sexta-feira, 25 de julho de 2025
Augusto Nunes - 'Mais em vez de mas é demais'
Moraes ensina que assassinar o português é pecado venial
H á poucas semanas, esta coluna alertou Alexandre de Moraes para os riscos do discurso de improviso. É coisa para tribunos da série A — e os grandes domadores de palavras parecem figurar na lista das espécies em acelerada extinção. O ministro que há pelo menos cinco anos chefia a polícia política da ditadura da toga é um orador medíocre. No país governado por um analfabeto, não há motivos para que os ruins de discurso, na imagem de Nelson Rodrigues, chorem lágrimas de esguicho sentados no meiofio.
Mas não custa contornar armadilhas e evitar vexames, ponderei. Para tanto, bastaria identificar um juiz auxiliar que trate o idioma com mais respeito e intimidade e encarregá-lo de escrever os textos. Meia dúzia de ensaios garantiria ao orador uma boa leitura. E assim estaria assegurada a salva de palmas com a qual plateias amestradas saúdam até piadas repetidas desde o Descobrimento. É o que deveria ter feito Moraes depois de desistir de consumar a prisão de Jair Bolsonaro já nesta quinta-feira, 24 de julho, alegando que o ex-presidente descumprira a ordem de esperar calado a condenação à prisão programada para o segundo semestre pelo grupo que controla o Supremo.
Sempre afobado, o Primeiro Carcereiro esqueceu o conselho, e fez questão de redigir pessoalmente o palavrório que se estende por sete páginas. A caudalosa sopa de letras exibe em toda a sua desoladora inteireza o estilo do Moraes escritor. A marca de nascença mais visível: ele ama parágrafos imensos feitos de uma frase só. Com o sumiço dos pontos intermediários, desapareceram os pedágios que abrandam a ansiedade dos prolixos patológicos. E multiplicou-se extraordinariamente a multidão de vírgulas.
Algumas vírgulas indispensáveis caíram fora de vez. Outras que faltaram na primeira metade do catatau reapareceram na segunda para, sem pedir licença, intrometer-se entre o sujeito e o predicado.
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Um sinalzinho no a que abre a expressão transformou o correto “a favor” num obsceno “à favor”. (Também informou que Moraes nunca ouviu a lição do poeta Ferreira Gullar: “A crase não foi feita para humilhar ninguém”.) Quando algum tema lhe parece especialmente irritante, um curto trecho em negrito precede PROCISSÕES DE LETRAS MAIUSCÚLAS QUE AVISAM: O AUTOR ESCREVEU AOS BERROS AQUELE TRECHO. Moraes também vê no ponto de exclamação a bengala do idioma, que usa para espancar vigorosamente quem discorda de verdades oficiais. O superdoutor se valeu de todos esses recursos para transformar duas linhas da quinta página, destacadas pelos espaços em branco, no mais comentado momento do cortejo de vogais e consoantes. Transcrevo sem retoques nem correções:
Como diversas vezes salientei na Presidência do TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL, A JUSTIÇA É CEGA MAIS NÃO É TOLA!!!!! O negrito introdutório, 11 palavras com letras maiúsculas e cinco portentosas bengaladas. Cinco!!!!! Estava faltando o quê? Nada, admitiram todos os combatentes da nação polarizada. O problema é que estava sobrando um i na palavrinha entre o CEGA e o NÃO. Em vez de mas, Moraes escrevera mais. Qualquer brasileiro alfabetizado que faça uma coisa dessas deve ser devolvido ao velho Jardim da Infância. Consumado pelo mais poderoso figurão do Supremo, é mais que um pontapé no português. É crime hediondo. A esta altura, o autor deveria estar tentando escapar de temporadas num colégio jesuíta, enquanto amigos e parentes tratavam de arranjar dinheiro para pagar a multa de assustar Sérgio Cabral.
Somada aos socos e pontapés que atingem a gramática e a ortografia ao longo do palavrório, a delinquência custaria ao responsável as mesmas restrições impostas aos envolvidos no golpe de Estado cujo apoio logístico incluiu algodão-doce, estilingue e batom. Os jornalistas da imprensa estatizada fizeram de conta que não ocorreu nenhum assassinato do português. Moraes não perdeu tempo com pecados veniais. Aliás, se alguém ousar incomodá-lo por tão pouco, ele certamente terá o apoio ostensivo da comissão de sabidos que, dois dias antes do crime, incluíra seu nome no grupo de finalistas na disputa do Prêmio Jabuti Acadêmico. O impetuoso centroavante do Timão da Toga chegou à fase decisiva com um livro cujo título resume o conteúdo: Democracia e Redes Sociais — O Desafio de Combater o Populismo Digital Extremista.
Deve ter sido por isso que o escritor derrapou tantas vezes nas sete páginas incorporadas ao latifúndio digital ocupado pelo golpe que não houve. Moraes estava concentrado na busca de truques e mágicas que transformem a oficialização da censura nas redes sociais — patifaria muito apreciada por amantes de ditaduras — numa inovação indispensável à consolidação do regime democrático.
É o Brasil.
