O Globo
- Nós, sofridos torcedores, temos que engolir esses repetidos vexames, coroados com estrondosas vaias
Ei, Eduardo Húngaro, competente técnico do Botafogo, você repete nas entrevistas que “planejamento é planejamento”, que a coisa foi decidida pela comissão técnica no início do ano, pois, de outro modo, não avançamos na tabela da Libertadores, e o bicampeonato carioca, bem, a gente vai levando aos trancos e barrancos... Ou seja, se rolar, tudo bem, se não, Boas Festas: “Nosso planejamento não depende de resultados” (você falou, hein?!).
Assim, nós, sofridos torcedores do Botafogo, temos que engolir (sim, Zagallo não deixaria por menos...) esses repetidos vexames, coroados com estrondosas vaias — queima de bandeiras e rasgação de dinheiro — ao treinador e aos pobres jogadores e reservas dos reservas (tem gente ali, recém-chegada, boa de bola, mas que ainda não saiu do cueiro para entender a mística da Estrela Solitária!).
É inelutável, os reservas ganharam aquele jogão contra o Fluminense, com os “meninos” dando até olé, enquanto os titulares, literalmente, de pernas pro ar, ficavam em casa admirando-os pela TV, sim, mesmo que um e outro atleta demonstrasse o desejo de estar no gramado com eles. A vitória lavou a alma de todos e todos fingiram que as derrotas até então eram passado. Não foi bem assim.
Bastou essa antológica goleada para que, de uma hora pra outra, os reservas deixassem de ser reservas e os titulares, ora direis, reservas de luxo. Deu no que deu. Nos times europeus, o maior pavor de um jogador é ficar no “banco”, já que dali só sai aposentado, ou morto, feito prisão perpétua... Lá, uma vez titulares, jogam até de muleta se for o caso...
Atuam simultaneamente no campeonato nacional e em competições internacionais, cujos títulos valem milhões de euros a eles e aos clubes, quando estes não cedem os craques para as seleções de seus países. Ninguém sai do time principal e ninguém entra assim, sem mais nem menos, porque está cansado, estressado ou deprimido por ter sido xingado (que horror!). Ficcionando, o cenário seria este: contra o Chelsea jogam os titulares, para disputar a Champions League ou a Uefa League, escalamos um “misto quente” com os garotos da base, do sub 20, do sub 17. Ah! para a seleção, vai quem estiver a fim...
Caro técnico Eduardo Húngaro, olha aí, sou torcedor do Botafogo antes de você ter nascido. Claro, isso não é título, eu sei. Você dirá que eu também não era nascido quando vencemos o Campeonato Carioca de 1910, data cantada e imortalizada pelo genial Lamartine Babo! Mas, homem, você está atirando o bicampeonato carioca pela janela. Cheguei a escrever “pro lixo” (tá na moda!), mas achei que era forte demais. Perdi pra mim mesmo... Com seu apego pétreo e patético ao dito planejamento, você está desfazendo, na maior caradura, de todos nós, da nossa inoxidável paixão, acreditando em utopia e fechando os olhos para a realidade.
Dos torcedores mirins — da grande e fiel torcida (nem tanto, ainda contra o Audax só alguns solitários corações alvinegros estavam em Moça Bonita!) — aos velhinhos botafoguenses como eu (“Tu és o Glorioso/Não podes perder”), para o qual comecei a torcer campeão carioca de 1948, quando o time era formado por Oswaldo, Gerson e (Nilton) Santos, yes, a Enciclopédia, todos queremos ver o Botafogo titular no jogo contra o Flamengo!
Se entendi bem, empatamos com o audacioso Audax a bordo da virtual “seleção” Botafogo e, amanhã, quando poderíamos conquistar os pontinhos que talvez nos alçassem ao G4, opta-se pelos valentes reservas, o time B, para o clássico com o Flamengo, nosso algoz dos últimos anos. Óbvio, não tem coisa melhor do que ganhar o campeonato em cima do Flamengo, já curtimos essas inúmeras vezes, o gozo é infinitesimal! Mas embute outro lado da moeda, mui triste e atual: tem pequeno botafoguense pensando que jogar contra o Flamengo é uma espécie de Brasil x Uruguai do Maracanazo, pois, vira e mexe, acabamos derrotados, seja porque os rubro-negros foram sortudos ou porque o espírito do Manga não baixou, seja a bandeirinha da ”Playboy” que nos ferrou, ou porque tem coisas que só acontecem ao Botafogo mesmo...
Algum preparador físico brasileiro ou estrangeiro poderia explicar a mim e aos milhões de botafoguenses espalhados pelo país (inaugurei-me Botafogo morando na Paraty paranaense, que é a linda cidade de Antonina, na imensa Baía de Paranaguá) por que cargas d’água um atleta que pratica exercícios diariamente, treina com e sem bola, é massageado, tem departamento médico à disposição, descansa os músculos e a cabeça, tem alimentação balanceada, além de belos salários, não pode jogar com um intervalo de três/quatro dias? Sem querer forçar a barra, a gente se machuca em casa até com preparo físico...
