Após manifestantes serem retirados da sala, María Corina exibiu um vídeo com cenas da polícia reprimindo protestos na Venezuela
- Ao desembarcar em Brasília, ela classificou a cassação de seu mandato de ‘aberração típica’ de ditadura
Demétrio Weber - O Globo
Um grupo de manifestantes entrou na sala onde acontecia a reunião da Comissão de Relações Exteriores do Senado, durante a audiência com a participação da deputada venezuelana María Corina Machado. A opositora, cujo mandato foi cassado pelo Congresso na semana passada, havia começado a falar havia poucos minutos quando foi interrompida pelo protesto. Eles começaram a gritar “golpista” e foram retirados por seguranças. Logo depois, a parlamentar exibiu um vídeo com cenas da polícia reprimindo protestos na Venezuela.
Mais cedo, ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Brasília, María Corina classificou a cassação de seu mandato de uma “aberração típica de uma ditadura”. Ela chegou à capital por volta das 11h para participar de reuniões com as comissões de Relações Exteriores do Senado e da Câmara nesta tarde.
A deputada afirmou que a Venezuela vive hoje sob censura e que a imprensa internacional tem sido fundamental para mostrar ao mundo o que se passa naquele país.
— Na Venezuela há uma censura atroz. Graças a vocês o mundo viu a crueldade de uma repressão massiva e sistemática por parte do regime de Maduro e começa a chamar as coisas por seu nome. Na Venezuela não há democracia, há um regime que atua como uma ditadura — disse a repórteres.
María Corina acrescentou que continua sendo deputada, porque assim decidiu o povo da Venezuela.
— É uma aberração. É um ato que só ocorre em ditaduras. Vim a Brasília como deputada e vou continuar sendo nas ruas da Venezuela.
A parlamentar foi recebida pelo presidente da Comissão de Relações de Exteriores do Senado, Ricardo Ferraço (PMDB-ES), e por dois venezuelanos que moram no Brasil. Um deles presenteou a deputada com rosas. Ela ficará no Brasil até sexta-feira ou sábado.