segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Em semana de feriado, 17 deputados saem do País em 'missões oficiais'

Daiene Cardoso - O Estado de S.Paulo

Parlamentares aproveitam recesso branco na Câmara para viajar ao exterior, que inclui Azerbaijão, Estados Unidos, França, Austrália e Nova Zelândia

Em semana de recesso branco na Câmara por causa do feriado de 2 de novembro, deputados aproveitaram a paralisação dos trabalhos para irem ao exterior. Nesta semana, 17 deputados estarão viajando em seis missões oficiais pagas pela Casa. Outras três viagens já estão autorizadas para o mês de novembro e em fase de organização. A Câmara não divulgou os custos das missões oficiais.
Foto: André Dusek|Estadão
Rodrigo Maia
Rodrigo Maia (PMDB-RJ), presidente da Câmara
A principal viagem está sendo liderada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ao Azerbaijão, na Ásia. Maia embarcou na sexta-feira, 28, acompanhado dos líderes do PSD e PPS, Rogério Rosso (DF) e Rubens Bueno (PR), além dos deputados José Carlos Aleluia (DEM-BA) e Heráclito Fortes (PSB-PI). Na agenda da comitiva brasileira, além de um encontro com o presidente do país caucasiano, Ilham Aliyev, devem ocorrer reuniões com integrantes do setor petrolífero. Os parlamentares voltam a Brasília na quinta-feira, 3, à noite.
Nos Estados Unidos estão o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Osmar Serraglio (PMDB-PR), acompanhado de Marcos Rogério (DEM-RO) e Evandro Gussi (PV-SP), ambos membros da comissão, em missão de cooperação com parlamentares do Congresso daquele país. Oficialmente, a viagem visa promover o compartilhamento de experiências no processo legislativo entre a Câmara brasileira e a House of Representatives (Câmara dos Deputados daquele país). Os deputados estão nos EUA desde quarta-feira, 26, e deixam Washington amanhã, 1.º.
Quando os membros da CCJ estiverem embarcando de volta ao Brasil, o deputado Jorde Tadeu Mudalen (DEM-SP) estará viajando para Nova York, onde participará da 71.ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Mudalen está autorizado a acompanhar o evento entre 1.º e 7 de novembro.
A Câmara também autorizou a viagem o deputado Antônio Jácome (PTN-RN) a participar do Congresso Mundial de Câncer em Paris, capital francesa. Jácome ficará no País desta segunda-feira à quinta-feira, 3.

Até o final desta semana, outros parlamentares devem viajar em missão oficial. César Halum (PRB-TO), Roberto Alves (PRB-SP), Evandro Roman (PSD-PR), José Rocha (PR-BA), Flávia Morais (PDT-GO) e Roberto Góes (PDT-AP) estarão de 3 a 11 de novembro visitando a Comissão Australiana de Esporte e a Comissão Olímpica de Esporte em Sidney e Camberra, na Austrália. Na Nova Zelândia, o grupo de parlamentares conhecerá as instalações esportivas de alto rendimento em Auckland.

Boni diz que é difícil deixar o Rio para aceitar convite de Doria


Jose Bonifacio de Oliveira, o Boni, em seu escritorio - Daniel Marenco / Agência O Globo / Arquivo / 24/11/2015


O Globo


O empresário José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, afirmou nesta segunda-feira que vai se reunir com o prefeito eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), no próximo domingo para conversar sobre o convite recebido para assumir a secretaria de Cultura. Boni disse que não existe uma “tendência” para recusar o convite:

— Gostaria muito de aceitar, mas tenho problemas para deixar o Rio. No domingo, vou falar com o Doria e ver se encontramos algum caminho — respondeu o empresário.

Na semana passada, quando o prefeito eleito anunciou parte do secretariado, também foram anunciados os conselhos de notáveis. A ideia é reunir especialistas nas principais áreas de atuação da prefeitura para ajudar a criar novas políticas públicas. Esses conselhos se reuniriam a cada dois meses, em São Paulo.

Não se exclui a possibilidade de Boni fazer parte do conselho de Cultura. A secretária de Fazendo de Goiás, Ana Carla Abrão Costa, foi convidada por Dória para assumir a secretaria de Finanças e recusou por estar comprometida. A saída encontrada foi colocar Ana no conselho de Finanças.

