Uma maior desconfiança em relação aos emergentes e a incerteza eleitoral voltam a fazer peso no preços dos ativos financeiros. O dólar comercial registra leve valorização de 0,14% ante o real, cotado a R$ 4,158. Já o Ibovespa, principal índice de ações do mercado local, tem recuo de 1,85%, aos 74.784 pontos.
Na avaliação de Cleber Alessie, operador da corretora H.Commcor, o real se mostra mais resiliente nesta terça-feira, indo na contramão de outras moedas emergentes. Em sua avaliação, isso ocorre porque os investidores estão operando no “modo de proteção”.
— Amanhecemos mais negativos e o dólar subiu, mas depois teve uma correção. O real mostra resiliência em um pregão que outras moedas de emergentes perdem para o dólar. Isso é porque já estamos no modo proteção e não há notícias novas que faça o investidor buscar mais ou menos hedge cambial — explicou.
De fato, o dólar ganha força em escala global. O “dollar index”, que mede o comportamento da divisa frente a uma cesta de dez moedas, sobe 0,32%. Essa valorização é maior em relação aos emergentes e uma das razões são os problemas econômicos enfrentados em alguns desses países.
“O dólar continua subindo no exterior por conta do aumento da aversão ao risco que é impulsionada, nessa fase, pelos problemas oriundos nos emergentes”, lembrou Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura, acrescentando que as medidas de ajuste fiscal na Argentina pode dar fôlego ao peso, mas que a melhora, no curto prazo, depende da liberação dos recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Bolsa em queda
Internamente, contribui para a pressão sobre os ativos financeiros a incerteza em relação ao cenário político. A maior parte dos agentes do mercado financeiro defende um quadro em que um candidato mais favoráveis as reformas econômicas vença o pleito de outubro. Nesta terça-feira, será divulgada mais uma pesquisa eleitoral, dessa vez do Ibope.
— O pregão foi de perdas no exterior. É uma semana que podemos ver a ampliação da guerra comercial entre Estados unidos e China. Alguns emergentes também estão sofrendo ataque especulativo e o temor de uma contaminação. E ainda tem a incerteza eleitoral. São vários fatores negativos — avaliou Pedro Galdi, analista da correto Mirae.
No mercado de ações, as mais negociadas operam em queda, deixando o índice em terreno negativo. As preferenciais (PNs, sem direito a voto) da Petrobras recuam 1,42%. O tombo é ainda maior nas ordinárias (ONs, com direito a voto), que caem 1,86%, apesar da alta do preço do petróleo no exterior - o barril do tipo Brent sobe 0,27%, a US$ 78,36.
No caso dos bancos, de maior peso na composição do índice, o pregão também é de queda. As preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco recuam, respectivamente, 1,15% e 3,4%.
A maior alta é registrada pelos papéis da Suzano, que sobem 6,36%. A Via Varejo, que teve o seu pedido de migração para o Novo Mercado, registra a maior queda entre os papéis do Ibovespa, com tombo de 10,95%.
O pregão também é de perdas no exterior, refletindo o temor de uma piora na guerra comercial e uma cautela em relação aos emergentes. O Dow Jones cai 0,04% e o S&P 500 recua 0,18%.