terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Farra com a grana dos pagadores de impostos - Supersalários: em 2024, juízes receberam mais em penduricalhos do que com o salário

Benefícios e adicionais pagos a magistrados superaram o saláriobase da categoria pela primeira vez, atingindo R$ 7 bilhões


Os inúmeros benefícios garantem aos magistrados salários muito além da maior parte da população | Foto: Flickr

Os benefícios e adicionais pagos a juízes de todo o país superaram o valor do salário-base da categoria em 2024, gerando supersalários acima do teto constitucional. Os dados são da organização não governamental (ONG) Transparência Brasil. 

O levantamento, feito a pedido do portal UOL, analisou dados de 21 tribunais — federais e estaduais — e de um órgão do Judiciário em 17 Estados e no Distrito Federal. Essas instituições informam anualmente seus custos desde 2020



A proporção dos penduricalhos e dos salários na remuneração total recebida pelos juízes |-Imagem: Reprodução/Uol

No total, os pagamentos extras ao Judiciário somaram R$ 7 bilhões no ano passado. Enquanto isso, os salários-base custaram R$ 5,4 bilhões. Penduricalhos driblam o teto e garantem supersalários 

Os adicionais incluem auxílios, bônus e reembolsos, que são isentos de Imposto de Renda. Isso permite que os juízes recebam supersalários muito além do teto constitucional de R$ 46,3 mil. 

“O salário-base é hoje secundário na remuneração de magistrados, que têm a maior parte do contracheque composto de adicionais”, explicou Cristiano Pavini, coordenador de projetos da Transparência Brasil, ao portal. 

“Muitos têm caráter indenizatório, sem incidência do teto constitucional.” O levantamento considerou todas as remunerações fora do saláriobase, como férias, 13º salário e penduricalhos. A maior influência veio da licença compensatória, criada para juízes e promotores que acumulam funções, como substituir colegas ou assumir cargos vagos.



A Constituição dá autonomia a vereadores, deputados e senadores para aumentar os próprios salários. No Judiciário, a estratégia é inflar os rendimentos por meio dos penduricalhos.

A criação desses benefícios, porém, é mais vantajosa do que solicitar aumento de salários. O último pedido de reajuste do Supremo Tribunal Federal (STF) ao Congresso ocorreu há três anos, sob a gestão de Luiz Fux, que conseguiu a aprovação de um aumento de 18%, parcelado entre 2023 e 2025. Dois fatores explicam isso. 

O primeiro é que o aumento de salários exige aval do Legislativo, enquanto penduricalhos podem ser criados por simples atos administrativos, sem burocracia. 

E, em segundo lugar, está o fato de que os penduricalhos são classificados como verbas indenizatórias e isentos de impostos, ao contrário do saláriobase, que sofre tributação. 


Revista Oeste