quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Justiça aceita denúncia e confisca apartamento de Cerveró

Renato Onofre e Cleide Carvalho - O Globo

Juiz Sérgio Moro rejeitou, entretanto, a denúncia contra Fernando Soares



O juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara de Curitiba, aceitou a denúncia contra o ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, e confiscou o apartamento de R$ 7,5 milhões comprado ilegalmente por Cerveró.

Em seu despacho, Moro também aceitou a denúncia contra o uruguaio Oscar Algorta, acusado de ajudar o ex-diretor na operação de compra do imóvel. Os dois responderão por lavagem de dinheiro.

Por outro lado, o juiz rejeitou a denúncia contra Fernando Soares, o Baiano, que também teve seu nome incluído na denúncia pelo Ministério Público Federal. Sobre Baiano, o juiz entendeu que, apesar de fortes indícios" na relação entre eles, durante a compra do aparatamento, não há provas da participação de Baiano nas transações. Um dos argumentos usados pelo juiz para aceitar a denúncia é que Cerveró pagaria um aluguel incompatível com "a dimensão e o valor do imóvel".

O MPF denunciou Cerveró por usar uma offshore no Uruguai para esconder a compra do apartamento. As investigações mostram que a operação começou em abril de 2007. A pedido de Cerveró, o uruguaio Algorta, que segundo o MPF era amigo pessoal do ex-diretor, abriu a empresa Jolmey S/A em Montevidéu. A empresa serviria de fachada para receber recursos ilícitos do ex-diretor. Para movimentar recursos no Brasil, eles decidiram abrir uma subsidiária no Brasil.

Para evitar suspeitas, a dupla contratou o advogado Marcelo Oliveira Mello para comandar a firma. Mello já havia trabalhado com Cerveró na Petrobras. Todas as negociações foram feitas por email e por telefone nos primeiros seis meses de 2008. Conforme depoimento do advogado, o pagamento do imóvel foi feita em três parcelas.

Para realizar a operação, Cerveró e Algorta enviaram R$ 2,6 milhões pela Jolmey do Uruguay para a subsidiária brasileira através de operações cambiais. Além dos R$ 1,5 milhão gastos na aquisição do imóvel, outros R$ 700 mil foram gastos na reforma do apartamento e o restante no pagamento de tributos e honorário advocatícios cobrados por Mello