Augusto Nunes- Revista Oeste
'O rolo compressor de Donald Trump', por Ana Paula Henkel
Os primeiros seis meses da segunda temporada de Donald Trump na Casa Branca foram os mais 'bem-sucedidos' de qualquer presidente americano desde Franklin D. Roosevelt
V olume e velocidade. No dia 20 de julho, Donald Trump completou seis meses de Casa Branca em seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos da América. Seis meses que parecem seis anos. Depois de vencer a eleição presidencial de 2024 com promessas de reprimir a imigração ilegal, combater a cultura woke e reduzir impostos, as conquistas de seu governo colocam a América de volta na liderança econômica, social e militar no mundo.
De acordo com uma análise realizada pela Newsweek usando inteligência artificial e cientistas políticos, os primeiros seis meses da segunda temporada de Donald Trump na Casa Branca foram os mais “bem-sucedidos” de qualquer presidente americano desde Franklin D. Roosevelt, presidente americano durante a Segunda Guerra Mundial. O modelo define sucesso em termos de conquistas legislativas, levando em consideração o grau de controle sobre o Congresso que o partido de cada presidente desfrutava durante o período relevante.
Trump tem sido bem-sucedido em aprovar muitas de suas prioridades em lei, fortemente apoiado pela estreita maioria republicana em ambas as câmaras do Congresso e com mínima resistência da Suprema Corte.
Com um governo repleto de titãs em cada setor (veja detalhes de suas principais pastas no artigo “Um governo de titãs” , de 4 de abril de 2025), uma das estrelas de Trump é Scott Bessent, secretário do Tesouro. Bessent, em uma recente entrevista à Fox News, pintou um quadro vívido do ritmo vertiginoso da administração Trump, enfatizando como o gabinete está agressivamente impulsionando o progresso e movendo o pêndulo rumo a um futuro mais brilhante para a América.
O entusiasmo de Bessent era palpável enquanto ele detalhava os sucessos rápidos que redefiniram o que é possível em Washington. É um sentimento que ressoa profundamente no dia a dia dos americanos: em apenas seis meses desde sua posse para um histórico segundo mandato, o presidente americano entregou o primeiro semestre mais bem-sucedido no cargo de qualquer presidente na história americana moderna.
Promessas feitas, promessas cumpridas — esta administração transformou ousadas propostas eleitorais em resultados tangíveis, revitalizando a economia, garantindo as fronteiras, promovendo a paz no exterior e restaurando a grandeza americana em uma velocidade alucinante.
Triunfos econômicos: empregos e crescimento vertiginoso A economia de Trump está rugindo de volta com uma força sem precedentes. O Congresso aprovou o One Big Beautiful Bill, lei que entrega o maior corte de impostos da história americana, aumentando o salário líquido dos americanos em até US$ 13,3 mil por família.
Essa legislação histórica também encerrou benefícios para pelo menos 1,4 milhão de imigrantes ilegais que estavam explorando o sistema público, o que garante que os dólares dos pagadores de impostos beneficiem os cidadãos americanos e residentes legais em primeiro lugar.
A criação de empregos rompeu expectativas, com a economia dos EUA adicionando um saldo de 671 mil empregos desde janeiro de 2025. O crescimento salarial de operários atingiu seu maior aumento em quase 60 anos em maio, destacando o foco da administração nos americanos da classe trabalhadora (blue collar). A inflação está firmemente sob controle, com a inflação núcleo em apenas 2,1% — similar aos níveis do primeiro mandato de Trump —, e tem consistentemente atendido ou superado as previsões dos economistas.
A inflação no atacado permaneceu estável em junho, e os preços de importação caíram bem abaixo das expectativas. Os custos cotidianos estão despencando: o preço no atacado de uma dúzia de ovos diminuiu mais de 50% (cerca de US$ 3) desde a posse e mais de 60% (aproximadamente US$ 5) de seu pico em março.
Os preços da gasolina agora em julho atingiram o ponto mais baixo desde 2021, ajustados pela inflação para perto de um mínimo em 20 anos. A desregulamentação está impulsionando esse boom, economizando para os americanos mais de US$ 180 bilhões. Apenas a reversão de regras relacionadas a automóveis deve economizar para os consumidores mais de US$ 1 trilhão. Empresas e governos estrangeiros comprometeram mais de US$ 7,6 trilhões em investimentos nos EUA, enquanto o Tesouro arrecadou quase US$ 90 bilhões em tarifas desde janeiro, registrando um superávit recorde de US$ 27 bilhões em junho — o primeiro superávit de junho desde 2005.
Trump, mestre em negociações, assinou acordos transformadores, incluindo um acordo de minerais com a Ucrânia, uma venda de “Ação Dourada Perpétua” de US$ 14 bilhões da U.S. Steel e acordos comerciais com o Reino Unido, a China e a Indonésia. O S&P 500 e o Nasdaq atingiram múltiplos recordes históricos, refletindo uma confiança inabalável no mercado.
O Congresso também aprovou o pacote histórico de rescisões de Trump, cortando US$ 9 bilhões em gastos desperdiçados em ajuda externa de esquerda e emissoras públicas tendenciosas, como NPR e PBS.
