sábado, 23 de maio de 2026

Como a Havan virou um fenômeno do varejo brasileiro em quatro décadas

No ciclo em que se aproxima dos 40 anos, a rede catarinense mostra como a aposta em megalojas, expansão regional e símbolos reconhecíveis contrariou previsões sobre o fim do varejo físico


As fachadas monumentais e as megalojas se tornaram parte da identidade da Havan no varejo brasileiro - Foto: Divulgação/Havan

 

Em 1986, a Havan cabia em 45 metros quadrados. Tinha um balcão, algumas prateleiras de tecidos, um funcionário e uma loja em Brusque, no Vale do Itajaí. Quase quatro décadas depois, a rede se tornou uma das marcas mais reconhecíveis do varejo brasileiro, com megalojas, fachadas monumentais e réplicas da Estátua da Liberdade espalhadas pelo país. 

A trajetória chama atenção não apenas pelo tamanho, mas pela aposta. Enquanto parte do mercado passou a tratar as grandes lojas físicas como estruturas pesadas demais para o novo consumo, a Havan cresceu justamente nesse modelo: lojas amplas, forte presença regional, mix variado e uma experiência pensada para transformar a ida às compras em evento.


Do chão de fábrica ao balcão próprio 

Nos anos 1980, Brusque já era um dos polos têxteis mais conhecidos do Sul do país. Boa parte da economia local girava em torno das fábricas de tecido, e Luciano Hang conheceu esse ambiente por dentro. Filho de operários da tradicional Fábrica de Tecidos Carlos Renaux, passou pela expedição, pelas vendas e pela produção antes de decidir abrir o próprio negócio. 

A experiência na indústria ajudou a definir o caminho. Depois de participar da compra de uma pequena fiação, Hang percebeu que sua vocação estava menos em produzir e mais em vender. Em 1986, ao lado do sócio Vanderlei de Limas, fundou a Havan. O nome nasceu da união dos sobrenomes: Hang e Vanderlei. A sociedade durou cinco anos, tornando então Luciano dono único da empresa.


Registro da fase inicial da Havan em Brusque reforça o contraste entre a origem têxtil e a escala atual da rede - Foto: Divulgação/Havan 


A aposta no que parecia fora de moda 

Quando nomes como Mesbla, Mappin e Arapuã desapareceram do mapa do varejo brasileiro, a conclusão parecia inevitável: lojas de departamento grandes demais haviam perdido espaço. A abertura econômica, a chegada de novos produtos e a reorganização do consumo mudavam a lógica do setor. 

Foi nesse cenário que a Havan escolheu seguir na direção oposta. Em vez de reduzir área e concentrar a estratégia apenas no digital, a rede investiu em megalojas com fachadas inspiradas na Casa Branca, estacionamento, grande variedade de produtos e presença em cidades médias e regiões fora do eixo mais disputado pelas grandes redes. 

A expansão ganhou força principalmente a partir dos anos 2010. Em 2017, a inauguração da 100ª megaloja, em Rio Branco, no Acre, reuniu 150 mil pessoas, segundo a própria empresa. O episódio sintetiza uma parte importante da estratégia: chegar a mercados onde uma loja desse porte também funciona como novidade urbana, ponto de encontro e símbolo de desenvolvimento local.


Símbolos que viraram marca 

A Estátua da Liberdade talvez seja um dos elementos mais visíveis da construção. Instalada pela primeira vez em Brusque, tornou-se uma assinatura visual da rede e passou a operar como sinal de reconhecimento imediato. Antes mesmo de o consumidor entrar na loja, ele já identifica a Havan pela arquitetura, pela fachada da Casa Branca e pelo monumento na entrada. 

A figura de Luciano Hang também entrou nessa equação. Por muitos anos, a rede cresceu sem que o grande público soubesse quem era seu dono. Em 2016, após boatos sobre a propriedade da empresa circularem nas redes sociais, a Havan respondeu com uma campanha que estampava a imagem de Hang nas lojas e perguntava: 

“Quem é o dono da Havan?” 

A campanha ganhou reconhecimento no marketing e ajudou a transformar o empresário em personagem público. O apelido “Véio da Havan”, antes usado em tom provocativo, foi incorporado à comunicação e passou a fazer parte da identidade popular da marca.

Luciano Hang passou a ocupar papel central na comunicação da Havan a partir da campanha que revelou o dono da rede ao público | Foto: Divulgação/Havan Uma loja física em tempos digitais 23/05/2026, 11:13 Quatro décadas, um balcão, a Casa Branca e a estátua da Liberdade: como a Havan virou um fenômeno do varejo brasileiro … https://revistaoeste.com/projetos-especiais-oeste/havan-40-anos-fenomeno-varejo-brasileiro/ 6/13 Entre 1986 e 2026, o Brasil passou por hiperinflação, planos econômicos, crises políticas, pandemia e mudanças profundas no comportamento do consumidor. A Havan atravessou esse período sem abrir capital na bolsa e mantendo a gestão concentrada em seu fundador. A decisão preservou velocidade e controle estratégico, embora também limite o acesso público a dados detalhados da companhia. 

O modelo físico, por sua vez, segue como parte central da tese de crescimento. Em um setor pressionado por marketplaces, vendas por aplicativo e consumidores cada vez mais conectados, a rede aposta que a loja ainda pode ser destino. Não apenas um ponto de retirada ou compra rápida, mas um espaço de circulação, escolha e convivência. 



Luciano Hang passou a ocupar papel central na comunicação da Havan a partir da campanha que revelou o dono da rede ao público  Foto: Divulgação/Havan 


Uma loja física em tempos digitais  

Entre 1986 e 2026, o Brasil passou por hiperinflação, planos econômicos, crises políticas, pandemia e mudanças profundas no comportamento do consumidor. A Havan atravessou esse período sem abrir capital na bolsa e mantendo a gestão concentrada em seu fundador. A decisão preservou velocidade e controle estratégico, embora também limite o acesso público a dados detalhados da companhia. O modelo físico, por sua vez, segue como parte central da tese de crescimento. Em um setor pressionado por marketplaces, vendas por aplicativo e consumidores cada vez mais conectados, a rede aposta que a loja ainda pode ser destino. Não apenas um ponto de retirada ou compra rápida, mas um espaço de circulação, escolha e convivência. 

É essa contradição que torna a história da Havan relevante para além da própria marca. A empresa cresceu fazendo exatamente aquilo que muitos analistas consideravam improvável: ampliar lojas, ocupar cidades fora dos grandes centros, investir em símbolos monumentais e transformar a presença física em lembrança de marca. 

No ciclo em que se aproxima dos 40 anos, a Havan chega à maturidade com uma pergunta aberta para o varejo brasileiro: quanto da experiência de compra ainda depende do espaço físico? A resposta da rede catarinense, até aqui, tem sido ocupar esse espaço com escala, espetáculo e uma marca impossível de passar despercebida. 

Para conhecer a história completa da Havan, conferir lojas, campanhas e canais oficiais da marca, acesse o site da rede