 


Aécio: contabilidade de vitórias não define candidato em 2018


O senador Aécio Neves, durante entrevista - Givaldo Barbosa / Agência O Globo


Maria Lima - O Globo


Tucano lamenta derrota em BH, mas ressalta que o PSDB venceu ‘muito bem’ em Minas

Diante das análises de que sai enfraquecido por perder a eleição em Belo Horizonte (MG), e do fortalecimento do governador Geraldo Alckmin (SP), vitorioso na capital e em todo estado de São Paulo, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG) elogiou o correligionário, mas avisou que a escolha do candidato a presidente do partido em 2018 não será feita apenas pela contabilidade de um estado ou do resultado em todos os estados, mas também por outras variáveis.

Ele fez questão de creditar a conquista de 34 milhões de votos, a partir de 2014, quando o partido resgatou suas bandeiras, do equilíbrio das contas públicas, ao engajamento firme e de liderança no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, e da apresentação rápida de uma agenda de reformas ao governo Michel Temer.

Aécio afirmou que é preciso ter muito cuidado ao fazer um link direto das eleições municipais de 2016 com a eleição de 2018, lembrando que em 2014 a ex-presidente Dilma Rousseff e o governador Fernando Pimentel, do PT, tiveram uma vitória fragorosa em Minas Gerais e hoje Dilma foi cassada e Pimentel enfrenta grande dificuldade. Ressaltou que o PSDB tem muitos defeitos, mas que sua maior qualidade é a responsabilidade que teve ao apoiar o nome de Alckmin para presidente em 2006, quando o partido não era tão forte em São Paulo; o nome do ministro das Relações Exteriores, José Serra, em 2010 e o seu próprio em 2014, quando, segundo ele, por muito pouco não venceu a eleição.

— Não sei se essa é a contabilidade certa (de ter sido derrotado em Minas e saído fragilizado). Eu gostaria de ter ganhado em Belo Horizonte, mas os delegados do partido vão definir o melhor caminho com muita responsabilidade. Alckmin e Serra são grandes nomes, mas vamos ter serenidade. Não contem comigo para colocar o carro na frente dos bois. Não vamos antecipar. Serão avaliados números, resultados de todos os estados, mas não só isso — disse Aécio.

Ele lamentou a derrota do candidato João Leite em Belo Horizonte, mas ressaltou que o PSDB “ venceu muito bem” em Minas Gerais, onde ganhou em 133 municípios, sendo sete dos dez maiores com candidatos próprios ou coligado. Em contrapartida disse que seu maior adversário, o PT, caiu de 160 prefeitura, em 2012, para 41.

— Em Belo Horizonte não vencemos, mas vencemos muito bem em Minas Gerais. Política é isso, vamos olhar para a frente, compreendendo que nós não podemos perder nossa coerência. Existem vitórias que são muito comemoradas no primeiro momento e derrotas muito exploradas e em pouco tempo depois acabam tendo uma sinalização inversa daquela que se pretende hoje — avaliou Aécio, completando:

— Lamento, mas na política, diferente do futebol , não há empate. Ou se ganha ou se perde. O que não se pode perder é a coerência.

Sobre se o PSDB, com seu crescimento extraordinário em todo país, buscaria um espaço maior no governo Michel Temer, Aécio disse que o que o partido vai reforçar é a defesa da agenda de reformas.

— Eu vejo o fortalecimento do PSDB também como o fortalecimento do governo Temer. Apoiamos uma agenda de reformas para tirar o Brasil das profundezas que o PT o jogou. Enquanto Temer apoiar essa agenda terá nosso apoio, o que não nos impede de ter um projeto, uma agenda com os melhores quadros e as melhores propostas para governar o país em 2018 — garantiu Aécio.

'PT FOI DIZIMADO'

De volta a Brasília, Aécio já mostrou disposição de retomar a liderança do partido e o debate interno sobre o resultado das eleições. Marcou para o próximo dia 24 uma reunião com prefeitos eleitos e governadores para discutir e unificar uma pauta social já para a eleição de 2018. É o primeiro passo para ampliar o espaço junto ao eleitorado do PT.

