terça-feira, 27 de março de 2018

Presidente da Eletrobras defende retomada das obras de Angra 3 para melhorar balanço


O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Júnior, durante evento da CNI - Michel Filho / Agência O Globo


Geralda Doca, O Globo


O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Júnior, defendeu a retomada das obras de Angra 3 como uma forma de melhorar o balanço da estatal. No ano passado, a empresa teve prejuízo de R$ 1,7 bilhão, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira. Em 2016, a companhia havia registrado um luco de R$ 3,5 bilhões.

Wilson Ferreira Júnior explicou que um dos fatores que ajudaram a derrubar o resultado da estatal foi a elevação da provisão com perdas em obras inacabadas. No caso de Angra 3, por exemplo, o valor incorporado ao balanço foi de R$ 990 milhões. Ao todo, a Eletrobras já investiu na termelétrica R$ 11,288 bilhões e a previsão era concluir o empreendimento em 2024 — prazo que foi ampliado para 2025.

Ele disse que 63% da obras já estão concluídos. A decisão de retomada do empreendimento — que foi paralisado pela Lava-Jato — depende de uma decisão do Conselho Nacional de Política Energética. A expectativa é de uma definição nos próximos três meses.

— No momento em que tivemos uma decisão do CNPE de retomar a perspectiva de construção dessa usina eu recupero uma parte do valor incorporado na provisão. Infelizmente, isso prejudica o balanço — disse o presidente da Eletrobras.

Entre as vantagens de dar continuidade à obra, ele destacou que a usina vai gerar energia barata e não poluente, além de reforçar a carga na região Sudeste. Resolver essa questão também é uma condição para concluir o processo de privatização da Eletrobras. Uma das etapas é a cisão da Eletronuclear (formada por Angra1, 2 e 3) que hoje faz parte da estatal.

O balanço de 2017 também reconheceu perdas da Eletrobras decorrentes de investimentos em Sociedades de Propósito Específico (SPEs), no valor de R$ 617 milhões. No total, o valor da provisão atingiu R$ 4,6 bilhões, incluindo outros itens como prejuízo no segmento de distribuição de energia.

— Sem as provisões em balanço, teríamos um lucro de quase R$ 4 bilhões — destacou o presidente da Eletrobras, lembrando que o balanço de 2016 foi inflado por uma receita extraordinária R$ 28 bilhões e, que isto pode distorcer a comparação como resultado de 2017.

Segundo ele, a empresa quase quadruplicou o valor na Bolsa em um ano e meio, saindo de R$ 9 bilhões para R$ 34 bilhões. Entre os fatores, listou o corte de despesas com pessoal, redução da dívida e venda de ativos. A previsão é que o quadro de pessoal caia dos atuais 22 mil pessoas para 12 mil com a privatização. Ontem, a estatal anunciou um novo plano de demissão voluntária. A empresa também está em processo de implantação de centros administrativos compartilhados para acabar com a infinidade de funcionários espalhados em todo o país.

No ano passado, a Eletrobras registrou lucro líquido gerencial de R$ 178 milhões - o que representou queda de 22% em relação ao valor obtido em 2016, que foi de R$ 229 milhões. 

Já a receita operacional líquida gerencial subiu 21%, de R$ 25,549 bilhões em 2016 para R$ 30,887 bilhões em 2017. Assim, o Ebitda (lucro antes de encargos como juros, impostos e depreciação) teve alta de 44%, passando de R$ 3,845 bilhões para R$ 5,554 bilhões, no período.

O presidente da Eletrobras disse que a janela de oportunidade para emissão das ações da estatal — o que vai definir a privatização em si — fica entre 15 de novembro e janeiro. Isso porque a modelagem precisa ser feita com base no balanço mais recente (do terceiro trimestre), que tem limite de prazo limite para publicação. Até lá, o BNDES e a própria estatal precisam concluir os estudos e o Congresso aprovar o projeto que trata do tema, ainda no primeiro semestre.