sexta-feira, 30 de outubro de 2026

O Brasil na encruzilhada

Uma reeleição inexplicada. Um surto frenético de perseguições. Instituições capturadas pelo regime, com exceção das Forças Armadas. Por enquanto  





D e onde Lula tirou 10 milhões de eleitores em três semanas? Como e de onde surgiu a montanha mágica de votos que transformou uma derrota por 2,2 milhões de votos no primeiro turno em uma vantagem de 4,4 milhões no segundo? O que explica o fenômeno da multiplicação de votos em favor de um presidente dado como provável perdedor por quase todos os institutos de pesquisa? É crível que 70% dos eleitores de Cury, Caiado, Renan e Zema tenham resolvido contrariar seus líderes para votar em Lula? Há outras, muitas outras perguntas que não têm e provavelmente não terão resposta — lembremos que o Brasil é um caso único no mundo, junto com o Butão, em que o voto digital não deixa rastro físico e, portanto, o sistema não pode ser auditado de forma independente. 

Mas, se não há provas de fraude, sobram evidências de desonestidade — e elas abundam, como se pode ver no quadro que ilustra este artigo. A milícia digital que André Janones (veja texto nesta edição) criou para espalhar mentiras e deturpações contra a campanha de Flávio prosperou ante a complacência de ministros do TSE e do STF que prestam vassalagem a Lula. Artistas e acadêmicos engrossaram, sem pudor, o vale-tudo para infundir medo na população. Aposentadorias, SUS, Bolsa Família — tudo estaria em risco se Lula perdesse a eleição. A democracia acabaria no país. E muitas outras falácias. Um vídeo da antropóloga Lilia Schwarcz, da USP, se tornou viral. Sorridente e com um tom de voz infantilizado, Lilia disse que se Flávio vencesse, acabaria com o Pix “a mando de Trump”. Desmoralizou-se, a si e à academia.


liliaschwarcz Aproveitem o Pix enquanto é tempo! “papai Trump do Eduardo Bolsonaro, já avisou muitas vezes que vai acabar com o Pix. Não sabia? vai lá ouvir. O presidente dos EUA defendeu seus cartões de crédito e já s pronunciou muitas vezes contra o PIX. Por sinal. Viva a nossa soberania


O “jornalismo profissional” também entrou em campo. Uma jornalista do Valor Econômico resolveu falar sobre um assunto que não domina e proferiu, na GloboNews, um comentário que deu origem a uma boataria nas redes vinculando evangélicos apoiadores de Flávio a um projeto “para tirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil”. Além de fake, a informação não fazia o menor sentido. Nossa Senhora é padroeira por concessão do Papa Pio XI, não do governo brasileiro. 


Poder360 @Poder360 · Seguir #Vídeo Globonews fala que Flávio mudaria padroeira do Brasil, faz correções e pede desculpas História viralizou nas redes sociais; candidato a presidente disse que história é mentira inventada pelo PT e que respeita "todas as religiões e também quem não tem religião". Mostrar mais Assista no X 10:27 AM · 25 de set de 2026 1 mil Responder Copiar link para o pos


Nenhuma novidade, porém, na falta de escrúpulos do PT para transformar qualquer adversário em um espantalho. Dilma Rousseff prometeu em 2014 “fazer o diabo” para se reeleger, e a vítima daquela vez não foi um Bolsonaro, e sim a também esquerdista Marina Silva, metralhada no primeiro turno com a insinuação de que tiraria o prato de comida dos pobres. 

A tática de mentir sobre o fim do Bolsa Família vem de longe. Inédita foi a rajada de promessas eleitoreiras que o governo disparou à medida que a corrida eleitoral chegava a seu momento culminante e as intenções de voto atribuídas a Lula pelos institutos de pesquisa patinavam em patamares muito abaixo dos 50%. Benesses como perdão de dívidas, distribuição de canetas emagrecedoras, transporte público de graça nos fins de semana, reajuste do valor do Bolsa Família e até mesmo a oferta indecorosa de uma doação de R$ 5 mil na conta de microempreendedores escancararam a mais descarada compra de votos de que se tem notícia. 

O PL está pedindo, por essas e várias outras razões, a cassação da chapa Lula-Alckmin. Pela legislação eleitoral, a chance de êxito desta ação seria de 100%. Mas o julgamento caberá aos ministros do Tribunal Superior Eleitoral, a grande maioria dos quais indicados por Lula. Portanto, chance zero. Como demonstrou André Janones, o líder safo do “Exército do Lula” no WhatsApp, o código eleitoral só é aplicável, com rigor e até elasticidade, a adversários do PT.