— Vamos unificar nossas ações. Ter propostas sociais mais claras. Vamos fazer um seminário e discutir o dia inteiro para uniformizar ações nessa área — revelou Aécio.

Aécio afirmou que virada a página das eleições, os prefeitos terão que se preparar para o enorme desafio diante de uma situação "trágica e caótica" . No âmbito do Congresso, ele disse que o PSDB brigará por uma pauta federativa e o primeiro passo é a reforma política.

Perguntado se o PT acabou, Aécio opinou que não, e que nem é bom que acabe, mas que terá que se reinventar porque foi "dizimado nesta eleição e a projeção é que perca 1/3 de sua bancada no Congresso em 2018". O PSDB, ao contrário, disse, governando para 34 milhões de votos, deverá alcançar uma bancada majoritária nas duas Casas.

— O PT foi para o final da fila, está hoje entre os partidos nanicos. Terá que se reencontrar com sua História — ressaltou.



Bolsa sobe 11,2% no mês e fecha perto de 65 mil pontos

JULIANA GARÇON  e  RENNAN SETTI - O Globo

Dólar comercial tem desvalorização mensal de 1,94% e vale R$ 3,189


O dólar comercial atenuou as perdas e fechou em queda de 0,25% nesta segunda-feira, vendido a R$ 3,189, após chegar à mínima de R$ 3,163, numa semana que começa com cenário mais benigno para a economia brasileira e pressionado pelos fluxos do último dia da repatriação de recursos. No mês, o dólar recuou 1,94%. No mercado de ações, o dia foi de alta, apoiada no setor bancário, mas limitado pelos impactos da queda do petróleo nas ações da Petrobras e da desvalorização do dólar nos papéis da Vale. Pela manhã, o resultado do Itaú impulsionou o índice brasileiro, que chegou a superar os 65 mil pontos, o que não acontecia desde abril de 2012. No entanto, a queda dos preços do petróleo pressionou os papéis da Petrobras e o Ibovespa reduziu seus ganhos no fim do pregão, fechando aos 64.924 pontos, com alta de 0,96%. Em outubro, a Bolsa subiu 11,23%, sua quinta alta mensal seguida e a maior desde março (16,97%).

O resultado do Itaú Unibanco agradou, apesar da queda no lucro em relação ao mesmo período do ano passado, e as ações sobiram 3,48%. A ação foi a mais negociada do pregão. Celson Plácido, estrategista-chefe da XP Investimentos, destaca que, apesar do recuo no ganho em relação ao ano passado, em relação ao segundo trimestre deste ano o resultado ficou praticamente estável, com leve avanço (0,4%).

— E o resultado veio 12,62% acima da média das estimativas, de R$ 4,968 bilhões — aponta. — Houve surpresas positivas: a margem financeira, que cresceu, e a redução nas despesas para créditos com liquidação duvidosa.

Para Paulo Gomes, estrategista da Azimut Wealth Management, a redução de R$ 169 milhões nas despesas de provisão para créditos de liquidação duvidosa, queda de 2,7% no trimestre, leva otimismo a todo o setor bancário, o mais importante do Ibovespa. O Bradesco avançou 3,15%. O Santander ganhou 2,9%. O Banco do Brasil ganhou 3,53%, favorecido também a percepção de melhora na governança do banco estatal.

— A inadimplência foi a principal preocupação do setor. A, os investidores já esperam melhora desta rubrica também para o Bradesco.

Na mão oposta, Petrobras sofreu com a forte queda do petróleo no mercado internacional: recuo de 2,56% no papel ON (ordinário, com direito a voto), a R$ 18,64, e de 2,21%, a R$ 17,69, no PN (preferencial), sem direito a voto. No fim de semana, a Organização de Países Exportadores de Petrólelo (Opep) encerrou as negociações com países não-membros, como Rússia e Brasil, sem um compromisso para cortar a produção, informa a Bloomberg News, citando o brasileiro Márcio Félix, secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia. o petróleo opera em queda nesta segunda-feira. Nesta segunda-feira, os contratos para entrega em dezembro operam em queda. O barril de Brent, referência para o mercado brasileiro, é negociado a US$ 48,32 em Londres, com desvalorização de 2,8%. O barril tipo WTI, em Nova York, perde 3,78%, a US$ 46,86.

