quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Brasileira naturalizada nos EUA teve pedido de prisão decretado por Moraes

 Flávia Magalhães relata que, depois de uma postagem no X, seu passaporte ficou sob restrição

Flávia foi informada que, em fevereiro de 2024, o STF decretou sua prisão preventiva | Foto: Reprodução/Redes sociais


Flávia Cordeiro Magalhães é brasileira com cidadania norteamericana. Ela reside há 22 anos em Pompano Beach, cidade próxima de Miami. No local, Flávia se casou e teve seu único filho, atualmente com 18 anos. Ela conta que teve sua conta no X bloqueada no Brasil por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). 

A decisão judicial foi motivada por uma publicação feita em solo norte-americano, em 2022. Sem ser notificada oficialmente, Flávia continuou postando nas redes sociais, o que levou à decretação de sua prisão preventiva sob a alegação de descumprimento de ordem judicial. 

“Em dezembro de 2023, ao entrar no Brasil pelo Aeroporto do Recife, com meu passaporte norte-americano, fui informada de que meu passaporte brasileiro estava sob restrição”, disse a Oeste. 

Moraes interpretou que Flávia Magalhães usou passaporte falso para entrar no Brasil Apesar de sua entrada e saída terem ocorrido de forma legal, Moraes interpretou a situação como uso de documento falso, agravando sua situação judicial. “Fui informada de que, em fevereiro de 2024, o STF decretou minha prisão preventiva”, disse a brasileira. Ela é representada no Brasil pelo advogado Paulo Faria, o mesmo defensor do ex-deputado Daniel Silveira. A defesa pediu acesso aos autos do processo, mas os pedidos foram reiteradamente negados. “Contestei a legalidade da ação”, disse. 

“Argumentei que ela nunca foi intimada sobre qualquer decisão judicial, mas nada disso teve efeito.” 

Flávia Magalhães - Imaginem! O xerife suspendeu meu passaporte brasileiro e emitiu uma ordem de prisão em meu nome, de solteira que está no meu passaporte brasileiro. ERROU SIM, em colocar o meu nome de casada em negrito, que está no meu passaporte AMERICANO, infringindo as leis americanas, por eu...

Paulo Faria afirma que a arbitrariedade do caso de sua cliente não para por aí. “O mandado de prisão inclui seu nome tanto no passaporte norte-americano quanto no brasileiro”, disse. “A decisão judicial levanta questões sobre a soberania norte-americana, visto que um cidadão dos Estados Unidos está sendo perseguido em solo estrangeiro por expressar opiniões políticas.”

Judiciário norte-americano estabelece o veto à entrada de Moraes nos EUA Nesta quarta-feira, 26, congressistas norte-americanos discutiram a imposição de sanções contra Alexandre de Moraes. Há atualmente três medidas contra o magistrado em discussão no Congresso dos EUA. Uma delas foi aprovada nesta quarta-feira pelo Comitê Judiciário. 

A proposta estabelece o veto à entrada de Moraes nos EUA e se chama “No Censor on Our Shores Act”, ou “Sem Censores nas Nossas Fronteiras”. O texto ainda precisará passar pelo plenário da Câmara dos Representantes e pelo Senado antes de ser sancionado pela Casa Branca. 

A acusação de uso de documento falso é contestada pela documentação oficial. Registros da Polícia Federal comprovam que Flávia entrou e saiu do Brasil legalmente. O mandado de prisão sugere que a publicação no X, em solo norte-americano, foi considerada crime pelas autoridades brasileiras — um precedente perigoso para a liberdade de expressão. 



Defesa busca revogação da prisão e acesso aos autos 

A defesa busca revogação da prisão e acesso aos autos. A Embaixada Norte-Americana acompanha o caso. Parlamentares dos EUA avaliam a inclusão do caso de Flávia em debates sobre liberdade de expressão e perseguição política.

Paulo Faria argumenta que a continuação da prisão preventiva sem acesso aos autos reforça as suspeitas de que a decisão tem motivação política. 

“A defesa segue pressionando pela revisão da prisão e pela transparência do processo, enquanto a oposição ao governo brasileiro denuncia a censura e a perseguição de vozes dissidentes”, concluiu.