terça-feira, 23 de maio de 2017

Míriam Leitão: MPF e JBS voltam a tratar sobre leniência, e multa pode subir

Com O Globo e CBN


Procuradores e representantes da controladora da JBS voltaram ontem à mesa de negociação do acordo de leniência, que é uma espécie de delação premiada da pessoa jurídica. Recai sobre ela uma multa. Na sexta-feira à meia-noite quando a negociação foi suspensa, o MP estava exigindo R$ 11 bilhões e eles admitindo pagar apenas R$ 1,4 bi. O valor pedido pelo MP é 6% do faturamento da empresa em um ano e o equivalente a 12 meses de resultado operacional. Mas o que me informaram é que essa proposta do MP deve até subir porque a empresa pode ter cometido crime de uso de informação privilegiada para ganhar no mercado cambial e de ações.
Já está comprovado que houve movimentação anormal da empresa nesses dois mercados. A CVM abriu seis procedimentos de investigação. Mas em conversa com a Comissão fiquei sabendo que deve demorar de três meses a seis meses para sair o resultado. Em outros casos demorou mais, mas a CVM aumentou a agilidade dos processos.
O problema é que a punição hoje é muito branda. É o equivalente a três vezes o dano causado, ou R$ 500 mil reais. Na Casa Civil há um projeto proposto pela CVM para aumentar para R$ 500 milhões o limite, e que havia sido enviado anteriormente a esse caso.
O mercado já está castigando a empresa. As ações da JBS caíram 37% em três pregões. E a empresa já perdeu R$ 7,5 bilhões de valor de mercado e teve sua nota de crédito rebaixada.
O problema é o que o segundo maior perdedor com tudo isso é o BNDES que é dono de quase 25% do capital da empresa, uma decisão que foi tomada nos governos Lula e Dilma e que agora se mostra, mais uma vez, desastrosa.



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