Leigo no assunto, mas em pânico diante da iminência de ficarmos alijados das finais do campeonato, órfão por antecipação do bi, endereço candente apelo ao presidente Maurício Assumpção, ao técnico Húngaro, e ao talentoso elenco principal e aos não menos safos reservas “titulares”, a que pensem grande e alto (à altura de Quito, por supuesto!), mas, antes que tudo, homenageiem o torcedor puro-sangue, superando-se dentro e fora das quatro linhas, mental e fisicamente, para atuar neste domingo como se não existisse nenhuma próxima quarta-feira!
Assim, nós, sofridos torcedores do Botafogo, temos que engolir (sim, Zagallo não deixaria por menos...) esses repetidos vexames, coroados com estrondosas vaias — queima de bandeiras e rasgação de dinheiro — ao treinador e aos pobres jogadores e reservas dos reservas (tem gente ali, recém-chegada, boa de bola, mas que ainda não saiu do cueiro para entender a mística da Estrela Solitária!).
É inelutável, os reservas ganharam aquele jogão contra o Fluminense, com os “meninos” dando até olé, enquanto os titulares, literalmente, de pernas pro ar, ficavam em casa admirando-os pela TV, sim, mesmo que um e outro atleta demonstrasse o desejo de estar no gramado com eles. A vitória lavou a alma de todos e todos fingiram que as derrotas até então eram passado. Não foi bem assim.
Bastou essa antológica goleada para que, de uma hora pra outra, os reservas deixassem de ser reservas e os titulares, ora direis, reservas de luxo. Deu no que deu. Nos times europeus, o maior pavor de um jogador é ficar no “banco”, já que dali só sai aposentado, ou morto, feito prisão perpétua... Lá, uma vez titulares, jogam até de muleta se for o caso...
Atuam simultaneamente no campeonato nacional e em competições internacionais, cujos títulos valem milhões de euros a eles e aos clubes, quando estes não cedem os craques para as seleções de seus países. Ninguém sai do time principal e ninguém entra assim, sem mais nem menos, porque está cansado, estressado ou deprimido por ter sido xingado (que horror!). Ficcionando, o cenário seria este: contra o Chelsea jogam os titulares, para disputar a Champions League ou a Uefa League, escalamos um “misto quente” com os garotos da base, do sub 20, do sub 17. Ah! para a seleção, vai quem estiver a fim...
Caro técnico Eduardo Húngaro, olha aí, sou torcedor do Botafogo antes de você ter nascido. Claro, isso não é título, eu sei. Você dirá que eu também não era nascido quando vencemos o Campeonato Carioca de 1910, data cantada e imortalizada pelo genial Lamartine Babo! Mas, homem, você está atirando o bicampeonato carioca pela janela. Cheguei a escrever “pro lixo” (tá na moda!), mas achei que era forte demais. Perdi pra mim mesmo... Com seu apego pétreo e patético ao dito planejamento, você está desfazendo, na maior caradura, de todos nós, da nossa inoxidável paixão, acreditando em utopia e fechando os olhos para a realidade.
Dos torcedores mirins — da grande e fiel torcida (nem tanto, ainda contra o Audax só alguns solitários corações alvinegros estavam em Moça Bonita!) — aos velhinhos botafoguenses como eu (“Tu és o Glorioso/Não podes perder”), para o qual comecei a torcer campeão carioca de 1948, quando o time era formado por Oswaldo, Gerson e (Nilton) Santos, yes, a Enciclopédia, todos queremos ver o Botafogo titular no jogo contra o Flamengo!
Se entendi bem, empatamos com o audacioso Audax a bordo da virtual “seleção” Botafogo e, amanhã, quando poderíamos conquistar os pontinhos que talvez nos alçassem ao G4, opta-se pelos valentes reservas, o time B, para o clássico com o Flamengo, nosso algoz dos últimos anos. Óbvio, não tem coisa melhor do que ganhar o campeonato em cima do Flamengo, já curtimos essas inúmeras vezes, o gozo é infinitesimal! Mas embute outro lado da moeda, mui triste e atual: tem pequeno botafoguense pensando que jogar contra o Flamengo é uma espécie de Brasil x Uruguai do Maracanazo, pois, vira e mexe, acabamos derrotados, seja porque os rubro-negros foram sortudos ou porque o espírito do Manga não baixou, seja a bandeirinha da ”Playboy” que nos ferrou, ou porque tem coisas que só acontecem ao Botafogo mesmo...
Algum preparador físico brasileiro ou estrangeiro poderia explicar a mim e aos milhões de botafoguenses espalhados pelo país (inaugurei-me Botafogo morando na Paraty paranaense, que é a linda cidade de Antonina, na imensa Baía de Paranaguá) por que cargas d’água um atleta que pratica exercícios diariamente, treina com e sem bola, é massageado, tem departamento médico à disposição, descansa os músculos e a cabeça, tem alimentação balanceada, além de belos salários, não pode jogar com um intervalo de três/quatro dias? Sem querer forçar a barra, a gente se machuca em casa até com preparo físico...
Leigo no assunto, mas em pânico diante da iminência de ficarmos alijados das finais do campeonato, órfão por antecipação do bi, endereço candente apelo ao presidente Maurício Assumpção, ao técnico Húngaro, e ao talentoso elenco principal e aos não menos safos reservas “titulares”, a que pensem grande e alto (à altura de Quito, por supuesto!), mas, antes que tudo, homenageiem o torcedor puro-sangue, superando-se dentro e fora das quatro linhas, mental e fisicamente, para atuar neste domingo como se não existisse nenhuma próxima quarta-feira!