quarta-feira, 17 de maio de 2017

"2016, o ano em que o Brasil foi para o fundo do poço", por Clóvis Rossi

Folha de São Paulo


O ano de 2016 foi tão horrível para o Brasil que o país foi o quarto a ficar mais frágil entre os 178 países que figuram no Índice de Fragilidade dos Estados, elaborado anualmente pelo Fundo para a Paz.

Conseguiu a extraordinária –e desgraçada proeza– de ficar mais frágil do que a falida Venezuela, tragédia só amenizada pelo fato de que o ponto de partida do Brasil era incomparavelmente superior ao do vizinho ao Norte, em processo já mais antigo e mais avançado de fragilização.

Pedro Ladeira - 23.ago.2016/Folhapress
BRASILIA, DF, BRASIL, 23-08-2016, 12h00: Muro de metal é armado no centro da esplanada dos ministérios para dividir manifestantes contrários e favoráveis ao impeachment. Com o início da votação marcado para esta quinta (25), o muro foi armado da mesma forma que na primeira votação do impeachment, na câmara dos deputados. Com cerca de 2metros de altura e 1km de extensão ao longo da esplanada, partindo do congresso nacional, o muro faz parte do esquema de segurança visando dividir grupos antagônicos e evitar possíveis confrontos. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
Grade que separou manifestantes em Brasília em 2016; impeachment levou a queda do país em índice


O Brasil terminou 2016 em 110º lugar entre 178 países, mas, atenção, não quer dizer que há 109 países menos frágeis. A colocação, nesse ranking específico, é ao contrário: o primeiro lugar (Finlândia) é o mais forte ou menos frágil.

Portanto, o Brasil é menos frágil do que 109 países ou, posto de outra forma, fica mais ou menos no terço superior da força.

O Fundo para a Paz mede desde 2005 a estabilidade de 178 países, combinando três tipos de informação: primeiro, seus pesquisadores mergulham em de 40 milhões a 50 milhões de artigos de 10 mil fontes (sempre em inglês), para procurar indícios de fragilidade, de avalanches à pessoas deslocadas de suas residências.

Depois, usam dados quantitativos tradicionais de organizações como o FMI e o Branco Mundial.

Por fim, peritos checam os resultados para ver se o placar de cada país está de acordo com as expectativas.

No total, 100 diferentes medições são fundidas em 12 indicadores de fragilidade, entre eles a qualidade dos serviços públicos.

O Brasil ficou no placar final com 68,2 pontos em 120 possíveis (quando menos pontos, menos fraco é o país).

Para comparação: a primeira colocada (Finlândia) registrou 18,7 pontos e, o último (Sudão do Sul), marcou 113,9.

Ou seja, a pontuação brasileira fica praticamente no meio do caminho entre o melhor e o pior.

Uma segunda comparação, talvez mais adequada: o menos frágil dos países latino-americanos (Uruguai) ficou com 36,8 pontos.

Os motivos do declínio brasileiro são bastante conhecidos e assim resumidos por George Lehner, o analista do país no índice: "O Brasil mostrou significativo declínio no Índice de

Fragilidade dos Estados, tornando-se o quarto pais que mais piorou em 2016, em grande parte como resultado de uma recessão devastadora, de contínuo desdobramento de investigação sobre disseminada corrupção e o impeachment de sua presidente".

Natural, portanto, que o Brasil piorasse seu "score" total em 2,9 pontos, na comparação com o ano anterior.

O mau desempenho brasileiro fica ainda mais chocante quando se verifica que, no geral, o mundo não ficou mais instável do que no ano anterior, apesar de todos os agudos problemas que ocuparam as manchetes ao longo de 2016.

Mas houve outro país continental que piorou bastante: os Estados Unidos, que ganharam 1,6 ponto em fragilidade, devido "à polarizada eleição presidencial", segundo o relatório do Fundo. Estão no 158º lugar, lembrando sempre que quando mais alta a colocação, menos frágil é o país.

O ranking está no sítio fundforpeace.org

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