sábado, 6 de maio de 2017

A nova tormenta do PT


'Manifestantes' do PT e defensores do governo Dilma Rousseff, em frente ao Planalto, quando Lula tomaria posse como ministro da Casa Civil - Michel Filho / O Globo


Paulo Celso Pereira - O Globo



Até semanas atrás, parlamentares petistas comemoravam o fato de a delação da Odebrecht ter atingido em cheio seus principais adversários e ter revelado que o caixa 2 e a corrupção eram disseminados entre políticos de quase todos os partidos. O depoimento do ex-diretor da Petrobras Renato Duque, no entanto, coroa um novo período de inferno astral do PT que começou quando o publicitário João Santana firmou sua delação, há cerca de um mês.

Preso desde março de 2015, Duque vem tentando fechar um acordo de delação premiada e decidiu pedir uma audiência com o juiz Sergio Moro para demonstrar seu poder de fogo. 

Conseguiu. Após Santana informar à Justiça que os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff tinham conhecimento do uso de caixa 2 em suas campanhas, agora Duque afirma que o ex-presidente também sabia detalhes do esquema de corrupção. E ainda teria tentado convencê-lo a extinguir contas de corrupção no exterior.

Embora suas acusações sejam difíceis de ser provadas de forma cabal, pois envolvem reuniões privadas que precisariam ter sido gravadas, elas vêm do homem escolhido pelo ex-ministro José Dirceu para comandar a diretoria de Serviços da Petrobras e lá permitir que o partido fizesse milionárias arrecadações enquanto estivesse à frente do Planalto.

Nas próximas semanas, a situação, que já é delicada, pode piorar. Isso depende de o ex-ministro Antonio Palocci cumprir a promessa feita ao juiz Sergio Moro de ajudar as investigações revelando “fatos, com nomes, endereços, operações realizadas”.

Todas as pesquisas deixam claro que Lula detém hoje a fidelidade eleitoral de cerca de 30% dos brasileiros. É improvável que ele perca o posto de líder da disputa presidencial até o início de 2018. O que esses depoimentos agora minam, no entanto, são suas chances de vencer em um eventual segundo turno um adversário sem rejeição massiva. Isso, é claro, se chegar lá solto e elegível.

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