
Pollyanna Brêtas - O Globo
Entre 2011 e 2016, foram quase cem mil casos
O roubo de cargas causou um prejuízo de mais de R$ 6,1 bilhões em todo o Brasil, de 2011 a 2016, valor 5,1 vezes maior do que o investimento anunciado pelo Governo Federal em dezembro de 2016 para modernização e ampliação do sistema penitenciário brasileiro.
Foram 97.786 ocorrências desse tipo no país neste período, segundo os dados de um estudo sobre o impacto econômico do roubo de cargas no Brasil, divulgado pelo Sistema Firjan nesta quinta-feira. Um roubo de caminhão acontece a cada 23 minutos em todo o território nacional.
Em uma lista com 57 países, o Brasil é o oitavo mais perigoso para o transporte de cargas.
Em 44 dias, o Brasil registrou o número total de roubos de cargas nos Estados Unidos e Europa juntos em um ano inteiro.
— Chegamos a níveis intoleráveis e cifras vergonhosas — disse o presidente da Firjan, Eugênio Gouvêa Vieira.
Em 2016, foram 4.056 casos acima do registrado em 2015. O crescimento foi puxado por Rio de Janeiro com 2.637 registros e São Paulo com 1.453 casos a mais que no ano anterior. Juntos, esses estados representam 87,8% dos registros de 2016. A preocupação com a violência tem várias consequências. A empresa Natura estuda suspender as operações no Estado do Rio, por causa do risco de roubo de produtos.
— O consumidor também é um pouco responsável. A questão do jeitinho de conseguir uma coisa mais barata. Essa mentalidade tem que chamar à luz que esse vício está na teia de um crime — destacou o presidente da Firjan.
De acordo com Eugênio, os custos extras aplicados aos produtos para compensarem as despesas decorrentes do roubo de cargas variam de 12% a 30%.
A Firjan e aproximadamente 30 entidades de setores afetados por este tipo de crime estão lançando o Movimento Nacional contra o Roubo de Cargas. O projeto defende a criação de novos níveis de cooperação entre a União, os estados e os setores-chaves da sociedade para que trabalhem no combate ao roubo de cargas. Uma das necessidades é a aprovação de leis com punições mais severas para a prática de crimes de receptação, armazenamento e venda de produtos roubados.
No evento desta quinta-feira, a Firjan está lançando a “Carta do Rio de Janeiro” com 9 pontos que exigem atenção. Há pedidos como maior controle das fronteiras e que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) proíba os jammers, que são aparelhos que embaralham os sinais de bloqueadores de cargas.
LEI AUMENTA PUNIÇÃO PARA EMPRESAS
No dia 7, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou uma lei que prevê punição a empresas que venderem ou armazenarem produtos roubados ou furtados.
Segundo o projeto de lei 505/15, que ainda será votado em segunda discussão na Casa, as empresas ficam proibidas de firmar contratos ou participar de licitações com o poder público. As empresas também ficarão vedadas de receber benefícios ou incentivos fiscais.
O texto também prevê sanções para sócios majoritários ou administradores, como o impedimento de exercer no estado o mesmo ramo de atividade, mesmo que em outra empresa, e a proibição de abrir outra empresa na mesma atividade.
Perspectiva de risco para transporte de carga em 2017
| País | Risco |
|---|---|
| Afeganistão | 4,6 (severo) |
| Brasil | 3,7 (muito alto) |
| Iêmen | 5,4 (severo) |
| Líbia | 5,4 (severo) |
| Mali | 3,6 (muito alto) |
| México | 3,6 (muito alto) |
| República Centro Africana | 3,6 (muito alto) |
| Somália | 3,7 (muito alto) |
| Sudão do Sul | 3,7 (muito alto) |
| Síria | 5,4 (severo) |
Escala de risco: 6,5 e acima – Extremo; 4,4 a 6,4 – Severo; 3,2 a 4,3 - Muito alto; 2,4 a 3,1 – Alto; 1,6 a 2,3 – Elevado; 0,8 a 1,5 – Moderado; 0 a 0,7 - Baixo