Com elevação da taxa de juros a 11% ao ano, até as aplicações de seis meses, mais tributadas, rendem mais que a caderneta
Marcello Corrêa - O Globo

A elevação da taxa básica de juros, a Selic, a 11% ao ano, aumentou ainda mais a vantagem dos fundos DI em relação à caderneta de poupança. Segundo simulações da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), os fundos com taxa de administração de 2,5%, considerada a alta, passam a render 0,56% ao mês, o equivalente a 6,93% ao ano, para resgates acima de dois anos. A poupança, pelas regras atuais, rende 6,17% ao ano.
A aplicação já vinha se tornando mais rentável desde que a Selic começou a escalada de alta, no ano passado, alcançando o patamar de dois dígitos. Na última elevação, anunciada no fim de fevereiro, os fundos, que investem em títulos pós-fixados (cujas taxas variam conforme a Selic), passaram a se tornar mais rentáveis. Agora, com a nova alta desta quarta-feira, a vantagem se ampliou.
Desde que a taxa Selic ultrapassou a marca de 8,5%, tanto as novas como as antigas cadernetas de poupança rendem conforme a mesma regra: 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR). Apesar do baixo rendimento, comparado a outras aplicações financeiras, a tradicional poupança costuma ser lembrada por consultores pela vantagem de ser isenta de Imposto de Renda.
Vantagem mesmo considerando IR
Já os fundos DI obedecem a uma tabela que diminui a alíquota do IR de acordo com o prazo para resgate: saques seis meses após a aplicação sofrem tributação de 22,5%, enquanto os ganhos realizados com prazo de dois anos ou mais pagam apenas 15% de IR.
No entanto, mesmo com a mordida mais feroz do IR das aplicações de curto prazo e considerando taxas de administração acima da média do mercado, os fundos DI têm desempenho melhor que a poupança. Segundo a simulação da Anefac considerando a Selic a 11%, fundos com prazo de seis meses e taxa de administração de 1,5% ao ano têm rendimentos líquidos de 0,57% ao mês (7,06% ao ano).
Com a nova Selic, o investidor que aplicar R$ 10 mil em um fundo com taxa de 1,5% ao ano terá, daqui a 12 meses, um montante de R$ 10.731. Já quem preferir deixar a mesma quantia na poupança terá, no mesmo período, R$ 10.655 ao fim do prazo.
Para Miguel Ribeiro, diretor executivo de estudos e pesquisas econômicas da Anefac, o investidor deve ter em mente que a tendência da Selic é de alta nos próximos meses, com a perspectiva de que o Banco Central precise fazer novas elevações da taxa para combater a inflação, que tem se mostrado resistente e próxima do teto da meta do governo, de 6,5%. Levando isso em consideração, as melhores opções são justamente os fundos DI, em vez de fundos prefixados.
— Como estamos em um ambiente com a Selic subindo e possivelmente teremos novas elevações por conta da inflação muito alta, com um ambiente de preços que podem eventualmente ser reajustados (preços administrados), isso quer dizer que a tendência é que os juros continuem subindo. Em um ambiente desse, a melhor alternativa é aplicar num fundo DI. Em um fundo tradicional, se a Selic subir, você não se beneficia disso — explica Ribeiro.
Caderneta recomendada para saques rápidos
Ainda de acordo com as simulações da Anefac, a caderneta só é melhor negócio quando comparada a fundos DI com alta taxa de administração, de 3% ao ano. Nesse caso, o rendimento para aplicações de seis meses é de apenas 0,46% ao mês (5,66% ao ano), perdendo inclusive para a inflação, que, segundo a pesquisa Focus mais recente, deve encerrar o ano em 6,3% ao ano.
Segundo o educador financeiro Mauro Calil, a caderneta continua sendo uma boa opção para guardar uma reserva de emergência, que pode ser sacada a qualquer momento. O especialista recomenda que os investidores sigam o planejamento de cada aplicação e evite sacar o dinheiro antes do momento certo, para não ter perdas.
