quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Polícia Federal cancela depoimento de Zettel 'por problemas de internet'

 Cunhado de Vorcaro seria ouvido nesta quarta-feira, 21, por videoconferência



Fabiano Campos Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro | Foto: Reprodução/Instagram/@fabiano.zettel


A Polícia Federal (PF) cancelou o depoimento do empresário Fabiano Zettel, cunhado do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que estava previsto para esta quarta-feira, 21.

Os delegados responsáveis pelo interrogatório alegaram problemas na conexão de internet da Penitenciária II de Potim, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, onde o empresário está preso preventivamente.

Zettel seria ouvido por videoconferência, às 14h, pelos investigadores responsáveis pelas apurações relacionadas ao escândalo do Banco Master. O empresário está preso desde março de 2026 e é apontado pela PF como um dos operadores financeiros ligados a Vorcaro. 

A realização do depoimento havia sido comunicada ao Supremo Tribunal Federal (STF). 

Em 15 de outubro, a direção da Penitenciária II de Potim encaminhou um ofício informando o recebimento da solicitação da PF. O pedido partiu da Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores da Polícia Federal, por determinação do delegado Diego Bruno Dias do Nascimento. O procedimento dependia de autorização do ministro André Mendonça, relator do caso no STF. 

A intimação previa que, por envolver um investigado preso, o depoimento não poderia ser remarcado, salvo em situações excepcionais devidamente comprovadas. Até o momento, não há confirmação de uma nova data para o interrogatório


Falha de internet também adiou depoimento de Vorcaro 

Em 27 de agosto, o depoimento de Vorcaro também precisou ser adiado depois que problemas na conexão de internet prejudicaram a transmissão por videoconferência no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. 

Na ocasião, a defesa do ex-banqueiro afirmou que Vorcaro estava à disposição dos investigadores, mas que a instabilidade da conexão havia impedido a realização do procedimento. O depoimento acabou sendo remarcado. 

O papel de Zettel na investigação Zettel aparece nas investigações da PF como um dos principais responsáveis pela movimentação de recursos financeiros ligados ao exdono do Master.

 Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações de R$ 99,2 milhões em contas vinculadas a Zettel de junho de 2021 a janeiro de 2022. Foram R$ 49,9 milhões em créditos e R$ 49,3 milhões em débitos. 

O volume movimentado chamou a atenção dos órgãos de controle pela incompatibilidade com a renda mensal declarada pelo empresário, de R$ 66 mil. Os investigadores também examinam a participação de Zettel em negociações envolvendo pessoas que ocupavam posições estratégicas no sistema financeiro.

Uma delas diz respeito a um imóvel rural avaliado em R$ 4,8 milhões, pertencente a Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor do Banco Central, e a seu irmão, Luis Roberto. Documentos divulgados pelo STF em setembro mostram que Vorcaro participou das tratativas e que Zettel encaminhou a minuta do contrato. 

A operação passou a ser examinada pela PF como parte das suspeitas sobre as relações mantidas pelo banqueiro com integrantes da autoridade monetária.

Outro documento encontrado no celular de Zettel também chamou a atenção dos investigadores. Trata-se de uma planilha com uma relação de pagamentos pendentes, incluindo uma referência a R$ 1 milhão destinado ao empresário Chiquinho Feitosa, ex-cunhado do ministro Gilmar Mendes, do STF. Feitosa teria intermediado um contato entre Vorcaro e o magistrado. 

Zettel também é investigado por possível participação em um grupo de WhatsApp suspeito de organizar ações de vigilância e intimidação contra pessoas consideradas adversárias de Vorcaro. 

Preso preventivamente desde março, Zettel tenta obter a liberdade por meio de recursos apresentados ao STF. Em 19 de outubro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se contra a revogação das prisões de investigados ligados ao Master, incluindo o empresário. 


Edilson Salgueiro - Revista Oeste