
Já está virando lugar comum, mas não deixa de ser verdade por isso: somente o aumento de nossa produtividade pode fazer com que a economia brasileira cresça a taxas decentes daqui para a frente. O estímulo à demanda por meio de artifícios estatais se esgotou, e pressiona a inflação sem produzir aumento de riqueza. Os bons economistas já falavam isso antes, e agora, mais do que nunca, está claro que o Brasil precisa focar na produtividade.
Esse foi o tema do artigo “A aritmética do crescimento”, do economista da JGP, Fernando Rocha, no jornal Valor Econômico hoje. Rocha chama a atenção para a brutal diferença, por exemplo, em nossa infraestrutura vis-à-vis a de países mais desenvolvidos, incluindo os emergentes da Ásia. Os serviços prestados também são mais eficientes, a burocracia é menor, etc.
Enquanto não mudarmos essa realidade, que compõe o famoso “Custo Brasil”, estaremos condenados a um crescimento medíocre com elevada inflação. Rocha conclui:
Se olharmos o que aconteceu em países como a Inglaterra, EUA, Japão ou Coreia do Sul, nos seus respectivos ciclos de crescimento acelerado, veremos que o mesmo fenômeno aconteceu. A conclusão é que não existe crescimento acelerado sem aumento substancial da produtividade. Isso se consegue com educação e treinamento da força de trabalho, melhoria do ambiente de negócios, simplificação da burocracia, redução de impostos e investimentos em infraestrutura. O Banco Mundial tem uma publicação chamada “Doing Business”, em que há uma classificação dos países em quesitos que avaliam a facilidade de se fazer negócios em cada um. O Brasil figura em 116º lugar entre 189 países. Países em desenvolvimento como África do Sul (41º), Peru (42º), México (53º) e Turquia (69º) aparecem em posições bem melhores enquanto países da Ásia se destacam nos primeiros lugares: Cingapura (1º), Hong Kong (2º) e Coreia do Sul (7º). Melhorar a posição nessa lista deveria ser o objetivo número 1 de um governante brasileiro.
Por fim, é importante acrescentar que o Brasil não é mais um país de mão de obra abundante. Passamos por uma importante transformação demográfica, com queda substancial da natalidade. A população brasileira em idade ativa cresce atualmente a uma taxa que se aproxima de 1% ao ano. Por outro lado, o desemprego teve uma redução substancial ao longo dos últimos dez anos, o que garantiu um crescimento da população ocupada bem acima do crescimento da população em idade ativa. Isso não deve acontecer mais. Deste modo, a contribuição do fator trabalho para o crescimento do PIB tende a decrescer bem, do 1,3% ao ano apurado por Bacha e Bonelli (2012) para algo próximo de 0,5% ao ano. É urgente, portanto, a agenda do aumento da produtividade para se avançar mais rapidamente.
Sabemos o caminho das pedras. Infelizmente, sabemos também que poucos políticos demonstram ter a coragem de um estadista para enfrentar tais desafios e melhorar o ambiente institucional para o empreendedorismo. Sabemos, ainda, que este governo Dilma, ainda favorito para vencer as próximas eleições, não só é incapaz de melhorar o quadro, como agiu com diligência para piorá-lo. Produtividade e PT são duas coisas que, pelo visto, não se misturam…