E se o TSE não funcionar direitinho no melhor interesse do padroeiro Lula, sempre haverá o STF para intervir just in time, como ficou muito claro com a intempestiva e ilegal decisão tomada por Cristiano Zanin de mandar reabrir as urnas após as 17h, suspendendo por duas horas o início do processo de apuração e divulgação dos resultados. 

Tudo naquela medida era um escândalo: a alteração abrupta das regras definidas em lei; a comunicação extemporânea, após o horário de encerramento das seções eleitorais; e o fato de ter sido tomada por um ministro que foi o advogado criminal responsável por tirar Lula da cadeia e torná-lo elegível. 

Zanin deve ao presidente a cadeira que ganhou no STF, e tem demonstrado ser grato. A manobra chamou a atenção de Donald Trump, que pôs em suspeição a integridade da eleição presidencial brasileira e autorizou uma operação para retirar Flávio Bolsonaro do território brasileiro e livrá-lo do cerco de outro ministro do STF. 
Minutos após a confirmação matemática da reeleição de Lula, a Polícia Federal pediu e Moraes, sem ouvir o Ministério Público, determinou de imediato o confisco do passaporte de Flávio e o proibiu de deixar o país. Bem que Lula havia avisado, no debate da Band: “Você acha que já ganhou as eleições? 

Você se prepare, que dia 25 você vai perder imunidade e você vai ter problema, porque a sua vida tem muito inquérito, que agora vai andar”. Em operação cercada de sigilo, Flávio chegou aos Estados Unidos na manhã da quarta-feira (28) e divulgou uma carta denunciando o regime brasileiro. A grande mídia destilou sua tradicional parcialidade, reduzindo o manifesto, de grande repercussão nos Estados Unidos, a uma “carta de teor golpista” e empregando o termo “fuga” para o ato de desespero de Flávio e seus familiares. 
Com o distanciamento de quem não perdeu os referenciais básicos de um Estado de Direito, e não lambe um regime em troca de verbas publicitárias, o Wall Street Journal apresentou os fatos como os fatos são: “Lula disse num debate de campanha que, assim que Bolsonaro perdesse a imunidade parlamentar, ele enfrentaria todo tipo de investigações. Lula escolheu o homem e prometeu encontrar o crime”. O texto leva a assinatura do Conselho Editorial do WSJ.


O atropelo de Zanin trouxe à memória da desconfiada oposição brasileira episódio semelhante ocorrido na Venezuela em 2015, quando o regime de Nicolás Maduro, hoje preso nos Estados Unidos, estendeu de última hora o período de votação para as eleições parlamentares. Lá, a extensão do horário foi de uma hora. Mas a oposição ganhou mesmo assim e fez maioria no Congresso venezuelano. 

Se o paralelo com a Venezuela lhe causa arrepios, as linhas seguintes serão mais tensas. Em dezembro de 2015, Maduro tinha um problema: estava em minoria no parlamento. Assim como Lula está agora: em 4 de outubro de 2026, o Brasil elegeu um Senado majoritariamente de oposição ao presidente reeleito. Mas, em dezembro de 2015, 

Maduro também tinha um trunfo: depois de 15 anos de chavismo no poder, a Suprema Corte venezuelana estava infestada de… chavistas. Lula tem cacife idêntico: ele, o PT e aliados podem contar com pelo menos oito dos 11 votos do plenário do Supremo Tribunal Federal, hoje mais assemelhado a um Departamento Jurídico do partido que está prestes a completar 20 anos no poder.

O que fez Maduro para sufocar um parlamento que lhe era hostil? Instruiu seus lacaios no tribunal superior a cassar mandatos de congressistas. Como a truculência não foi suficiente, os juízes próMaduro invocaram o nobre objetivo de “proteger o Estado de Direito e a democracia” e assumiram formalmente funções legislativas. O mundo prestou atenção naquela usurpação. Ficou chato para os bolivarianos. Era uma afronta pornográfica à Constituição venezuelana e ao princípio da separação de Poderes. Nenhum problema para um ditador sem escrúpulos. Maduro e seus comparsas do Tribunal Supremo de Justícia montaram uma assembleia nacional constituinte à margem do congresso oposicionista e deram um molde jurídico-político para o pleno exercício da ditadura. 