Imigração e segurança de fronteiras: uma fortaleza reconstruída
Nenhum problema define o segundo mandato de Trump mais do que seu compromisso inabalável com a segurança das fronteiras. A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA deteve apenas 6.070 imigrantes ilegais na fronteira sul em junho — um novo recorde baixo. As solturas em liberdade condicional caíram para zero em junho, em comparação com mais de 27,7 mil no ano anterior. As deportações dispararam, com junho estabelecendo um recorde para voos de deportação.
A iniciativa de autodeportação de Trump tem sido um sucesso retumbante, e mais de 600 terroristas conhecidos ou suspeitos foram expulsos do país. A Imigração e Alfândega dos EUA prendeu mais de 100 mil criminosos imigrantes ilegais, incluindo quase 3 mil membros da brutal gangue Tren de Aragua.
Uma ordem executiva em fevereiro protegeu mais de US$ 40 bilhões em programas de benefícios de imigrantes ilegais, priorizando os cidadãos dos EUA. A Suprema Corte apoiou esses esforços, aprovando deportações para terceiros países, revogando o status de proteção temporária para mais de 500 mil migrantes e restringindo injunções nacionais de juízes ativistas. Trump também reprimiu cartéis internacionais, designando oito grupos latino-americanos — incluindo Tren de Aragua, MS-13 e o Cartel de Sinaloa — como organizações terroristas.
Legislações históricas, como a Lei Laken Riley e a Lei Halt Fentanyl, fortalecem ainda mais as defesas da América contra o crime e as drogas. O Brasil, sob o governo Lula, optou por não cooperar com os EUA na designação do PCC como organização terrorista, uma medida que poderia sufocar ainda mais as artérias financeiras dos cartéis que financiam o crime e o terrorismo global.
Independência energética e desregulamentação
Ao declarar uma emergência energética, Trump acelerou as licenças para perfuração de petróleo e gás para a taxa mais rápida em anos — 44% acima da era Biden. Isso impulsionou os EUA em direção à dominância energética, com preços se estabilizando e a produção aumentando.
Maestria e força em política externa
Os globalistas torcem o nariz, mas a habilidade diplomática e a força de Trump brilham no palco global. Ele garantiu um acordo histórico da Otan que eleva os gastos de defesa dos membros para 5% do PIB — um objetivo havia muito almejado.
Sob sua liderança, os EUA obliteraram o programa nuclear do Irã por meio da Operação Martelo da Meia-Noite, um ataque militar de precisão em instalações-chave, incluindo Fordow, Isfahan e Natanz, com a utilização de bombardeiros B-2, mísseis Tomahawk e outros ativos, em uma investida complexa que exibiu a superioridade militar americana. Essa ação decisiva, executada com coordenação impecável, preveniu uma ameaça nuclear e demonstrou a efetividade do término da cultura woke nas Forças Armadas, libertando a cadeia de comando de distrações políticas.
Cessar-fogos entre Índia e Paquistão e entre Israel e Irã, junto com um acordo de paz entre Ruanda e a República Democrática do Congo, além de um caminho para a estabilidade na Síria, destacam a índole pacificadora de Trump. Esses esforços lhe renderam três indicações ao Prêmio Nobel da Paz em meros meses, prêmio que dificilmente irá parar em sua estante por motivos puramente políticos.
Trump reuniu-se com 23 líderes estrangeiros, incluindo três visitas do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e duas do secretário-geral da Otan — superando em muito os 13 encontros presenciais de Obama e os cinco de Biden durante seus primeiros seis meses.
Ele também assinou um acordo fornecendo bilhões em equipamentos militares para a Ucrânia, com a Otan arcando com os custos, e solidificou a liderança dos EUA em inteligência artificial, atraindo mais de US$ 1 trilhão em investimentos, incluindo US$ 90 bilhões na Pensilvânia para IA e energia.
Reformas sociais, culturais e na saúde
Mais de 170 ordens executivas cumpriram promessas-chave: fechar a fronteira, banir homens de esportes femininos, encerrar mutilações químicas e cirúrgicas em menores, interromper a censura federal, erradicar a doutrinação radical nos ensinos fundamental e médio, e desmantelar programas de DEI governamentais radicais que desperdiçavam bilhões de dólares do dinheiro público.
Com isso, entidades como a Universidade da Pensilvânia, a Liga de Escolas Secundárias da Virgínia e o Sistema da Universidade do Maine barraram homens de esportes femininos. Nesta semana, após a pressão da ordem executiva de Trump intitulada “Mantendo Homens Fora dos Esportes Femininos”, o Comitê Olímpico e Paralímpico dos EUA (USOPC) atualizou sua política de elegibilidade para atletas, proibindo efetivamente mulheres transgênero de competir em esportes femininos nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. A ordem ameaça retirar o financiamento federal de organizações que não a cumprirem.
A iniciativa Make America Healthy Again viu 35% da indústria alimentícia se comprometer a eliminar corantes artificiais, incluindo gigantes como Hershey’s e produtores de sorvete, cobrindo 90% das vendas nos EUA.