A mineradora Vale fechou com perda de 0,72% no papel PN e de 0,27% no ON.
A fabricante de aviões Embraer, que conseguiu reduzir o prejuízo — neste trimestre, foi de R$ 111,4 milhões, ante resultado também negativo de R$ 387,7 milhões em igual etapa de 2015 — disparou 6,85%. Embora o balanço não tenha mostrado números brilhantes, os investidores se animaram com as declarações do diretor financeiro da companhia, José Antonio Filippo. Segundo ele, a forte demanda por aviões no fim deste ano, especialmente de jatos executivos, deve ajudar a Embraer a cumprir metas operacionais de 2016. Ele também afirmou que uma baixa contábil no portfólio de aviões usados da companhia, que contribuiu para um prejuízo de US$ 34 milhões no terceiro trimestre, foi focada no estoque de aviões comerciais e não deve se repetir nos próximos trimestres.

— A companhia veio com resultados em linha com o esperado e manteve as projeções. Além disso, o quarto trimestre costuma ser mais forte em encomendas — diz Gomes, da Azimut.

Nesta segunda-feira, mercado também gostou do que viu na pesquisa Focus, do Banco Central, aponta Gomes, lembrando que a pesquisa junto a economistas mostrou projeção de inflação mais contida e previsão de Selic abaixo de 11% em 2017. Com juros mais baixos, explica, o país ganha mais capacidade de solvência.

— Além do mais, nas eleições deste fim de semana, forças políticas mais pró-mercado saíram fortalecidas — lembra Gomes. — Há um cenário mais benigno para a economia.
Nesta segunda-feira, os investidores já aguardavam a reunião do Federal Reserve (Fed), banco central americano, na quarta-feira, que deve dar indicações de como a autoridade monetária vê a economia local e global. Porém, não é esperada uma alta já neste encontro, antes da eleição americana. Assim, mercados emergentes, como o Brasil, não devem sofrer redução de fluxos de capitais, por ora.

— Os mercados podem manter certa cautela nesta semana, na expectativa de reunião do Fed — diz Plácido. — Mas não acreditamos em elevação dos juros agora. Talvez em dezembro.

No mercado local, neste último pregão de outubro, o câmbio foi influenciado pela briga entre comprados e vendidos para a formação da Ptax do mês, taxa que baliza diversos contratos cambiais, de outubro será definida neste pregão. No dia de fechamento, os investidores costumam atuar para puxar as cotações do dólar conforme seus interesses. 

Há ainda a expectativa de ingresso de recursos provenientes da regularização de ativos brasileiros no exterior. E como vem fazendo, o BC não anunciou leilão de swaps reversos — equivalentes à compra futura de dólares — no último pregão do mês.

MERCADOS GLOBAIS

Nos EUA, os índices fecharam em leve baixa. O Dow Jones perdeu 0,1%, o S&P 500 recuou 0,01%. Na Europa, as bolsas fecharam em queda. O FTSE, de Londres, perde 0,6%. Em Frankfurt, o Dax se desvaloriza em 0,29%. Em Paris, o CAC 40 perde 0,86%.

Na Ásia, os mercados chineses recuaram, com a confiança se enfraquecendo por alertas das principais autoridades sobre bolhas de ativos e incertezas em torno da eleição presidencial dos Estados Unidos. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 0,1% e o índice de Xangai teve queda de 0,09%. Em Tóquio, o Nikkei recuou 0,12%. Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 0,09%. Em Seul, o Kospi teve desvalorização de 0,56%. Em Taiwan, o Taiex registrou baixa de 0,18%. Em Cingapura, o Straits Times desvalorizou-se 0,08%. Em Sydney, o S&P/ASX 200 avançou 0,64%.



Palocci negociou propina de Belo Monte para PT e PMDB, afirma delator


A usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu - Divulgação / PR


Cleide Carvalho e Dimítrius Dantas - O Globo


Suspeito de ter movimentado R$ 128 milhões em propinas da Odebrecht, o ex-ministro Antonio Palocci foi apontado por Otávio Azevedo, ex-presidente da holding Andrade Gutierrez, como o responsável pela negociação da propina nas obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, para o PT e também para o PMDB.

