Foto: Montagem Revista Oeste/Shutterstock
Auditorias já não medem palavras para explicar o que aconteceu no caso do gigante do varejo: uma fraude histórica, fruto de corrupção ou incompetência
A Deloitte, a KPMG e a Ernst & Young (EY) são três das quatro maiores auditorias do mundo — as chamadas “big four“. Agora elas se dedicam a não ver respingar em seus quadrados a crise de reputação que a outra integrante das “quatro” — a britânica PriceWaterhouseCoopers, ou PWC — abraçou para si com o caso da Americanas. As três concorrentes da PWC admitem que os profissionais à frente dos balanços da varejista “erraram feio” e “comeram bola”, ao deixar passar um rombo da magnitude da Americanas. “Não é possível esquecer ou não ver um rombo de R$ 40 bilhões”, diz uma importante executiva de uma das big four.

Sem prestígio
O primeiro sinal de desprestígio ocorreu há poucos dias — e acendeu um alerta interno nos gigantes das auditorias: pela primeira vez, nenhuma das quatro empresas foi chamada para compor a chapa única que concorrerá para a eleição do IBEF-SP (Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças de São Paulo), grupo que reúne CFOs de empresas e executivos financeiros de destaque que, segundo o instituto, representam 25% do PIB. Na última semana, a PWC negou responsabilidade no rombo bilionário da Americanas numa ação civil pública proposta pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor e Trabalhador.
O preço a pagar
Uma importante diretora de uma das quatro big four não crê, no entanto, que houve conluio entre a PWC e a Americanas. “Os gigantes de auditoria são obcecados por reputação. Jamais entrariam nessa, porque o preço a se pagar seria enorme”, diz. “Mas pode ter ocorrido corrupção de um indivíduo da auditoria, ou incompetência mesmo.”

É fraude e é histórica
Os maiores executivos do Itaú e da gestora Verde Asset chamaram as coisas como as coisas são nesta semana: é fraude. Milton Maluhy Filho, CEO do maior banco privado do Brasil, disse que o rombo da Americanas é “um caso isolado de fraude”. O Verde foi mais assertivo: “Temos a maior fraude da história corporativa do Brasil”, escreveu o fundo de Luis Stuhlberger e Luiz Parreiras, em carta mensal a investidores. “Beira o inacreditável que somente 23 dias após o fato relevante, alguém da companhia, seja na área financeira, seja na alta gestão, tenha sido afastado.”
* * *
O Carnaval promete
Os ingressos do camarote mais prestigiado da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, estão esgotados nos dois principais dias de avenida. O valor do N1 para o domingo chegou a R$ 4 mil para os homens e R$ 3,2 mil para as mulheres. Entre tantos sotaques brasileiros e estrangeiros, os paulistas dominam os corredores do espaço.

Evento que rende
Quem está por trás do camarote N1 é a Holding Clube, grupo que nasceu com a produtora Banco de Eventos, do empresário José Victor Oliva. Atualmente, a companhia comemora os resultados financeiros, depois de apanhar feio na pandemia: em 2020 e 2021, com o isolamento e a suspensão de festas, o faturamento despencou 60%. Em 2019, ano pré-pandêmico, a empresa chegou a faturar R$ 300 milhões. Mas o momento é de celebrar: “Em 2022, a gente ultrapassou 2019”, diz Juliana Ferraz, sócia e relações-públicas da Holding Clube. A volta com força dos encontros presenciais levantou o caixa do grupo em 30%.
* * *

“Não sei viver assim, meu amor”
Glória Maria — a grande e popular repórter de TV — disse a este colunista, em 2018, que não sabia viver na era do politicamente correto. “De repente, com as redes sociais, você só pode dizer o que agrada a certas pessoas. Não sei viver assim, meu amor”, disse. “Não serei a boazinha só porque algumas pessoas querem. Não tem sentido, nesta altura da vida, seguir a manada porque isso é legal.”
A consciência humana
A entrevista foi feita semanas depois em que a jornalista postou em sua conta no Instagram uma frase atribuída ao ator Morgan Freeman, em que ele dizia: “Deveríamos parar de pensar em consciência branca, negra ou amarela, e falar em consciência humana”. Questionada, Glória falou: “Acho perfeito. Comecei na TV quando não se via preto na tela. Mas não existia o politicamente correto. As pessoas tinham uma posição e ponto. Sou do tempo do ‘nega do cabelo duro’. Elis Regina seria colocada num poste se cantasse isso hoje”. Glória Maria morreu no Rio de Janeiro, na quinta-feira 2, vítima de um câncer no pulmão, com metástase no cérebro. Ela deixou duas filhas: Maria, 15 anos, e Laura, 14 anos, adotadas em 2009.

O tempo e a Glória
Glória dava um chega pra lá em quem vinha com a história de idade, mas falou do tempo nesta conversa: “Tenho uma teoria de que, quando você fala muito em idade e no tempo, atrai o tempo contra você. Para evitar problemas, esqueço que ele existe. Nunca fiz plástica, nunca coloquei Botox, nunca entrei em academia (…) Tenho muita coisa para me ocupar, como a educação das minhas filhas. Você acha que eu vou me preocupar com o tempo?”. Salve, Glória!

Leia também “A hecatombe das Lojas Americanas”
Revista Oeste