quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

'Sob Chávez e Maduro, Venezuela enviou quase US$ 6 bilhões em ouro para a Suíça', revela Anderson Scardoelli

Envios ocorreram de 2012 a 2016, período em que o comando da ditadura passou de Hugo Chávez para Nicolás Maduro


Ainda na condição de ditador venezuelano, Nicolás Maduro exibe barras de ouro durante solenidade oficial do regime bolivariano | Foto: Divulgação/Prensa Presidencia


De 2012 a 2016, a ditadura bolivariana da Venezuela enviou 127 toneladas de ouro para a Suíça. Na cotação da época, o montante equivalia a 4,7 bilhões de francos suíços — o que se aproximaria dos US$ 5,9 bilhões. 

A informação sobre o transporte de ouro da Venezuela para a Suíça é do site do canal de televisão SRF. Divulgados nesta quarta-feira, 7, os dados partiram de registros alfandegários.

De acordo com a SRF, o envio de ouro partiu do Banco Central da Venezuela. Na ocasião, a autoridade monetária do país sul-americano estava reduzindo suas reservas. Da Suíça, o metal teve outros destinos. A reportagem cita, por exemplo, países como Reino Unido e Turquia como pontos finais do ativo venezuelano.

Na visão da emissora suíça, a venda de toneladas de ouro foi um ato de desespero da ditadura venezuelana. “Ao enviar suas reservas de ouro para o exterior, o governo de Nicolás Maduro esperava evitar a falência nacional”, avalia a equipe do veículo de comunicação. 

“Parte do ouro foi vendida, enquanto outra parte foi usada como garantia para empréstimos. Em 2014, uma grave crise econômica atingiu o país. Depois do colapso do preço do petróleo, o Produto Interno Bruto (PIB) despencou 80%. O país só conseguia obter novos empréstimos com garantias, o que tornou necessária a transferência emergencial do ouro para o exterior.”


Envio de ouro da Venezuela para a Suíça foi de Chávez a Maduro 

Apesar de a SRF focar em Maduro, as remessas de toneladas de ouro para a Suíça tiveram início quando a ditadura da Venezuela estava sob comando de Hugo Chávez. Ele foi o número 1 do regime de 2 de fevereiro de 1999 a 5 de março de 2013, quando morreu em decorrência de tratamento contra um câncer na região pélvica — e deixou a liderança para seu então vice, que era justamente Maduro.

Os envios de ouro da Venezuela para a Suíça começaram de forma tímida. Em 2012, primeiro ano do registro desse tipo de operação, foram embarcadas 4,4 toneladas. No ano seguinte, que marcou a mudança do regime de Chávez para Maduro, foram 10,2 toneladas. Os envios cresceram para 12 e 24 em 2014 e 2015, respectivamente. O ápice se deu em 2016, com a exportação de 76,8 toneladas.





Não há registros de envios de ouro da Venezuela para a Suíça a partir de 2017. A SRF destaca, por exemplo, que Maduro e figuras ligadas a ele começaram a sofrer sanções de entidades e autoridades europeias. Nesse sentido, o Conselho Federal suíço congelou, desde 2018, todos os bens do hoje ex-ditador.


De ditador a presidiário 

A revelação do montante de ouro que a Venezuela enviou para a Suíça ocorre quatro dias depois da captura de Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores, por militares dos Estados Unidos. Os norteamericanos realizaram operação em Caracas na madrugada do último sábado, 3. 

Sob poder do governo norte-americano, que o acusa de tráfico internacional de drogas e conspiração contra os EUA, Maduro foi levado para o Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, na cidade de Nova York. O agora ex-ditador seguiu detido depois de passar por procedimento similar a uma “audiência de custódia” no Brasil, na qual negou as acusações referentes a narcoterrorismo.

À Justiça dos EUA, Maduro ainda reforçou se considerar “presidente” da Venezuela. Condição, entretanto, que as autoridades do país sulamericano não veem mais como válidas. Com apoio da Suprema Corte e das Forças Armadas, Delcy Rodríguez, então vice da ditadura bolivariana, foi empossada presidente interina na segunda-feira 5.


Anderson Scardoelli - Revista Oeste