sexta-feira, 19 de maio de 2017

Rocha Loures: quem é o deputado no centro do furacão

Contas Abertas


Um nome, talvez até desconhecido da sociedade em geral, chama a atenção na trama revelada com a delação da JBS: o do deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR). O parlamentar foi filmado ao receber uma mala com R$ 500 mil. Loures que pegou o dinheiro foi indicado por Michel Temer como interlocutor para atender a pendências das empresas de Joesley Batista no governo. A Contas Abertas foi atrás de alguns dados sobre as campanhas, bens e gastos do deputado. Confira!
Campanhas
Rocha Loures é empresário e milionário. Números levantados pela Contas Abertas mostram que a campanha vencedora a deputado federal de 2006 somou doações de R$ 2,9 milhões. Do total do valor, quase 40% foi empregado com recursos próprios do deputado, isto é, R$ 1,1 milhão.
A empresa Nutrimental, da qual seu pai é fundador e onde Loures trabalhou como executivo no desenvolvimento do programa que deu origem à linha de cereais Nutry, destinou R$ 1,5 milhão para o então candidato Rocha Loures, cerca de 52% do valor total.
Já a campanha de 2014, contou com “apenas” R$ 241 mil em recursos do próprio Loures. Os valores também foram menores nas doações da Nutrimental, que destinou R$ 323,1 mil para a campanha de 2014. Ao todo, R$ 3 milhões foram empregados para o pleito. Cabe ressaltar, que, do total, R$ 206 mil vieram da conta de campanha do então candidato a vice-presidente Michel Temer. Não há no TSE registros sobre doações da JBS ou da J&F para o parlamentar.
Bens
Na candidatura de 2014, o homem de confiança de Temer declarou bens de R$ 1,2 milhão. No valor estavam incluídos R$ 245 mil em quotas da empresa Maxlife Ltda e R$ 20 mil em quotas da empresa Pescalmar Ltda. Loures ainda declarou R$ 639,9 mil em parte de imóvel, R$ 36,9 mil de um veículo Nissan Pathfinder de 1996, R$ 38 mil de um veículo Toyota de 2005 e R$ 197,9 mil de VW Touareg, veículo de 2014. O deputado também declarou ter R$ 10 mil em dinheiro em espécie.
Verba indenizatória
A Contas Abertas também levantou os gastos do deputado no primeiro mandato de deputado (2007 a 2011). A Câmara do Deputados, no entanto, só disponibiliza as despesas com a chamada “verba indenizatória” a partir de abril de 2009. Dessa forma, entre o primeiro mês de consulta e janeiro de 2011, Loures teve dispêndios de R$ 506,1 mil. A média é de R$ 23 mil mensais com a cota para atividade parlamentar.
No período total, a maior parcela de gasto foi com telefonia: R$ 132,2 mil. Outros R$ 123 mil foram destinados para a manutenção de escritório para atividade parlamentar no seu estado, o Paraná. Também estão entre os gastos R$ 88,6 mil com emissão de passagens aéreas, R$ 64,2 mil em combustíveis e lubrificantes e R$ 31,8 mil com divulgação de atividade parlamentar.
Os gastos do mandato atual de Loures ainda são muito pequenos, já que ele assumiu o cargo em março deste ano. O deputado era suplente do ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB-ES) e assumiu a cadeira um dia depois de Osmar ter sido empossado por Temer.
Assessor de Temer
De acordo com jornal Zero Hora, Rocha Loures caiu nas graças de Temer após concluir o primeiro mandato de deputado, em 2011. No ano anterior, ele havia concorrido a vice-governador do Paraná, mas foi derrotado na chapa encabeçada por Osmar Dias.
Sem mandato, foi nomeado chefe da Assessoria Parlamentar da Vice-Presidência da República. Mais tarde, seria transferido para gabinete da Secretaria de Relações Institucionais. Aos 44 anos, era um menino de recados. Recebia políticos e anotava pedidos, atuando como interlocutor do então vice-presidente para demandas do varejo político-partidário.
Afastamento
O Supremo Tribunal Federal (STF) pediu o afastamento do deputado Rocha Loures (PMDB-PR) do mandato. Rocha Loures foi citado pelo empresário Joesley Batista, que negocia delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. O deputado supostamente teria favorecido o grupo J&F, que controla o frigorífico JBS e outras empresas, a pedido do presidente da República, Michel Temer. Loures foi assessor especial de Temer de outubro de 2016 até março deste ano.
Retorno ao Brasil
Quando o conteúdo da delação dos donos da JBS foi divulgada, Loures estava em Nova York, nos Estados Unidos, acompanhando o evento Person of The Year (personalidade do ano), no qual o prefeito de São Paulo João Doria foi premiado. O deputado retornou ao Brasil na manhã de ontem (19). Ele desembarcou no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, às 7h35, uma hora depois de o avião pousar, às 6h25. No saguão do aeroporto, Loures foi chamado de "ladrão", "bandido" e algumas pessoas pediram "cadeia". Ele não quis gravar entrevista e apenas entrou em um táxi branco.


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