Se Lula tem o Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal nas mãos, o que o impede de castrar seus opositores no Senado, que detêm 48 das 81 cadeiras? Seu partido, pela voz do deputado Jilmar Tatto, já anunciou um festival de prisões contra bolsonaristas. O PT, no Paraná, extravasou sua euforia com a perseguição a Flávio Bolsonaro e quer mais: anunciou que Deltan Dallagnol “será o próximo”. O STF está pronto para cumprir a missão.

Dallagnol é um dos 30 senadores eleitos com base na promessa de defender o impeachment de ministros do STF, a começar pelo de Moraes — que ainda não deu nem dará explicação plausível para um contrato de R$ 131 milhões que o escritório jurídico de sua família firmou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, hoje preso por suspeita de causar um rombo de quase R$ 50 bilhões no sistema financeiro.


31 likes spctvbrasil O deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP) afirmou, nesta terça-feira (27), na tribuna da Câmara, ter informações da Polícia Federal sobre novas prisões de apoiadores de Jair Bolsonaro. “Vai prender muito bolsonarista”, declarou. O parlamentar também criticou a prisão domiciliar do ex-presidente e defendeu seu retorno ao sistema prisional, questionando as condições em que ele cumpre a medida.

O vídeo do discurso foi publicado pela deputada Caroline de Toni (PL-SC), que questionou como Tatto teria acesso às informações e quem as teria repassado. 🖥️📡 SPCTV | Sistema Paraibano de Comunicação e Televisão 🔹 Veja mais em spctv.com.br 🔹 Siga nosso perfil @spctvbrasil e acompanhe nossos conteúdos em todas as plataformas digitais. 🔄 Republique nosso conteúdo View all 29 comments Add a comment..


588 likes ploxbrasil Pedro Rousseff pede à PGR apreensão do passaporte de Nikolas Ferreira 🔗 Comente LINK para receber o link da matéria no Direct. 🚨 Pedido na PGR e troca de farpas nas redes: Pedro Rousseff (PT-MG) disse ter apresentado uma representação pedindo a apreensão do passaporte do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). 📌 O que motivou o pedido Segundo Pedro Rousseff, haveria risco de Nikolas deixar o Brasil para evitar responder a processos. 📰 Confira os detalhes na matéria completa. #politica #brasil #congresso View all 838 comments


O Brasil caminha para ser, digamos, uma Venezuela do Sul? Há alguma instituição que Lula e o regime STF-PT ainda precisem conquistar para blindar-se de qualquer foco de resistência? Há, sim. As Forças Armadas. Ainda que Tomás Ribeiro Paiva, o comandante do Exército escolhido por Lula, seja muito próximo de Alexandre de Moraes, não se pode dizer que a base militar tenha sido cooptada pelo petismo. Não ainda. E não da forma como ocorreu na Venezuela. 

Lá, Chávez e Maduro expurgaram militares considerados não confiáveis pelo Partido Socialista Unido de Venezuela. Na via inversa, promoveram oficiais leais ao partido e ao regime, e não prioritariamente à defesa do Estado. A Força Armada Nacional Bolivariana se consolidou como instrumento de sustentação política da “revolução socialista”. Generais empanturrados de privilégios e sinecuras garantiram a manutenção sangrenta do regime de Maduro. Atuaram, ao lado de milícias bolivarianas armadas, para reprimir manifestações estudantis por liberdade e protestos populares contra a escalada da inflação e da miséria, em 2014 e principalmente a partir de 2017. 

No Brasil, José Dirceu, ideólogo do lulopetismo, não esconde sua frustração com a hesitação dos governos do PT em levar adiante uma “reforma” nas Forças Armadas. Um capítulo importante da proposta que Dirceu levou ao 8º Congresso do PT, em abril deste ano, envolve mudança no currículo das academias militares e maior “controle civil”, isto é, do presidente da República, sobre promoções. “A cada geração”, disse José Dirceu em 2024, “eles [os militares] são educados de uma forma conservadora, reacionária, como se fossem os representantes da nação que vão restaurar a moralidade e o interesse nacional”



José Dirceu | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil


Preocupado em reeleger Lula, o PT preferiu deixar este tema fora da campanha eleitoral, mas não o descartou. No primeiro semestre de 2027, por ocasião do próximo congresso petista, a proposta deve ser reexaminada. Será preciso acompanhar com muita atenção. As Forças Armadas são a única instituição brasileira que ainda não está capturada pelo PT. Por enquanto.

EUGÊNIO ESBER - Revista Oeste