grupo Toky, uma fusão da Mobly com a Tok&Stok. Dívida de R$ 1,11 bilhão e recuperação deferida pelo Poder Judiciário em junho. Grupo Pão de Açúcar/GPA. 

Está em recuperação extrajudicial desde o primeiro semestre, com dívida assumida de R$ 4,5 bilhões. Fechou lojas ou fez conversões com o Extra para reduzir custos.

Grupo Pão de Açúcar/GPA. Está em recuperação extrajudicial desde o primeiro semestre, com dívida assumida de R$ 4,5 bilhões - Foto: Foto: GPA/Divulgação 

Há vários outros casos, mas grandes varejistas já reestruturaram mais de R$ 68 bilhões em dívidas via recuperação judicial ou extrajudicial nos últimos dois anos e meio. À exceção do caso das Americanas, em que má administração e fraude contábil são objetos de investigação, e o caso das Casas Bahia, do enorme prejuízo no último trimestre — que também sugere forte inconsistência contábil —, a proliferação do varejo em crise tem semelhanças enormes com a perda de poder de compra das famílias, cujo endividamento atingiu o recorde de 92%. E todas apontam para a série de dificuldades da política econômica de Lula: gastança governamental desenfreada + inflação + juros altos + endividamento do consumidor = crise no varejo.

Em que pesem eventuais casos particulares de má gestão e de concorrência com o mercado eletrônico, de adaptação integral ao ecommerce (muitas já atuam com o modelo), e a queda vertiginosa das ações da Magazine Luiza nos últimos anos (só em 2026, em torno de 50%), o ambiente econômico brasileiro se deteriorou a partir de 2023. Toda a recuperação elogiável do Brasil no pós-pandemia e, apesar da crise do petróleo com a guerra na Ucrânia, quando o país cresceu 2,9%, os investimentos cresceram e o governo Bolsonaro registrou superávit nas contas públicas, tudo isso foi perdido com o governo Lula e a equipe econômica nas mãos de Fernando Haddad e Simone Tebet, que ousadamente concorrem a governador e senadora por São Paulo, esperando que ninguém se lembre do governo a que pertenceram e o que fizeram nos verões passados. 

Sem pandemia, o Brasil de Lula tem endividamento de 81,9% na relação dívida/PIB. A taxa básica de juros de 14%, descontada a inflação, é a segunda maior do mundo (9,33% aa). No mercado, os juros reais são bem maiores. No cartão, fonte primária de crédito do consumidor desesperado, ultrapassa os 400% ao ano. A burocracia, a insegurança jurídica — da relação promíscua entre o governo federal e o STF — e a carga tributária aumentaram. 

O ambiente para se investir no Brasil ficou tóxico. A fuga de empresas para o Paraguai é um sintoma disso. Um Estado pesado, ineficiente, com rombos frequentes em estatais e a volta dos grandes escândalos de corrupção — como o do INSS e o do Master, que estão dentro do governo federal — desafiam o investidor e o cidadão, que tentam buscar meios de sobreviver diante de tanta concorrência desleal com o próprio Estado. Coloque na conta as mais de 30 vezes em que o governo Lula aumentou ou criou novos impostos, e a asfixia tributária de quem vive no Brasil explica o endividamento do consumidor e a crise do varejo. Mesmo assim, Lula concorre à reeleição, fingindo não ser o responsável por isso tudo. 

É o responsável. 

As famílias endividadas, o varejo sufocado e pedindo ajuda à Justiça para não quebrar estão aí para todo mundo ver. Uma hora a conta da irresponsabilidade e do populismo fiscal de gastar mais do que arrecada, elevando a dívida pública ao recorde temerário de R$ 11 trilhões com três anos e meio de déficits seguidos, iria chegar. Chegou. As eleições de outubro são uma chance de mudar essa bagunça populista que aflige mais uma vez o Brasil que trabalha, produz e insiste em dar certo


Adalberto Piotto - Revista Oeste