O recrutamento militar está prosperando, com o Exército, a Marinha, a Força Aérea e a Força Espacial dos EUA atingindo suas metas de recrutamento meses antes do previsto. As taxas de alistamento dispararam para o ponto mais alto em décadas, impulsionadas pelo foco da administração no mérito, como evidenciado pela execução perfeita da Operação Martelo da Meia-Noite.
A taxa de homicídios está no caminho para um mínimo histórico, graças à restauração da lei e da ordem com o engrandecimento e o reconhecimento do valor das forças policiais.
Um legado em movimento
Em seis meses que parecem seis anos, apesar de toda a gritaria global,
principalmente dos esquerdistas, Trump provou por que a América o
escolheu novamente. Volume e velocidade definem esta administração
— entregando prosperidade, segurança e reais perspectivas em um
ritmo inigualável na história. Como Bessent apropriadamente disse, o
pêndulo está se movendo, e o futuro da América nunca pareceu tão
brilhante.
Ana Paula Henkel - Revista Oeste
Rodrigo Constantino - 'Negando a realidade'
Trump já deixou mais do que claro que uma das prioridades, senão a principal, é justamente a interrupção da caça às bruxas contra Bolsonaro
S ão conhecidas as cinco fases do luto, segundo Elisabeth Kübler-Ross: negação, raiva, barganha, depressão e, finalmente, aceitação. Quando observamos a postura de boa parte das elites, dos agentes do governo e até dos mercados brasileiros, a sensação que fica é a de que ainda estamos no primeiro estágio. Muita gente vem negando a realidade, simples assim.
Falar do mercado de câmbio é sempre complicado, pois parece que ele existe para transformar os profetas economistas em gente mais humilde. Mas o dólar oscilando em torno de R$ 5,50 parece um mar de tranquilidade para as vésperas das sanções impostas pelos Estados Unidos, com tarifas de até 50% sobre os produtos brasileiros. O que será que passa pela cabeça dos especuladores? Que as tarifas serão evitadas de alguma forma milagrosa aos 45 do segundo tempo? Esse marasmo parece estranho.
O ministro Haddad disse que a Casa Branca concentra o tema do tarifaço e que isso dificulta qualquer acordo. “Estamos fazendo tentativas de contato reiteradas, mas há uma concentração de informações na Casa Branca. Alckmin está tendo contato com secretários. No nosso caso, da Fazenda, temos contato com a equipe técnica do Tesouro americano, mas não com o secretário”, disse o ministro a jornalistas.
Geraldo Alckmin estaria tendo encontros “reservados” com gente do governo americano, talvez tão reservados que ninguém do alto escalão tomou sequer conhecimento. Enquanto isso, Lula segue com sua retórica irresponsável, atacando Trump, e Moraes continua dobrando a aposta. A ficha dessa turma ainda não caiu…
O presidente americano vem colecionando vitórias importantes em suas negociações comerciais, como ficou claro no caso histórico do Japão. Seu estilo duro de negociação vem rendendo bons frutos aos americanos. Mas é importante se dar conta de que ele consegue o grosso daquilo que quer, que demanda, que coloca como prioridade na mesa.
Ora, no caso brasileiro, Trump já deixou mais do que claro que uma das prioridades, senão a principal, é justamente a interrupção da caça às bruxas contra Bolsonaro. Ele disse com todas as letras que o problema é o STF, mas boa parte do governo e das elites finge não ter compreendido o recado. Querem discutir apenas aspectos econômicos. Como achar que vão evitar o pior agindo dessa forma claramente alienada?
Os mesmos que faziam piadas no começo com a possibilidade “remota” de perda de vistos ou sanções individuais a ministros supremos agora se recusam a comentar o assunto. Mas reparem que, mesmo com a perda de vistos, ainda tem muita gente, inclusive na imprensa, que considera o Magnitsky fora de questão. Novamente, trata-se de pura negação da realidade. As punições estão apenas começando e certamente vão escalar, até pela reação de Alexandre de Moraes e seus cúmplices.
Ou o sistema brasileiro realmente recua de sua sanha autoritária, ou tenta se fechar de vez e consolidar um poder totalitário tirânico, arcando com as consequências e lançando o país todo na total miséria. É isso que está em jogo. Trump quer evitar uma nova Venezuela no continente e deixou isso evidente. Mas pelo visto uma parte considerável do andar de cima, dos “donos do poder”, acredita que é possível evitar o pior sem entregar o que Trump exige. É pura ilusão.
Quando a realidade bater à porta, virá a fase da raiva. Só depois é que muitos tentarão a barganha, e restará saber se será tarde demais ou não. Se for tarde, aí restará apenas a aceitação de que o Brasil não é mais uma democracia respeitada no Ocidente, e sim parte do eixo do mal, um pária global alinhado aos piores regimes existentes, e sob fortes sanções e embargos por causa dessa escolha lamentável.
