domingo, 7 de maio de 2017

Macron vence 2º turno na França e pede união; e assume o Palácio do Eliseu na próxima semana

Andrei Netto - O Estado de S.Paulo

Ex-ministro da Economia de tendência social-liberal venceu a nacionalista Marine Le Pen com 65,8% dos votos



Foto: EFE/EPA/JULIEN DE ROSA
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Macron discursou para uma multidão na esplanada do museu do Louvre, em Paris

PARIS - Emmanuel Macron, 39 anos, foi eleito o novo presidente da França, barrando o avanço da onda populista que se propagou pelo Ocidente em 2016. O ex-ministro da Economia de tendência social-liberal venceu a nacionalista Marine Le Pen com 65,8% dos votos contra 34,2% da rival, e assumirá o Palácio do Eliseu na próxima semana. Em primeiro discurso solene, o novo chefe de Estado exortou os franceses à união nacional após a fragmentação eleitoral. Mas sua missão não será simples, diante do recorde de votos do partido de extrema direita Frente Nacional (FN) e da oposição de partidos de esquerda, que já convocam protestos.
A vitória de Macron significa uma página virada na vida política da França, porque encerra 36 anos de bipartidarismo no País. Presidente mais jovem da história, superando Louis-Napoléon Bonaparte, eleito aos 40 anos em 1848, o ex-ministro coloca pela primeira vez desde os anos 1970 um líder de legenda independente no topo do Estado - o último havia sido Valery Giscard D'Estaing, também ex-ministro de Finanças.



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Macron é eleito presidente da França, segundo pesquisas
Vencedor do primeiro turno, com 23,9% dos votos, Macron contou com o apoio de quase todos os maiores partidos políticos da França em sua disputa contra Marine Le Pen, cujo melhor apoio foi o do sexto lugar da eleição. Mas, ao contrário de 2002, quando o xenófobo antissemita Jean-Marie Le Pen foi ao segundo turno contra o gaulista Jacques Chirac, a " Frente Republicana " - união de partidos de direita e de esquerda contra a extrema direita - demonstrou suas fissuras. O escore de Macron, com seus 20 milhões de votos, foi 16% menor do que o de Chirac há 15 anos.
Ciente de que vai governar um país dividido em quatro tendências políticas, todos com cerca de 20% dos votos, Macron fez um pronunciamento solene em frente à pirâmide do Louvre, onde apelou pela unidade do País. Dirigindo-se aos eleitores de outros partidos, o presidente eleito afirmou que " lutará contra a divisão que nos mina e nos abate ": " Eu não os esquecerei. Colocarei todo o meu cuidado para ser digno de sua confiança ". O novo chefe de Estado indicou qual será sua prioridade no início do mandato: a reforma política, que pressupõe medidas anticorrupção e de moralização, como o fim do nepotismo, e a redução do número de parlamentares. " A renovação da vida política se imporá desde amanhã, com a moralização da vida pública, a vitalidade democrática será desde o primeiro dia o coração de nossa nação ", afirmou.

Emmanuel Macron vence e é o novo presidente da França


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Macron mencionou a luta contra o terrorismo como outra de suas prioridades, que incluem ainda as reformas econômicas e a reforma da União Europeia. " Eu defenderei a França, seus interesses vitais e sua imagem ", ressaltou, mantendo seu discurso pró-Europa e pró-globalização. " Eu defenderei a Europa, porque sua civilização está em jogo. Eu trabalharei para restabelecer os vínculos entre a Europa e os cidadãos.
Marine Le Pen fez minutos antes um pronunciamento a seus correligionários em um restaurante na região metropolitana de Paris. Longe da multidão, a nacionalista evitou desferir ataques ao rival e anunciou a reforma do partido de extrema direita Frente Nacional, mesmo que a legenda tenha obtido um recorde histórico, com cerca de 10,6 milhões de votos. " Através deste resultado histórico, os franceses fizeram da aliança de patriotas a primeira força e oposição ", reivindicou a nacionalista.
Até o início de 2018, a FN, partido fundado pelo empresário xenofóbico e antissemita Jean-Marie Le Pen, pai de Marine, deverá mudar de nome, refundar seu programa - até mesmo abandonando bandeiras históricas, como a ruptura com a União Europeia e o fim da zona do euro. Além disso, uma estratégia de alianças será colocada em prática, já que isolado o partido fracassa a cada tentativa de chegar ao poder. " Eu proporei uma transformação profunda em nosso movimento a fim de constituir uma nova força política que muitos franceses desejam ", disse Marine Le Pen.
No plano internacional, a vitória de Emmanuel Macron foi saudada também como a vitória da União Europeia. Durante sua campanha, o novo presidente não hesitou em portar a bandeira azul estrelada do bloco, contrastando com Marine Le Pen. Sem surpresas, o resultado na eleição da França foi comemorado em outras capitais, que celebraram o voto dos franceses a um candidato pró-Europa, barrando a onda populista que resultou em 2016 no Brexit, no Reino Unido, e na eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos. Via seu porta-voz, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, saudou a vitória de Macron, a quem havia manifestado apoio. " Sua vitória é uma vitória para uma Europa forte e unida e para a amizade franco-alemã ", afirmou.

Macron e sua esposa, Brigitte, celebram vitória  - Christian Hartmann/Reuters
Nos Estados Unidos, parceiro histórico da Europa Ocidental, o presidente Donald Trump, que havia demonstrado simpatia por Marine Le Pen, saudou a vitória do novo presidente francês. " Congratulações a Emmanuel Macron por sua ampla vitória hoje ", disse ele. " Estou ansioso para trabalhar com ele". 

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