O Ibovespa renovou a máxima e ultrapassou os 108 mil pontos logo após um inesperado corte na taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) nesta terça-feira 3, na tentativa de abrandar os impactos do coronavírus sobre a economia global.
Às 12h24, o Ibovespa subia 1,49%, chegando a 108.211,97 pontos, depois de atingir a máxima de 108.702,84 pontos, acompanhando a alta acima de 1% em Nova York. A decisão do Fed também afetou o câmbio: o dólar, que chegou à máxima de R$ 4,5084, teve uma queda momentânea, para voltar a subir em seguida, com menos força. No mesmo horário acima, a alta era de 0,14%, com cotação de R$ 4,4939.
As Bolsas de Nova York também não sustentaram o impulso dado pelo anúncio de corte de juros e voltaram a operar em terreno negativo. Às 12h16 (de Brasília), o S&P 500 caía 0,39%, acompanhado pelo Nasdaq, com baixa de 0,31%. O índice Dow Jones devolvia grande parte dos ganhos de minutos atrás e subia 0,27%. As ações do setor bancário contabilizavam baixam significativas, com Bank of America em queda de 3,98% e Morgan Stanley cedendo 2,78%.
O Fed cortou a taxa de juros em 50 pontos-base, para faixa entre 1,0% e 1,25%. A instituição diz em breve comunicado que os fundamentos para a economia dos Estados Unidos "continuam fortes", mas que o coronavírus representa "riscos à atividade econômica".
"Diante desses riscos e em apoio à busca das metas de máximo emprego e estabilidade de preços, o Comitê Federal de Mercado Aberto decidiu hoje reduzir a faixa dos fed funds", diz a nota. "O Comitê monitora de perto os acontecimentos e suas implicações para a perspectiva econômica e usará todos os instrumentos para agir como apropriado para apoiar a economia."
O comunicado informa ainda que a decisão de política monetária foi unânime.
O Ibovespa teve uma manhã de instabilidade e caía depois da reunião de ministros de Finanças e presidentes dos bancos centrais do G-7 sobre o avanço do coronavírus nesta manhã - o grupo disse estar pronto para combater disseminação da doença, mas não anunciou medidas de estímulo.
Maria Regina Silva e Gabriel Bueno da Costa, O Estado de S.Paulo
