quarta-feira, 27 de abril de 2016

Temer diz que não vai interferir na Lava Jato. E nem pode

Diogo Escosteguy - Epoca

Vice descarta o nome do advogado Antônio Cláudio 
Mariz de Oliveira e elogia as investigações


O vice-presidente Michel Temer disse nesta quarta-feira (27) a ÉPOCA que o ministro da Justiça no cada vez mais provável governo do PMDB "não se imiscuirá" na Lava Jato ou no trabalho da Polícia Federal. Temer ainda não definiu um nome para o cargo, mas já descartou o advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, seu amigo há décadas. Mariz já se manifestou contrariamente à Lava Jato.
Disse Temer: "Não posso, não devo e não irei interferir na Lava Jato, caso venha a ser provisoriamente presidente da República. Mesmo que pudesse interferir, jamais o faria. Como constitucionalista, tenho plena ciência dos meus deveres institucionais". O vice foi além: "Qualquer que seja o ministro da Justiça, será alguém comprometido com o bom andamento da Lava Jato e com a autonomia da Polícia Federal. Essa será a diretriz do nosso governo".
O vice-presidente, que foi citado na proposta de delação do empreiteiro José Antunes Sobrinhocomo revelou ÉPOCA, se disse tranquilo quanto às investigações. Elogiou os procuradores e delegados que tocam a Lava Jato. "A Lava Jato é  uma coisa muito boa para o Brasil. Já disse e repito. É preciso que as investigações prossigam com total tranquilidade".

Temer e seus assessores ainda buscam um nome para o Ministério da Justiça. Procuram um jurista consagrado, mas que não tenha antipatia pela Lava Jato – ou seja, uma tarefa difícil.
Vice-presidente Michel Temer  (Foto: AP)