Em depoimento de delação premiada, Azevedo disse que Palocci pediu 1% do valor da obra a ser dividido entre os dois partidos e indicou que as quantias deveriam ser pagas a João Vaccari Neto, do PT, e Edison Lobão, do PMDB, então Ministro de Minas e Energia. O pedido teria sido feito durante um encontro num apartamento na Asa Norte de Brasília, a convite do ex-ministro, logo depois de a então ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, comunicar que a proposta técnica da empresa havia sido escolhida para tocar as obras da usina, e que a Andrade Gutierrez seria a líder do consórcio, com participação de 18%.

Azevedo afirmou que Palocci lhe disse que o governo pretendia consolidar o consórcio tal qual Erenice havia comunicado, com a Andrade na liderança das obras, mas, para isso, "seria importante que houvesse a contribuição financeira para apoio político" ao PT e PMDB. Num segundo encontro, no escritório de Palocci em São Paulo, o ex-ministro teria indicado os nomes de Vaccari e Lobão. No depoimento, realizado em agosto passado, na sede da Polícia Federal em Brasília, Azevedo disse ainda que orientou Flávio Barra, diretor de energia da empresa, a fazer os pagamentos.

Flávio Barra já havia sido ouvido em junho na sede da PF em Porto Alegre (RS). Segundo ele, a maior parte do dinheiro foi paga por meio de doações eleitorais. Barra contou que Edison Lobão indicou o filho, Márcio Lobão, como o contato para receber dinheiro destinado ao PMDB. Como nenhum dos representantes do consórcio conhecia Márcio Lobão, o executivo promoveu reuniões individuais, de meia em meia hora, no prédio da Andrade Gutierrez no Rio de Janeiro, para apresentá-lo. Barra disse ainda que chegou a entregar a Márcio Lobão, a pedido de Edison Lobão, R$ 600 mil em dinheiro. Os dois teriam combinado por Whatsapp e o executivo levou a quantia até o apartamento de Márcio, na Avenida Atlântica, no Rio.

Autoridades suíças confirmaram a existência de contas da família Lobão no país. Os investigadores encaminharam pedido de cooperação internacional para receber as informações bancárias.

CONTRATOS FALSOS E DOAÇÕES ELEITORAIS


Outro delator das propinas de Belo Monte, Luis Carlos Martins, diretor da Camargo Corrêa, que também integrou o consórcio, ouvido em junho passado em Curitiba, disse que repassou R$ 2 milhões a Lobão por meio de falsos contratos de consultoria e de "doações eleitorais" ao PMDB. Martins afirmou ainda que o valor destinado pela empresa ao PMDB foi pago por meio de contratos falsos de consultoria com a empresa AP Energy — um de R$ 1,222 milhão e outro de R$ 1,268 milhão. Outro executivo da empresa, Dalton Avancini, teria ficado responsável por providenciar os pagamentos ao PT.

A AP Energy fica em Santana do Parnaíba num endereço já conhecido pela Lava-Jato por abrigar outras empresas de fachada descobertas pelo esquema de fraudes na Petrobras. O escritório só tem uma mesa e uma recepcionista para receber correspondência. Uma das empresas que usaram o endereço foi a JSM Engenharia e Terraplanagem, de Adir Assad, condenado na Lava-Jato.

Segundo relatório feito pela Polícia Federal, nas eleições de 2010, 2012 e 2014, as empresas que fizeram parte do consórcio construtor de Belo Monte doaram R$ 159 milhões a candidatos do PMDB por meio de seus diretórios e comitês financeiros. Em sua colaboração, o ex-senador Delcídio Amaral afirmou que a propina de Belo Monte teria como destino os principais caciques do PMDB no Senado: Renan Calheiros, Romero Jucá, Jader Barbalho e Valdir Raupp.

Berço político de Romero Jucá, Roraima foi o diretório estadual do partido que mais recebeu recursos nas três eleições analisadas: R$ 3,7 milhões. Alagoas foi o terceiro maior destino, com R$ 2,4 milhões: o estado é lar do presidente do Senado, Renan Calheiros, e governado pelo filho do senador, Renan Filho. O diretório estadual do Pará, representado no Senado por Jader Barbalho, recebeu R$ 1 milhão e o de Rondônia, ligado ao senador Valdir Raupp, recebeu R$ 500 mil. Os valores doados ao PT não foram relacionados pela PF.