Rodrigo Constantino - Revista Oeste
J.R. Guzzo - 'A briga do boçal-raiz' - Lula teve outras ideias tão fixas e tão estúpidas como essa, mas possivelmente nenhuma delas foi tão irresponsável quanto seu rugido de rato diante dos americanos
O presidente da República, sem jamais ter perguntado aos brasileiros, ou sequer a si próprio, se achavam uma boa ideia provocar uma briga no mano a mano com os Estados Unidos, começou seu terceiro mandato com a ideia fixa de se exibir como o grande inimigo mundial da potência econômica, militar e política número 1 do planeta. Teve outras ideias tão fixas e tão estúpidas como essa, mas possivelmente nenhuma delas foi tão irresponsável quanto seu rugido de rato diante dos americanos — nem está prometendo um final tão humilhante.
Como o motorista bêbado que sobe com o carro na calçada, entra na contramão e queima o sinal vermelho, e depois diz que não sabia direito o que estava fazendo, Lula só parou quando bateu de frente com o muro — neste caso, com as realidades da vida como ela é. Até ser obrigado a parar, conseguiu não acertar uma. Insistiu, em primeiro lugar, em entrar na briga sem saber o que queria dela. Jamais teve sequer um arremedo de plano para enfrentar a pauleira — e muito menos para ganhar. Desafiou o Mike Tyson, e só percebeu que era o Tyson quando levou o primeiro gancho no fígado.
Lula não sabe, até agora, o que dizer aos Estados Unidos — certo, temos de fazer uma proposta qualquer, mas qual é mesmo a nossa proposta? Fala, como vem repetindo nos últimos 40 anos, que “tem de negociar”, mas não tem nada para oferecer. Não tem nem mesmo o negociador. A embaixadora do Brasil em Washington é uma nulidade que nem sequer foi recebida quando tentou falar com alguém importante. Descobriu-se, por sinal, que há dois anos e meio nosso governo simplesmente não tem nenhum contato efetivo com o maior país do planeta.
Quer dizer: dois anos e meio de governo Lula-STF levaram o Brasil a estar com o maior cartaz na Tanzânia ou na “Palestina”, por exemplo, e ser um zé-mané na capital do mundo. Como arrumar, agora, alguém que saiba do que está falando para desenrolar a porcaria que Lula arrumou com os Estados Unidos? Também não sabem. Têm falado, acredite se quiser, em Geraldo Alckmin, que não tem condições para negociar um contrato de aluguel em Pindamonhangaba. Será que num país de 200 milhões de habitantes não existe ninguém melhor para esse serviço?
É um passeio ao acaso — uma coisa amadora, subdesenvolvida e desconexa. E se os negociadores americanos, caso Alckmin consiga passar do sub do sub, descobrirem que ele disse que o seu chefe, em cujo nome está negociando, queria ser presidente para voltar “à cena do crime”? Eis aí o exato grau de seriedade do governo Lula nessa história: criou uma briga na qual não tinha nada a ganhar, que não tem nenhuma possibilidade de levar adiante e da qual agora não sabe sair. Está como o pobre orgulhoso que não tem dinheiro para brigar nem na Justiça gratuita, mas “exige” os seus “direitos”. Acaba pedindo acordo.
Lula começou com a sua palhaçada de sempre — a idade, infelizmente, não tem melhorado sua criatividade. A taxação de 50% sobre as exportações brasileiras para os Estados Unidos, anunciada por Donald Trump em reação ao linchamento legal do ex-presidente Bolsonaro, foi recebida com furiosos juramentos em favor da “soberania do Brasil”. O tarifaço era “inaceitável” — como se tivesse cacife para aceitar ou não alguma coisa. Disse que o Brasil iria “retaliar”.
Garantiu que “não abria mão da reciprocidade”. Exigiu que Trump falasse “manso” com ele. Lula proclamou mais uma vez sua total “solidariedade” à perseguição do STF a Bolsonaro. Falou em “traição à pátria”. Denunciou de novo o “fascismo” de Trump. “Vou vender os nossos produtos em outros lugares”, ameaçou, como se ele fosse capaz de vender alguma coisa ou houvesse uma lista de clientes à espera das suas ofertas.
Fez reuniões. Veio com umas ameaças moles de anular patentes americanas, como um país pirata, ou aumentar a taxação sobre as remessas de lucros das empresas americanas que operam no Brasil. Daí não passou. Seria a mais notável realização de Lula em seus três governos — fazer empresas americanas saírem do Brasil, em vez de entrarem. É pura e simples criação de problema onde há solução.
Operam hoje no Brasil cerca de 4,5 mil empresas americanas, com investimento aproximado de US$ 350 bilhões e empregos para 500 mil brasileiros — em geral, nas faixas mais altas da escala de remuneração. É esse o inimigo a ser hostilizado? Onde Lula vai arrumar investimentos de US$ 350 bi para substituir os americanos? Na Venezuela da Refinaria Abreu e Lima?
Não há nenhum problema no Brasil, de nenhuma natureza, que seja causado pela presença de empresas americanas em nossa economia. É exatamente o contrário — até no PT há gente que entende que é bom haver empresas dos Estados Unidos investindo, criando empregos e pagando impostos no Brasil. O que se ganha então mexendo com isso? É o que um país arruma com brigas em que não deveria se meter: resultados que ninguém queria e nunca foram um objetivo do governo. Lula e Janja querem o fim do capitalismo, é claro. Mas não hoje, certo?
