
O Globo
WASHINGTON — O ex-estrategista-chefe do presidente Donald Trump — que foi alvo de ataques da Casa Branca após criticar a ele e sua família em um livro lançado esta semana —, quebrou um silêncio que já durava cinco dias e divulgou um comunicado este domingo pedindo desculpas por suas declarações.
Em trechos vazados do polêmico livro “Fire and Fury — Inside the Trump White House” (“Fogo e fúria — por dentro da Casa Branca de Trump”, em tradução livre), Bannon é citado como tendo chamado o filho do presidente, Donald Trump Jr., de "traidor" e "antipatriótico" por ter participado de um encontro com um grupo de russos no ano passado, em Nova York, durante as eleições presidenciais. Bannon também critica a filha de Trump, Ivanka, chamando-a de "burra como um tijolo".
Agora, em uma nota publicada no site "Axios", Bannon afirmou que Trump Jr. é um "patriota e um bom homem": "Ele tem sido implacável em sua defesa pelo pai e pela agenda que ajudou a transformar nosso país. Meu apoio também é inabalável para o presidente e sua agenda — como mostrei diariamente nas minhas transmissões de rádio nacionais, no (site de extrema-direita) Breitbart News, e em discursos em Tóquio e Hong Kong ao Arizona e Alabama. O presidente Trump era o único candidato que poderia derrotar o aparato de (Hillary) Clinton. Eu sou a única pessoa até agora que realizou um esforço global para pregar a mensagem de Trump e do trumpismo, e permaneço pronto para ajudá-lo a tornar os Estados Unidos grande novamente".
Nos últimos dias, a Casa Branca definiu o livro como pura "ficção", mas Trump concentrou a maior parte de sua artilharia em Bannon, que demitiu em agosto, mas que permaneceu em sua óbita — ambos conversavam ocasionalmente por telefone, embora muitos aliados do presidente tenham recomendado que ele se afastasse definitivamente do ex-assessor.
Segundo Bannon, sua referência à traição não foi dirigida ao filho do presidente, e sim a outro funcionário da campanha que participou da reunião, Paul Manafort.
"Meus comentários foram dirigidos a Paul Manafort, um experiente profissional de campanha com experiência e conhecimento sobre como os russos operam" — disse Bannon, no comunicado. — "Ele deveria saber que eles (os russos) são duvidosos, astutos e não nossos amigos. Para reiterar, esses comentários não foram direcionados a Don Jr. "
Ainda este domingo, antes da divulgação da nota, a Casa Branca disparou novos ataques contra Bannon. Em uma entrevista à CNN, Stephen Miller, conselheiro sênior do presidente, disse que os comentários de Bannon no livro estavam "fora de contato com a realidade" e foram "vingativos" e "grosseiros".