A Andrade Gutierrez perdeu o leilão da Usina Belo Monte, mas recebeu a maior cota do Consórcio Construtor de Belo Monte, que foi o responsável pelas obras. Formado por empresas de menor porte, o consórcio vencedor do leilão foi articulado às pressas pelo governo após a desistência da Odebrecht e Camargo Corrêa. Meses depois, o governo optou pela proposta técnica apresentada pela Andrade e também incluiu Odebrecht e Camargo no consórcio construtor. Derrotadas no leilão, Andrade, Odebrecht e Camargo Corrêa dividiram 50% do consórcio construtor, enquanto a outra metade foi dividida entre as sete empresas que venceram o leilão.

‘TRANSFORMARAM O BRASIL NUMA DELATÓPOLIS’

O advogado de Palocci, José Roberto Batochio, disse que vai pedir ao Supremo Tribunal Federal que a delação de Otávio Azevedo seja anulada.

— É uma história absolutamente falsa, uma versão para sair da cadeia. Ele não tem como provar que Palocci participou desta negociação. Para sair da cadeia, delatam até o papa Francisco. Transformaram o Brasil numa Delatópolis, numa Delatolândia, onde fazem barganhas e incriminam em troca de liberdade. Palocci nunca tratou de Belo Monte nem de propina com quem quer que seja. Azevedo procurou Palocci, que era deputado federal, e ele simplesmente lhe disse que não tinha como ajudar — disse Batochio.

Batochio lembrou que Azevedo, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, afirmou também que Ricardo Berzoini, do PT, havia pedido 1% de propina em todos os contratos da Andrade Gutierrez com o governo.

Advogado do senador Edison Lobão, Antônio Carlos de Almeida Castro, o "Kakay", afirmou que o senador desconhece as empresas apontadas e nunca teve relações com elas. "A palavra dos delatores, mesmo os que usam de relações pessoais para apresentar um linha de 'acusação/defesa' devem ter o natural carimbo da desconfiança, até pelo apelo de falta de compromisso com a verdade, só com a verdade que serve a defesa, que é próprio do caráter do delator", afirmou Kakay.

Como enfrentar os fascistas que ocupam escolas? As urnas disseram o que o povo quer

Com Blog do Reinaldo Azevedo - Veja

É preciso cortar água, luz e telefone. 