Naturalmente, nada disso foi feito; na verdade, toda a reação do Brasil a Trump, no mundo dos fatos concretos, foi até agora um zero absoluto. Falaram, falaram e falaram, mas fazer alguma coisa, que é bom, nada. Lula diz, como se ele fosse o procurador-geral do Universo, que não aconteceu nada até agora porque ele, Lula, ainda não fez nada. Na hora em que fizer, segundo garante, as coisas passarão a existir. Só a mídia engole isso. Diz que ele joga uma partida de xadrez altamente complexa — tão complexa que ninguém entendeu.
Não há xadrez nenhum; não há nem o dominó da quebrada. O que há mesmo é o boçal-raiz que foi procurar briga na boate, encontrou e agora foge para trás do leão de chácara gritando “me segura, me segura que eu sou capaz de fazer alguma loucura”. Que coisas vão “começar a acontecer”, como diz Lula? Coisas nenhumas. Não há um único e escasso parafuso que o Brasil tenha e de que os Estados Unidos realmente precisem; em compensação, sem os americanos o Brasil está num mato sem cachorro. Lula e a gatarrada gorda de Brasília, na sua ignorância terminal, não têm ideia de quanto os Estados Unidos podem machucar a todos nós.
O único lugar em que Lula está fazendo sucesso é na Globo e no resto da mídia oficial, embora não se saiba ainda por quanto tempo. A visão, ali, é de que nada poderia ter acontecido de tão bom para o governo e o STF quanto as tarifas de 50% impostas por Trump. O Brasil, que vinha detestando Lula, o seu filme-catástrofe e o desvario totalitário do Supremo, passou a amar — o povo brasileiro, pelo veredito da imprensa, obviamente se uniu contra Trump, a “intervenção estrangeira” e a ameaça à soberania nacional. Lula é o favorito para 2026. Bolsonaro, os golpistas e a direita são traidores.
Nem o PT, possivelmente, acredita nessas miragens, mas até agora a mídia é tudo o que Lula conseguiu em sua Terceira Guerra Mundial. Nenhuma democracia se deu até agora o trabalho de ficar a favor do Brasil — não para valer. Não houve uma única manifestação de rua, tipo “fora ianques”, em nenhum lugar do território nacional. Num país em que não controla nem 20% do Congresso, o governo não tem bala para escolher a maior potência mundial como inimiga.
Nem o precioso Brics de Lula, salvo a ladroagem sul-africana, se animou a ajudar. Ao contrário, a Rússia disse que não foi ela quem veio com a ideia do fim do dólar. Nem eu, disse a China. Ambas apontaram para Lula. Também não é do STF que o governo pode esperar ajuda — justo agora, quando mais precisa. Alexandre de Moraes, a quem se deve toda essa situação intragável, faz o oposto do que se espera para quem gostaria de acalmar as coisas. Acalmar como, se ele não perde nenhuma oportunidade de agredir cada vez mais os americanos?
Em seu surto de tolerância zero com qualquer risco de pacificação, Moraes acaba de algemar o ex-presidente com uma tornozeleira de criminoso. Bolsonaro está proibido de se mover. Tem de ficar trancado em casa durante a noite. Não pode chegar perto de nenhuma autoridade estrangeira.
Também está proibido de usar as redes sociais, ou mesmo de aparecer nelas. Está proibido de dar entrevistas. O Maníaco do Parque pode dar; ele, não. Está proibido de falar com o próprio filho. Ficamos assim, então. Os Estados Unidos justificam sua punição tarifária ao Brasil com a perseguição judicial a Bolsonaro; aí vem o ministro Moraes e faz questão de dizer: “Vou perseguir mais ainda. Vai encarar?” Com essas, outras e as que ainda virão, Lula fica mais vendido que pastel de feira na hora em que cai no óleo de fritar.
Foi ele quem começou, com suas ideias de liderar o mundo contra os Estados Unidos e, neste ano, contra Donald Trump? Foi. Ele permitiu que navios do governo terrorista do Irã atracassem no Rio de Janeiro. Quer romper com Israel, a quem acusa de “genocídio”. Insulta os americanos. Propõe acabar com o dólar como moeda líder do comércio. É o amigo número 1 de todas as ditaduras. Mas nunca foi levado a sério a ponto de criar uma crise. Alexandre de Moraes, não. Ele deformou o Estado brasileiro a tal ponto que chamou, enfim, a atenção dos Estados Unidos.
O governo está condenado, ou condenou a si próprio, a dar apoio integral a Moraes e ao STF — façam o que fizerem, tem de ficar a favor. Que “negociação”, como Lula diz, pode sair de uma charada dessas? Moraes prende Bolsonaro na hora que quiser; pode prender o Arcanjo Gabriel, se lhe der na telha. Se quiser romper relações com os Estados Unidos, ele faz o governo romper. Se quiser guerra, vai jogar o Brasil na guerra. É o preço que Lula está pagando por ter vendido a alma ao STF.
