sexta-feira, 1 de maio de 2026

Guilherme Fiuza e 'A violência de boa aparência'

 Negacionistas estão em grande forma. Novo atentado contra Trump já caiu na máquina de moer realidade. A tropa da “desinformação” consentida não brinca em serviço


Foto: Montagem Revista Oeste/IA


A arte de maquiar a violência não é para qualquer um. Transformar em alegoria uma ação para tirar a vida de alguém é coisa de profissional. Basta um clique dos influenciadores modernos para transmutar verdade em ficção. O resultado está aí: uma horda de distraídos (mais ou menos conscientes) acreditando que o atentado do Washington Hilton foi uma armação. 

Cada um acredita no que quiser, você poderá ressalvar. Perfeitamente. Mas no momento em que um contingente expressivo da sociedade passa a acreditar que a chuva cai para cima, inegavelmente temos um problema. 

Não cabe aqui dar voltas em torno dos tipos de truque à disposição na praça para lidar com o atentado. 


A saber: 

• “foi tudo armação”; 

• “análises” sobre proveitos políticos do episódio; 

• “constatações” de que a culpa é da vítima, conforme os cânones do humanismo de folhetim.


Não faz diferença. O fato é que a humanidade hoje flerta fervorosamente com a terceirização dos sentidos. O que seria isso? É simples: cada vez mais juízos individuais são formados por indução propagandística — em detrimento do velho sentir/pensar/dizer. Talvez seja até um erro falar em juízos individuais. Nos últimos anos, a opinião pública frequentemente foi um arrastão de Instagram.


O presidente dos EUA, Donald Trump, é escoltado para fora do local enquanto um atirador abre fogo durante o jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA, em 25 de abril de 2026 - Foto: Reuters/Bo Erickson


Exagero? Pode ser. Mas então alguém precisa explicar como se consolidam cada vez mais impressões — e expressões — coletivas inteiramente alheias aos fatos. 

Donald Trump é um indivíduo que preside a maior democracia do planeta e está sendo caçado à bala na cara de todo mundo. Ele foi eleito pelo povo. E seus maiores embates são contra regimes autoritários. Não é normal a complacência de pessoas e instituições com essa caçada vergonhosa. Todos teriam a obrigação de repudiar sumariamente essas teses de “armação”, por exemplo — a começar pela imprensa. 

Estão todos brincando de videogame com o vilão providencial. Quantas arbitrariedades têm estado escondidas sob esse antitrumpismo de fanfarra? Desde 7 de outubro de 2023, a civilização está devendo uma prova cabal de humanidade. É bom se adiantar, antes que o preço da brutalidade embelezada fique alto demais.


Guilherme Fiuza - Revista Oeste