— Não adianta usar fundos como caderneta de poupança, entrar e sair todo o mês da aplicação. Sempre recomendo o seguinte: divida os investimentos em aplicações de 90 dias, seis meses, um ano e meio e dois anos. Assim, você tem dinheiro sempre. E para aquele dinheiro de curtíssimo prazo, mantenha na caderneta de poupança — orienta Calil, que indica ainda os Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), que, assim como a poupança, são isentas de tributação de IR.
A aplicação já vinha se tornando mais rentável desde que a Selic começou a escalada de alta, no ano passado, alcançando o patamar de dois dígitos. Na última elevação, anunciada no fim de fevereiro, os fundos, que investem em títulos pós-fixados (cujas taxas variam conforme a Selic), passaram a se tornar mais rentáveis. Agora, com a nova alta desta quarta-feira, a vantagem se ampliou.
Desde que a taxa Selic ultrapassou a marca de 8,5%, tanto as novas como as antigas cadernetas de poupança rendem conforme a mesma regra: 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR). Apesar do baixo rendimento, comparado a outras aplicações financeiras, a tradicional poupança costuma ser lembrada por consultores pela vantagem de ser isenta de Imposto de Renda.
Vantagem mesmo considerando IR
Já os fundos DI obedecem a uma tabela que diminui a alíquota do IR de acordo com o prazo para resgate: saques seis meses após a aplicação sofrem tributação de 22,5%, enquanto os ganhos realizados com prazo de dois anos ou mais pagam apenas 15% de IR.
No entanto, mesmo com a mordida mais feroz do IR das aplicações de curto prazo e considerando taxas de administração acima da média do mercado, os fundos DI têm desempenho melhor que a poupança. Segundo a simulação da Anefac considerando a Selic a 11%, fundos com prazo de seis meses e taxa de administração de 1,5% ao ano têm rendimentos líquidos de 0,57% ao mês (7,06% ao ano).
Com a nova Selic, o investidor que aplicar R$ 10 mil em um fundo com taxa de 1,5% ao ano terá, daqui a 12 meses, um montante de R$ 10.731. Já quem preferir deixar a mesma quantia na poupança terá, no mesmo período, R$ 10.655 ao fim do prazo.
Para Miguel Ribeiro, diretor executivo de estudos e pesquisas econômicas da Anefac, o investidor deve ter em mente que a tendência da Selic é de alta nos próximos meses, com a perspectiva de que o Banco Central precise fazer novas elevações da taxa para combater a inflação, que tem se mostrado resistente e próxima do teto da meta do governo, de 6,5%. Levando isso em consideração, as melhores opções são justamente os fundos DI, em vez de fundos prefixados.
— Como estamos em um ambiente com a Selic subindo e possivelmente teremos novas elevações por conta da inflação muito alta, com um ambiente de preços que podem eventualmente ser reajustados (preços administrados), isso quer dizer que a tendência é que os juros continuem subindo. Em um ambiente desse, a melhor alternativa é aplicar num fundo DI. Em um fundo tradicional, se a Selic subir, você não se beneficia disso — explica Ribeiro.
Caderneta recomendada para saques rápidos
Ainda de acordo com as simulações da Anefac, a caderneta só é melhor negócio quando comparada a fundos DI com alta taxa de administração, de 3% ao ano. Nesse caso, o rendimento para aplicações de seis meses é de apenas 0,46% ao mês (5,66% ao ano), perdendo inclusive para a inflação, que, segundo a pesquisa Focus mais recente, deve encerrar o ano em 6,3% ao ano.
Segundo o educador financeiro Mauro Calil, a caderneta continua sendo uma boa opção para guardar uma reserva de emergência, que pode ser sacada a qualquer momento. O especialista recomenda que os investidores sigam o planejamento de cada aplicação e evite sacar o dinheiro antes do momento certo, para não ter perdas.
— Não adianta usar fundos como caderneta de poupança, entrar e sair todo o mês da aplicação. Sempre recomendo o seguinte: divida os investimentos em aplicações de 90 dias, seis meses, um ano e meio e dois anos. Assim, você tem dinheiro sempre. E para aquele dinheiro de curtíssimo prazo, mantenha na caderneta de poupança — orienta Calil, que indica ainda os Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), que, assim como a poupança, são isentas de tributação de IR.