J.R. Guzzo - Revista Oeste
'O milagre argentino', por Sílvio Navarro
Como a política de choque de Javier Milei, fiel à cartilha da austeridade fiscal e crítico do populismo assistencialista da esquerda, salvou um país um ruínas
E m novembro de 2023, uma reportagem de Oeste, intitulada “Um país que respira” (edição 192), questionou o que levou 14 milhões de argentinos a elegerem o mais excêntrico presidente de sua história: o “libertário” Javier Milei, de 53 anos à época. A tese mais certeira era de que a população havia compreendido que o país estava falido. Portanto, as fórmulas tradicionais, derivadas do inevitável peronismo, não funcionavam mais. Um ano e meio depois, a Argentina começou a sair do buraco.
Os números de Milei são impressionantes: a atividade econômica avança mais de 5% ao mês; as exportações cresceram 55% no primeiro semestre deste ano, inclusive, puxadas por segmentos improváveis, como o setor automotivo, de máquinas agrícolas e manufaturados; a moeda está extremamente valorizada em comparação aos vizinhos latinos; as notas das agências de crédito subiram e chamam a atenção de investidores estrangeiros; e os salários melhoraram — o que, inevitavelmente, se reflete em aumento do poder de compra, logo, em bom humor da população.
A inflação devastadora de 25% ao mês na data da sua posse, em 2023, fechou o último mês de maio em 1,5%. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), uma espécie de IBGE, o índice anual está em 43,5%, ante quase 300% ao ano no final do mandato de Alberto Fernández. O corte na taxa básica de juros também foi drástico: de 133% para 29%, uma queda de 104 pontos porcentuais, conforme o Banco Central local.
Milei adotou um modelo de câmbio de flutuação controlada — empresas e cidadãos foram liberados para comprar dólar.
A promessa de campanha é mais ambiciosa: abandonar de vez o peso, o que abre caminho para a dolarização efetiva. Até agora, o mercado reagiu bem.
Para levantar o controle cambial, foram decisivos os empréstimos que vão injetar US$ 42 bilhões na economia, fechados com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e outras instituições, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A primeira parcela, de US$ 12 bilhões, do FMI chegou em abril.
Foto: Reprodução/Poder360
Foto: Reprodução/CNN
Em resumo: o quadro macroeconômico é muito promissor. Por quê? A resposta é que Milei fez o que era necessário: a recuperação econômica é resultado de uma agenda liberal seguida à risca, com austeridade fiscal, redução de penduricalhos, corte de 19 impostos, diminuição do tamanho do Estado — com a demissão de 50 mil funcionários públicos e o fim de mais de cem órgãos estatais — e, sobretudo, coragem, muita coragem, porque começou o governo sem maioria robusta no Legislativo.
Na capital, Buenos Aires, os sinais de reaquecimento estão em todas as partes: nos cafés lotados da Recoleta, nos bares e restaurantes em Palermo e Puerto Madero, para citar exemplos de alguns dos destinos badalados. Isso também explica por que os preços de restaurantes e da rede hoteleira sobem quase 3% ao mês no ramo turístico. Nos shopping centers, cujas vitrines pareciam decadentes desde o histérico lockdown da pandemia — havia risco de prisão se as pessoas saíssem às ruas —, o cenário também mudou. E os tradicionais panelaços contra todos os presidentes, as passeatas na Praça de Maio e as pichações contra o desemprego arrefeceram.
Muitos argentinos, aliás, aproveitaram o fôlego econômico no começo deste ano para voltar a viajar. Numa reportagem recente, o jornal La Nacion relatou que a cidade de Florianópolis foi o destino mais procurado em 2025. Os colunistas brincam nas emissoras de TV com os preços de alimentação, bebidas e até um par de chinelos Havaianas. Um jornalista lembrou que muitos jovens não conheciam esse cenário, típico da década de 1990 — os anos da paridade cambial entre peso e dólar. De acordo com a Federação do Comércio de Santa Catarina, um a cada cinco turistas que visitaram o Estado nos primeiros meses do ano era argentino — ou 80% dos estrangeiros nas praias.
Notícia publicada no La Nacion (16/4/2024) | Foto: Reprodução/La Nacion
Notícia publicada no La Nacion (27/12/2024) | Foto: Reprodução/La Nacion
Decolagem segura
Um dos melhores exemplos de que a gestão atual fez o “impossível” nas contas públicas é o setor aéreo. Pela primeira vez desde 2008, a estatal Aerolíneas Argentinas informou que não precisará de subsídios do governo. “Depois de analisar as necessidades orçamentárias, não serão necessários fundos do tesouro neste ano”, afirmou em carta Franco Mogetta, secretário de Transportes.
