quinta-feira, 7 de maio de 2026

PF cita hotel de luxo em NY e viagens pagas a Ciro Nogueira por Vorcaro, ex-dono do Master

Investigação aponta que senador teria recebido hospedagens, restaurantes, cartão bancário e vantagens milionárias ligadas a Vorcaro


O senador Ciro Nogueira (PP-PI) |-Foto: Andressa Anholete / Agência Senado


A Polícia Federal apontou, em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal, que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) teria recebido vantagens indevidas do empresário Daniel Vorcaro, incluindo hospedagens em hotel de luxo em Nova York, viagens internacionais, restaurantes de alto padrão e uso de cartão bancário para despesas pessoais.

Segundo a investigação da quinta fase da Operação Compliance Zero, Vorcaro teria bancado estadias do senador no hotel Park Hyatt New York, localizado em uma das regiões mais valorizadas de Manhattan. As diárias da suíte presidencial podem chegar a US$ 35 mil, cerca de R$ 172 mil na cotação atual.

A PF não detalha qual acomodação foi utilizada nem o valor total gasto, mas afirma que as despesas incluíam hospedagens, deslocamentos e gastos atribuídos ao parlamentar e à sua acompanhante. Em mensagens interceptadas pelos investigadores, o operador Léo Serrano questiona Vorcaro sobre o pagamento de despesas do senador:

“[…] Eh pros meninos continuarem pagando restaurantes do Ciro/Flávia até sábado?”

Vorcaro responde:

“Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths”.

De acordo com a PF, o cartão teria sido utilizado para custear despesas pessoais do senador durante viagens internacionais. Os investigadores também afirmam haver indícios de que Ciro Nogueira adquiriu uma participação societária avaliada em R$ 13 milhões por apenas R$ 1 milhão, além de receber pagamentos mensais de R$ 300 mil, que, segundo relatos obtidos pela investigação, chegaram posteriormente a R$ 500 mil.

Em troca, segundo a PF, o parlamentar teria atuado em favor de interesses do Master.

O relatório cita a apresentação de uma proposta para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, medida que teria sido elaborada com participação de integrantes da instituição financeira. A operação cumpre dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária no DF, PI, SP.

Raimundo Nogueira está descrito como “agente de sustentação formal e operacional” de empresas ligadas ao núcleo familiar do senador. Em nota, a defesa de Ciro negou irregularidades e afirmou que o próprio está à disposição para prestar esclarecimentos.

Lucas Soares - Dário do Poder