O dólar até tentou ensaiar uma queda na tarde desta segunda, 2, mas o movimento não se sustentou e a moeda americana fechou na nona alta seguida, cotado em R$ 4,4870 (0,19%). Pela manhã, o dólar chegou a superar R$ 4,50.
No exterior, ao contrário, o dólar perdeu força ante divisas fortes e emergentes, com o aumento da perspectiva de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve cortar os juros de forma agressiva pela frente para lidar com os efeitos do coronavírus.
Também cresceu a aposta de ações coordenadas dos governos e a expectativa é para uma teleconferência de ministros das finanças dos sete países mais ricos do mundo, o G7, nesta terça-feira.
Aqui, além do cenário externo, operadores ressaltam que também contribui para aumentar a pressão no câmbio a visão de que o Banco Central pode cortar juros. Mesmo que bancos centrais lá fora façam o mesmo movimento, a visão é que o diferencial de taxas deve continuar baixo e desfavorável para o Brasil.
Os investidores estrangeiros aumentaram em US$ 2,7 bilhões as posições compradas em dólar futuro somente na sexta-feira, dia 28 de fevereiro, segundo dados da B3. Já os fundos locais elevaram as posições vendidas (que ganham com a queda do dólar) em US$ 2 bilhões no mesmo dia.
A segunda-feira foi marcada por volume acima da média no mercado de câmbio, com giro de US$ 22,4 bilhões no contrato de dólar futuro de abril, o mais líquido. No mercado à vista, o volume somou US$ 1,3 bilhão. O dólar futuro para abril fechou em baixa de 0,17%, a R$ 4,4825.
Nesta segunda, ao contrário dos últimos dias, a alta do dólar não foi acompanhada de piora do risco Brasil. O Credit Default Swap (CDS) de cinco anos caiu para 127 pontos, após bater em 140 pontos na sexta-feira, segundo cotações da IHS Markit.
Bolsa
Em dia de retomada global do apetite por risco, o Ibovespa fechou a sessão desta segunda-feira em alta de 2,36%, aos 106.625,41 pontos, tendo atingido a marca de 107.220,02 pontos no pico, após a pior semana desde agosto de 2011 e o pior mês de fevereiro desde maio de 2018. Na mínima, o Ibovespa foi aos 103.779,26 pontos.
Assim, em alta pelo segundo dia após quatro perdas consecutivas, o principal índice da B3 conseguiu recuperar cerca de 2,4 mil dos 9,5 mil pontos cedidos desde a quarta de cinzas - assim, a perda em relação ao fechamento anterior ao carnaval está agora em torno de 7 mil pontos. O giro financeiro desta segunda-feira totalizou R$ 32,5 bilhões, em linha com o observado nas últimas três sessões, quando superou R$ 30 bilhões - chegando a R$ 40,0 bilhões na última sexta, dia 28 de fevereiro.
A indicação de que as economias avançadas estão dispostas a afrouxar as condições monetárias e fiscais em contraponto à desaceleração da atividade ocasionada pelo coronavírus deu suporte a um dia de recuperação global, com o Ibovespa mostrando ganhos em correlação, embora mais moderados do que os observados em Nova York, onde o Dow Jones fechou em alta de 5,09% e o S&P 500, de 4,60%.
Altamiro Silva Junior e Luís Eduardo Leal, O Estado de S.Paulo