Ainda no ramo de transportes e infraestrutura, o presidente aproveitou a enxurrada de denúncias de corrupção contra a expresidente Cristina Kirchner, que está em prisão domiciliar, para enxugar gastos. Ele transferiu para a iniciativa privada os órgãos que cuidavam desde a década de 1950 das rodovias federais. Usou dois argumentos: 40% dos contratos de manutenção da malha já estavam terceirizados; e a corrupção impregnada no setor — que equivale ao brasileiro Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes. Mais: criou uma agência reguladora para fiscalizar não só as rodovias, como o transporte urbano e as ferrovias — um pacote que economizou US$ 2 bilhões. “A corrupção em obras públicas teve sua certidão de óbito assinada”, disse o porta-voz, Manuel Adorni, ao comunicar as medidas.
No caso de Cristina, a comparação entre o atraso da esquerda que se perpetua no poder e a reviravolta liberal é gritante: ela está presa por se beneficiar de uma roubalheira, guardadas as proporções bilionárias do Petrolão, similar à promovida por Lula da Silva e Dilma Rousseff. O petista, aliás, fez questão de visitá-la recentemente em sua casa, em mais uma provocação a Milei. Já o argentino devolveu com o típico deboche: ele ignora o discurso empoeirado em defesa do Mercosul e segue uma agenda bilateral com o americano Donald Trump — com quem Lula, agora, anda às voltas.
O contraste entre a receita eficaz de Milei e a cartilha desastrosa de Lula é visível. Depois de dois anos e meio de mandato, o petista convive com a piora sistemática da economia. Numa analogia simples, é como se o argentino tirasse um paciente da UTI, e o brasileiro desse um remédio errado a uma pessoa saudável — que, consequentemente, acabaria num leito hospitalar. Lula inflou o Estado para empregar a militância de esquerda e tentar salvar o sindicalismo, tem como marca inconteste a irresponsabilidade fiscal, desvalorizou o real e tem a popularidade em queda livre, à medida que a inflação — principalmente dos alimentos — corrói o bolso dos pagadores de impostos. Mais: no campo diplomático, enquanto o Brasil, numa escalada autoritária, se alinhou ao eixo anti-Ocidente, a Argentina ganhou prestígio com os Estados Unidos e países que pregam a liberdade como valor inalienável.
Fábrica de pobres
É evidente que, depois de anos de kirchnerismo, conduzidos pelo casal Néstor (morto em 2010) e Cristina, seguido do “poste” Alberto Fernández — houve uma breve interrupção de Mauricio Macri —, a Argentina ainda tem muitos problemas para resolver. A inflação persistente, as dívidas internacionais e as raízes do trabalhismo populista de Juan Domingo Perón. Não é um quadro sanável do dia para a noite.
O problema mais agudo é a quantidade de pobres espalhados pelas províncias no interior do país. Quando Milei assumiu, 53% da população era considerada pobre (mais de 27 milhões de pessoas), o maior número em 20 anos. Os dados mais recentes indicam que esse porcentual caiu para 38% em um ano e meio. Ainda há muitas favelas nas periferias das grandes cidades, e um número estimado de 2,5 milhões de pessoas consideradas miseráveis.
No caso da desindustrialização, com exceção do segmento de petróleo e, principalmente, das reservas de gás, ainda é cedo para comemorar. Até o governo brasileiro, mesmo em pé de guerra diplomático, classificou as reservas de gás natural de Vaca Muerta como “de potencial infinito” — 17 empresas querem importar, já com autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Embora muitos setores da indústria ainda patinem, há uma nítida percepção de que as máquinas estão voltando a funcionar, e o reflexo disso vai desde a quantidade de alimentos nas gôndolas de supermercados, desabastecidas há dois anos, até o semblante da população. Outro dado: com mudanças nas regras, o preço dos aluguéis despencou em até 40%. Com 18 meses de mandato, a popularidade do presidente segue alta: 57% de aprovação. Alberto Fernández, o antecessor, encerrou a gestão com 11%, e rejeição recorde de 77%. O sucesso da atual administração começou a chamar a atenção da imprensa mundial.
No último sábado, 19, o jornal inglês The Telegraph produziu uma extensa reportagem. “Milei foi mais longe e mais rápido do que qualquer político nos tempos modernos”, diz o texto.
Depois dos anos 1940 e 1950, com a eleição de Juan Domingo Perón e o “peronismo” perpétuo, a Argentina passou a conviver com restrições de liberdades, inchaço do Estado, corrupção e a combinação perigosa de endividamento crônico e inflação galopante. Tornou-se um raro caso de país que era muito rico no começo do século 20 e ficou pobre. Mas agora essa é uma história que pode ficar no passado:
Javier Milei está disposto a mudá-la — com a fórmula certa.
Javier Milei @JMilei · Seguir FENÓMENO BARRIAL LO LLORA LA CASTA... VLLC!
Depois dos anos 1940 e 1950, com a eleição de Juan Domingo Perón e o “peronismo” perpétuo, a Argentina passou a conviver com restrições de liberdades, inchaço do Estado, corrupção e a combinação perigosa de endividamento crônico e inflação galopante. Tornou-se um raro caso de país que era muito rico no começo do século 20 e ficou pobre. Mas agora essa é uma história que pode ficar no passado: Javier Milei está disposto a mudá-la — com a fórmula certa.
Sílvio Navarro - Revista Oeste