A escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã também contaminou o Ibovespa, principal índice da Bolsa paulista, a B3, que iniciou o pregão com queda superior a 1%, mas reduziu a queda ao longo do dia. O Ibovespa tinha queda de 0,50%, a 117.982 pontos, às 12h38. Já o dólar, que chegou perto de R$ 4,07 pela manhã, subia 0,45% por volta das 12h, negociado a R$ 4,04.
"A questão geopolítica é um contaminante de curto prazo que mexe com a Bolsa em um dia de realização de lucros após um pregão muito forte na quinta-feira", diz Pedro Galdi, analista da Mirae Asset. "Mesmo assim o viés da Bolsa continua positivo com os indicadores econômicos melhorando e a recuperação do País como um todo."
Para Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença, o mercado já esperava essa realização de lucros por conta do noticiário internacional, mas ele vê a Bolsa absorvendo melhor o impacto do que os mercados internacionais por conta do fluxo de dinheiro que entra no Brasil. "Apesar de todo esse problema externo, a Bolsa está indo muito bem em função do fluxo de investimentos em renda variável", explica. "Os gestores são obrigados a comprar ações."
No mercado acionário, a Via Varejo puxou a virada do setor de varejo, com a empresa chamando a atenção de analistas fundamentalistas, por conta da gestão de Michel Klein, quanto de grafistas, com sugestões de pontos de entrada em operações de "swing curto", com frequentes recomendações.
Petrobrás
Os papéis de Petrobrás abriram o pregão desta sexta-feira em alta com o aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã e a escalada dos contratos futuros do petróleo. Ações PN subiam 0,78%, a R$ 30,94, e ON estava em alta de 0,24%, a R$ 32,88. A commodity se mantém em alta próxima de 4% com o temor de retaliação do país do Oriente Médio ao ataque norte americano da noite de ontem.
"Apesar de à primeira vista a Petrobrás reagir positivamente, o mercado deverá monitorar se a companhia repassará o movimento nos próximos dias", diz a XP Investimentos em comentário a clientes. "Normalmente, a Petrobrás não tem reagido a movimentos de curto prazo e sem respaldo em dinâmicas estruturais de oferta e demanda, como no caso do ataque à Arábia Saudita em setembro."
Braskem
O desbloqueio do caixa para pagamento de compensações a moradores de Maceió ajuda as ações da petroquímica, que figuraram entre as maiores altas do Ibovespa, com ganhos de 4,97%, a R$ 31,91.
A Braskem informou que as autoridades concordaram em restituir os recursos do caixa que estavam bloqueados na Justiça como forma de custear o Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação dos 17 mil moradores afetados pelo afundamento de bairros em Maceió, em Alagoas.
O montante bloqueado era de R$ 3,7 bilhões por conta de ações judiciais movidas pelo Ministério Público Estadual, Defensoria Pública e Ministério Público Federal como forma de garantir a indenização aos moradores, dos quais a Braskem irá transferir R$ 1,7 bilhão para uma conta bancária da própria companhia para o programa.
A empresa terá de manter capital de giro mínimo no valor de R$ 100 milhões nesta conta, que será verificada por empresa de auditoria externa.
Companhias aéreas
As ações das companhias aéreas lideraram as baixas do Ibovespa na manhã, prejudicadas com os movimentos de alta do dólar e dos contratos futuros do petróleo. Gol PN recuou 2,72%, cotada a R$ 36,16, e Azul PN tinha perdas de 1,60%, a R$ 57,86.
"Esse é um contaminante de curto prazo que encarece duplamente as operações das companhias aéreas, que têm seus custos atrelados ao dólar e ao querosene de aviação", explica Pedro Galdi, analista da Mirae Asset.
Natura
Em meio à expectativa de consumação da aquisição da Avon, a ação da Natura & Co estava entre os poucos destaques positivos do Ibovespa, com ganho de 0,31%, aos R$ 38,45. A holding apresentou a nova diretoria para os negócios combinados, tendo Roberto Marques à frente, ele que era presidente executivo do conselho de administração da Natura.
O Citi vê o anúncio da nova gestão como positivo, ainda que já esperado. "A estrutura corporativa implementada à época da Body Shop funcionou bem, deixando Roberto Marques com uma visão geral dos negócios. A nova estrutura tem claramente o mesmo propósito". A equipe do Citi espera sinergias relevantes, mas também custos e complexidade por algum tempo. O preço alvo da casa é de R$ 35.
Felipe Laurence, O Estado de S.Paulo
