quinta-feira, 28 de abril de 2016

Sob Dilma ´trambique`, cheque especial vai a 300% ao ano, maior desde o Plano Real


  - Simon Dawson / Bloomberg

Geralda Doca - O Globo

As condições do crédito para as famílias pioraram no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2015, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira pelo Banco Central (BC). Quem ficou pendurado no cheque especial pagou juros de 300,8% ao ano no mês passado — com elevação de 6,9 pontos percentuais (pp) na comparação com fevereiro e de 13,8 pp no primeiro trimestre deste ano. A taxa é a mais alta desde julho de 1994, ou seja, do início do Plano Real.

No mês passado, a taxa do cartão de crédito no rotativo também registrou recorde e alcançou 449,1% ao ano — aumento de 5,2 pp sobre fevereiro e de 17,7 pp no acumulado do ano. O custo mais elevado na modalidade da série do BC, iniciada em março de 2011. Com a tendência de encarecimento do cheque especial e do cartão, a taxa média de juros cobradas das famílias chegou a 69,2% ao ano em março - a mais alta dos últimos seis anos.

— As famílias devem evitar usar o cheque especial e o cartão de crédito porque o custo é muito elevado — aconselhou o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, acrescentando que o recomendável é renegociar a dívida e buscar modalidades mais baratas.

Mesmo no crédito consignado (com desconto em folha e risco mais baixo), a taxa subiu 0,4 pp entre fevereiro e março, para 29,9% ao ano (alta de 1,1 pp no trimestre). No CDC, o percentual bateu 126,1% no mês passado — elevação de 8,4 pp no ano. Já o índice de inadimplência para pessoas físicas permaneceu em 6,2%, considerando recursos que os bancos podem emprestar livremente.

Com juros mais elevados e a atividade econômica em retração, o volume total de crédito em circulação na economia ficou em R$ 3,160 trilhões — queda de 0,7% em relação ao mês anterior e 1,8% no primeiro trimestre do ano. Desde 2000, o BC não registrava recuo no volume dos empréstimos nos dois períodos.

— Os dados mostram uma desaceleração mais pronunciada no mercado no crédito neste ano. Certamente, reflete uma conjunção de fatores mais adversos à expansão do crédito, encabeçados por retração da atividade econômica, presença de eventos não econômicos, como a ampliação de incertezas e em decorrência disso, menor nível de confiança, tanto por parte dos agentes financeiros, quanto dos consumidores e empresários — disse Maciel.

Segundo ele, o crédito somente voltará a se expandir de forma significativa com a recuperação da economia e retomada da confiança. Neste ano, o BC tem previsão de aumento de 5% no volume total de empréstimos. Em 2015, o crescimento foi de 6,7% - muito inferior ao crescimento registrado em anos anterior, quando a atividade econômica e a renda estavam em alta, como em 2008, quando subiu 30% e em 2010, 20%.

O relatório do BC mostra que, com a piora nas condições do crédito e aperto no orçamento das famílias, o volume de crédito renegociado continua em alta: o saldo atingiu R$ 27,793 bilhões em março, aumento de 2,9% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2015.

Os dados do BC mostram ainda que as empresas estão com menor apetite por crédito, diante da falta de demanda na economia e cenário de incertezas, além da alta nas taxas. O saldo das operações para capital de giro caiu 10% no primeiro trimestre deste ano, considerando recursos direcionados emprestados pelo BNDES,