segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Norte-Sul vai precisar de outras quatro ferrovias para integrar logística nacional



Dyelle Menezes e Gabriela Salcedo - Contas Abertas

Quando concluída, a Ferrovia Norte-Sul consolidará a espinha dorsal do transporte ferroviário brasileiro. Mas antes é preciso tocar as obras de novas ferrovias e integrar a malha ferroviária para permitir o escoamento da carga oriunda do interior do país. A conclusão é do estudo A Ferrovia Norte-Sul e a integração nacional, elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

FERROVIA-NORTE-SUL-ANAPOLIS-GO

O trabalho aponta que, uma vez finalizada, a via induzirá um grande crescimento no transporte de cargas do interior do país para exportação e na movimentação de cargas entre regiões do país. Porém, só o mercado exportador de grãos da região Centro-Oeste, por exemplo, passará a ter acesso a cinco portos da regiões Norte e Nordeste para embarcar cargas hoje movimentadas sobre rodovias.

Atualmente, de acordo com CNI, a infraestrutura de transportes de cargas é pouco eficiente e dificulta a inserção e adequação do setor aos padrões de competição e qualidade internacionais. “A superação desses gargalos depende de uma reestruturação institucional do setor visando a integração do planejamento e articulação de funções dos órgãos intervenientes”, explica estudo.

Para alterar o cenário, o estudo considera fundamental concluir a Ferrovia Transnordestina, que dará acesso aos portos de Pecém (CE) e de Suape (PE), a Ferrovia de Integração Oeste-Leste, que liga o interior da Bahia ao porto de Ilhéus (BA), e construir a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), entre Mato Grosso e Goiás, melhorando o transporte na principal região produtora de grãos do país.

O prolongamento da Ferrovia Norte-Sul entre Açailândia (MA) e Barcarena (PA), no entanto, é um dos passos mais relevantes para consolidá-la como grande eixo da logística nacional. “Com este trecho, será estabelecida uma rota do centro do país até o porto de Vila do Conde (PA), importante saída para exportação marítima para a Europa e para a Ásia, pelo Canal do Panamá”, ressalta a CNI. 

O trecho deve quintuplicar o volume de carga transportado na Norte-Sul, em 2013, que foi de 3 milhões de toneladas úteis.

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