quinta-feira, 6 de março de 2014

Balança comercial: Conta petróleo surpreendeu negativamente

Balança comercial: conta petróleo surpreendeu negativamente, avalia especialista. José Augusto de Castro, presidente da AEB, esperava déficit menor em fevereiro

Eliane Oliveira - O Globo

 
O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, esperava um déficit em fevereiro de até US$ 1,8 bilhão.
 
— O fator surpresa, para mim, foi a conta petróleo. Houve um déficit de US$ 2,5 bilhões, valor maior do que saldo mensal. A exportação de petróleo e derivados está muito baixa -— disse Castro.

Outro ponto negativo destacado pelo presidente da AEB é o aumento de 49% das importações de máquinas e aparelhos para uso doméstico. Ao mesmo tempo, as compras de bens de capital caíram 13,1%. Para ele, os empresários estão atrasando as compras de máquinas e equipamentos à espera de novos ex-tarifários. Por não terem similares nacionais, serão contemplados com a redução do Imposto de Importação.
Ele citou a Argentina como “surpresa agradável”, pois o saldo com aquele país, em vez de diminuir, por causa da crise, acabou aumentando. O Brasil diminuiu as importações de produtos argentinos.
— A impressão que se tem é que a crise está aqui, e não do outro lado — brincou.

Castro acredita que a situação vai melhorar a partir deste mês, com o embarque mais forte de soja e minério de ferro. Em sua opinião, é possível que a balança registre superávits nos meses de abril, maio e junho.

Segundo ele, o Brasil continuará dependendo de commodities para sustentar as exportações. São esperadas altas significativas nos preços da soja, do café e do açúcar. Por outro lado, a indústria brasileira continua sem competitividade em relação a outros mercados, como os asiáticos.
— Seria importante que as indústrias brasileiras tivessem mais condições de competir — afirmou.