Não só isso: Polícia na porta: pode sair 

gente, mas entrar não! A questão 

chegará à Justiça, claro! E os juízes 

dirão se querem seus próprios 

tribunais invadidos



Quero tratar aqui de duas questões que estão absolutamente imbricadas: o resultado das eleições municipais e as invasões de escolas em alguns Estados, muito especialmente no Paraná, onde o movimento é mais forte porque, de fato, é conduzido pelo PT e pelo sindicato da rede oficial de ensino do Estado, a tal APP Paraná, que agora usa Mafaldinhas & Remelentos do ensino médio para fazer política.
A esquerda foi rechaçada nas urnas. Tem um de seus piores desempenhos desde a redemocratização. O país conta com 5.570 cidades. PT, PCdoB, Rede e PSOL conseguiram eleger prefeitos em 344 — vale dizer: em 6,17% do total. Eis o tamanho dos vermelhos nas eleições municipais. O que isso significa? Já escrevi aqui: a população votou majoritariamente contra o Velho Regime e em favor do Novo.
Ora, é claro que a imensa maioria dos eleitores tem informações sobre a existência de uma PEC que estabelece o teto de gastos e sobre uma MP que muda o ensino médio. Mesmo assim, os partidos identificados com essa pauta tiveram, então, a adesão de mais de 90% da população que votou. Só não faço a conta exata porque partidos como o PSB e o PDT se dividiram. Mas o resultado final é esmagador.
Muito bem! Que modo o PT e seus satélites de esquerda encontraram para deixar claro que existem? Como sempre, optaram por sabotar a democracia. É isso o que significa o movimento de ocupação de escolas, especialmente no Paraná. Ruim de teses e de votos, a esquerda, no entanto, continua boa de marketing: inventou até uma tal Ana Júlia, de 16 anos, filha de um militante petista, para ser a pensadora das invasões. É aquela moça de raciocínio singelo: “se a escola é para os estudantes, e se nós somos estudantes, a escola, então, é nossa, e podemos invadir”. E a esmagadora maioria que quer aula? A filósofa tem a resposta: que se submeta ao “coletivo”. Quem é “o coletivo”? A minoria invasora. É a neta moral da Marilena Chaui
Lula, que não cumpriu a sua obrigação de votar, ligou para ela para incentivar as invasões.
Nos dois casos, evidencia o respeito que tem pela democracia.
O resultado no Paraná não foi diferente. Tomem Curitiba como exemplo. O petista Tadeu Veneri obteve 4% dos votos no primeiro turno. A Xênia, do PSOL, ficou com 1,15%. E pronto! Esse é tamanho que tem na capital paranaense as forças que apoiam a invasão. E, no entanto, há centenas de escolas tiranizadas por vândalos. Mais um dado: Rafael Grecca (PMN), apoiado pelo governador Beto Richa (PSDB), venceu a disputa contra Ney Leprevost: 53,25% contra 46,75%.
No dia seguinte à eleição, um grupo de mascarados, supostos secundaristas, invadiu mais um prédio na capital: o Núcleo Regional de Educação.
O que dizer é o que fazer?
Respondo
Não é o que a sociedade quer, é evidente. As urnas deixam isso claro. O movimento, no entanto, conta com o apoio de setores expressivos da imprensa, tomada de esquerdistas. No Paraná e em qualquer lugar. Uma visão acanalhada e ilegalista do processo político faz supor que tanto invasores como estudantes que querem ter aula são partes legítimas do processo. Os desordeiros contam com uma intervenção mais dura da Polícia para ver se o movimento se alastra. Quem já deveria ter entrado em ação em defesa do direito de cidadãos, chamados estudantes, de ter aula? O Ministério Público Federal. Até agora não moveu uma palha.
O Movimento Brasil Livre, heroicamente, tem tentado enfrentar os brucutus, debaixo de porrada física dos trogloditas e de porrada moral dos setores vigaristas da imprensa.
Sabem a melhor coisa a fazer, em todas as esferas? Declarar encerrada qualquer forma de diálogo. Que os invasores apodreçam dentro dos prédios. Mas que lhes sejam cortados água, luz, telefone… Sim, certamente a questão chegará à Justiça. Que vá até os tribunais superiores. Os senhores juízes terão de dizer se a invasão de um prédio público é uma forma honesta de reivindicação.
Se disserem que sim, estarão convidando o “povo” a invadir os tribunais. E aí não vale chamar a Polícia.
E a sociedade organizada do Paraná que decida, então, até quando 94% da população continuará tiranizada por 6%.
Fim de papo! Fim da água! Fim da luz! Fim da linha!
É assim que se lida com fascistas.
Ah, sim: que a Polícia seja colocada na porta das escolas. Ninguém mais entra. Só sai. Vamos ver até quando resistem esses heróis do fascismo. “Ah, mas a coisa pode se espalhar…” Que se espalhe e que seja dado o mesmo tratamento.
Ou é isso ou é condescender com fascistas.

José Nêumanne: "Urnas afundam PT"

O Estado de São Paulo

Desempenho da base nos municípios não assegura apoio sólido a Temer nem vitória em 2018

Aécio perdeu com João Leite em Belo Horizonte
Aécio perdeu com João Leite em Belo Horizonte
O maior derrotado nas eleições municipais de 2016 foi o Partido dos Trabalhadores (PT), enquanto as legendas que compõem a base parlamentar de Temer obtiveram vitória em 81% dos municípios. Isso não quer dizer, contudo, que o equilíbrio político se tenha alterado a ponto de o presidente poder garantir votos para ter liberdade de adotar todos os projetos com os quais pretende tirar o País do atoleiro econômico em que se encontra. Nem, muito menos, que houve uma vitória da centro-direita e uma decisão eleitoral da população para por fim ao papo furado da esquerda do “impeachment sem crime é golpe”. Afinal, os prefeitos eleitos serão postos à prova até 2018.
(Comentário no Estadão no Ar da Rádio Estadão – FM 92,9 – na segunda-feira 31 de outubro de 2016, às 7h13m)