quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Premier de Israel estará na posse de Bolsonaro, confirma embaixador no Brasil

Premier de Israel, Benjamin Netanyahu, durante reunião do seu Gabinete em Jerusalém em outubro de 2018 Foto: AMIR COHEN / REUTERS
Premier de Israel, Benjamin Netanyahu, durante reunião do seu Gabinete em Jerusalém em outubro de 2018 Foto: AMIR COHEN / REUTERS

O embaixador de Israel no Brasil,   Yossi Shelley , disse ao GLOBO que o primeiro-ministro de seu país, Benjamin Netanyahu, estará na posse do presidente eleito, Jair Bolsonaro, no próximo dia 1º. Shelley afirmou que não serem verdadeiras notícias divulgadas pela imprensa de que Netanyahu ficaria no Brasil apenas para se reunir com Bolsonaro na sexta-feira no Rio de Janeiro.

— O primeiro-ministro estará na posse de Jair Bolsonaro — informou o embaixador.
A decisão, no entanto, indica que Netanyahu mudou de ideia. Mais cedo, o GLOBO apurara com fontes ligadas à diplomacia israelense que de fato houvera desistência do premier de comparecer à posse.
Segundo o embaixador israelense, além de Bolsonaro, Netanyahu terá conversas com os ministros do próximo governo, entre os quais os da Defesa (Fernando Azevedo e Silva) e das Relações Exteriores (Ernesto Araújo). Ele explicou que a ideia é montar uma "agenda completa para o futuro".
— Os dois países sempre tiveram boas relações, embora tenham ficado menos próximos nos últimos anos. Com o novo governo de Bolsonaro, sua declaração sobre a amizade e a importância de trazer tecnologias para o Brasil, surge uma nova época nas relações entre os dois países, que têm os mesmos valores democráticos e culturais — disse o embaixador.
Shelley destacou que Israel tem as respostas que o Brasil precisa para, entre outras coisas, acabar com a seca no Nordeste — através de um processo de dessalinização da água — e melhorar a segurança pública. Disse que os israelenses podem atender de forma objetiva as demandas do Brasil nestas áreas.
A ideia de fortalecer as relações entre Brasil e Israel foi sacramentada quando Bolsonaro declarou, assim que foi eleito, que iria transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém. Ao dizer isso, o presidente eleito causou preocupação entre os países árabes, que argumentam que Jerusalém não é reconhecida pela ONU como a capital israelense. Perguntado sobre a questão, Shelley afirmou:
— Não posso responder por eles [os países árabes].

Desistência por situação política

A desistência inicial de Netanyahu não comparecer à posse partira da avaliação de que o líder israelense não poderia ficar uma semana distante do seu país, em meio à abertura do processo eleitoral antecipado no país.
A decisão fora tomada na terça-feira, um dia depois de a coalizão de governo se reunir e resolver, de forma unânime, dissolver o Parlamento e convocar o pleito para abril. As eleições legislativas israelenses estavam previstas para novembro de 2019. Neste contexto, as eleições primárias do Likud, o partido de Netanyahu, ocorrem na primeira semana de fevereiro.
Levantamento de intenções de voto divulgado na terça-feira, o primeiro desde a dissolução da coalizão, estima vitória fácil de Netanyahu nas eleições de abril. Com o pleito, o premier tenta um novo mandato, que lhe permita governar de modo mais sólido, em meio às investigações. Publicada pelo jornal israelense Maariv, a pesquisa prevê que o Likud consiga 30 cadeiras no pleito — mesmo número obtido nas urnas em 2015 — e some maioria de assentos no bloco de direita do qual é líder.
O líder israelense havia inicialmente confirmado presença na posse de Bolsonaro em 29 de novembro. Foi a primeira — e uma das mais altas — autoridade internacional a aceitar o convite do governo eleito.
Até por ocorrer em 1º de janeiro, a posse de presidentes brasileiros não costuma contar com a presença de líderes internacionais. O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, representará Washington no evento. Os dois países integram a linha de frente da política externa do governo Bolsonaro, visto com hesitação por parte da comunidade internacional após anunciar mudanças em posturas tradicionais da diplomacia brasileira. A equipe de transição confirmou a intenção de transferir a embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém, a retirada do país do pacto global de migração da ONU e enunciou críticas ao Acordo de Paris sobre o clima.
Pelo Twitter, nesta terça-feira, Bolsonaro anunciou que o futuro ministro de Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, visitará Israel em janeiro para negociar parceiras na área.

Eliane Oliveira, O Globo