Negacionistas estão em grande forma. Novo atentado contra Trump já caiu na máquina de moer realidade. A tropa da “desinformação” consentida não brinca em serviço
A arte de maquiar a violência não é para qualquer um. Transformar em alegoria uma ação para tirar a vida de alguém é coisa de profissional. Basta um clique dos influenciadores modernos para transmutar verdade em ficção. O resultado está aí: uma horda de distraídos (mais ou menos conscientes) acreditando que o atentado do Washington Hilton foi uma armação.
Cada um acredita no que quiser, você poderá ressalvar. Perfeitamente. Mas no momento em que um contingente expressivo da sociedade passa a acreditar que a chuva cai para cima, inegavelmente temos um problema.
Não cabe aqui dar voltas em torno dos tipos de truque à disposição na praça para lidar com o atentado.
A saber:
• “foi tudo armação”;
• “análises” sobre proveitos políticos do episódio;
• “constatações” de que a culpa é da vítima, conforme os cânones do humanismo de folhetim.
Não faz diferença. O fato é que a humanidade hoje flerta fervorosamente com a terceirização dos sentidos. O que seria isso? É simples: cada vez mais juízos individuais são formados por indução propagandística — em detrimento do velho sentir/pensar/dizer. Talvez seja até um erro falar em juízos individuais. Nos últimos anos, a opinião pública frequentemente foi um arrastão de Instagram.
Exagero? Pode ser. Mas então alguém precisa explicar como se consolidam cada vez mais impressões — e expressões — coletivas inteiramente alheias aos fatos.
Donald Trump é um indivíduo que preside a maior democracia do planeta e está sendo caçado à bala na cara de todo mundo. Ele foi eleito pelo povo. E seus maiores embates são contra regimes autoritários. Não é normal a complacência de pessoas e instituições com essa caçada vergonhosa. Todos teriam a obrigação de repudiar sumariamente essas teses de “armação”, por exemplo — a começar pela imprensa.
Estão todos brincando de videogame com o vilão providencial. Quantas arbitrariedades têm estado escondidas sob esse antitrumpismo de fanfarra? Desde 7 de outubro de 2023, a civilização está devendo uma prova cabal de humanidade. É bom se adiantar, antes que o preço da brutalidade embelezada fique alto demais.
Guilherme Fiuza - Revista Oeste