Estatal mantém pagamento de dividendos bilionários enquanto balanço ainda ignora disparada do petróleo
A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 32,6 bilhões nos primeiros três meses de 2026. O valor representa uma queda de 7,2% em comparação ao mesmo período do ano passado. Os números oficiais saíram nesta segunda-feira, 11. O balanço ainda ignora a subida recente do preço do barril, que disparou depois do início da guerra no Irã.
A companhia vai distribuir R$ 9,3 bilhões em dividendos para os acionistas. O repasse ocorrerá em duas partes, agendadas para agosto e setembro. O diretor financeiro, Fernando Melgarejo, afirmou que os resultados mostram consistência e que o dinheiro investido está virando produção.
Dívida e refinarias
A dívida bruta da petroleira subiu 2% e encerrou março em US$ 72,1 bilhões. O indicador de geração de caixa somou R$ 61,7 bilhões, número que ficou abaixo do que os analistas do mercado esperavam. Sem o efeito da valorização do real, o lucro real teria caído para R$ 23,8 bilhões.
As refinarias trabalharam no maior nível de uso desde 2014 para diminuir a compra de combustível estrangeiro. A produção de diesel S-10 bateu recorde, com 512 mil barris diários. A empresa informou que aumentou em 6,4% a fabricação de derivados para garantir o abastecimento do mercado brasileiro.
Produção em alta
A estatal alcançou a marca recorde de 3,2 milhões de barris de óleo e gás por dia. O volume é 16% maior do que o registrado no começo de 2025. O investimento da empresa subiu 25,6% e somou US$ 5,1 bilhões. O foco do gasto continua na descoberta e na retirada de petróleo das camadas profundas.
O faturamento da estatal ficou parado em R$ 123,7 bilhões. A Petrobras explicou que as vendas para o exterior demoram a cair no caixa. Por isso, o impacto do petróleo acima de US$ 100 só deve aparecer nos dados de junho. No primeiro trimestre, a média do preço do barril Brent ficou em US$ 80,6.
Erich Mafra - Revista Oeste