quinta-feira, 16 de março de 2017

Roubo de cargas provoca prejuízo de R$ 6,1 bilhões no Brasil


Caminhão com carga de frango recuperado em Acari . Foto de Gabriel de Paiva/ Agência O Globo/07-12-2016


Pollyanna Brêtas - O Globo


Entre 2011 e 2016, foram quase cem mil casos


O roubo de cargas causou um prejuízo de mais de R$ 6,1 bilhões em todo o Brasil, de 2011 a 2016, valor 5,1 vezes maior do que o investimento anunciado pelo Governo Federal em dezembro de 2016 para modernização e ampliação do sistema penitenciário brasileiro. 

Foram 97.786 ocorrências desse tipo no país neste período, segundo os dados de um estudo sobre o impacto econômico do roubo de cargas no Brasil, divulgado pelo Sistema Firjan nesta quinta-feira. Um roubo de caminhão acontece a cada 23 minutos em todo o território nacional.

Em uma lista com 57 países, o Brasil é o oitavo mais perigoso para o transporte de cargas. 

Em 44 dias, o Brasil registrou o número total de roubos de cargas nos Estados Unidos e Europa juntos em um ano inteiro.

— Chegamos a níveis intoleráveis e cifras vergonhosas — disse o presidente da Firjan, Eugênio Gouvêa Vieira.

Em 2016, foram 4.056 casos acima do registrado em 2015. O crescimento foi puxado por Rio de Janeiro com 2.637 registros e São Paulo com 1.453 casos a mais que no ano anterior. Juntos, esses estados representam 87,8% dos registros de 2016. A preocupação com a violência tem várias consequências. A empresa Natura estuda suspender as operações no Estado do Rio, por causa do risco de roubo de produtos.

— O consumidor também é um pouco responsável. A questão do jeitinho de conseguir uma coisa mais barata. Essa mentalidade tem que chamar à luz que esse vício está na teia de um crime — destacou o presidente da Firjan.



De acordo com Eugênio, os custos extras aplicados aos produtos para compensarem as despesas decorrentes do roubo de cargas variam de 12% a 30%.

A Firjan e aproximadamente 30 entidades de setores afetados por este tipo de crime estão lançando o Movimento Nacional contra o Roubo de Cargas. O projeto defende a criação de novos níveis de cooperação entre a União, os estados e os setores-chaves da sociedade para que trabalhem no combate ao roubo de cargas. Uma das necessidades é a aprovação de leis com punições mais severas para a prática de crimes de receptação, armazenamento e venda de produtos roubados.



No evento desta quinta-feira, a Firjan está lançando a “Carta do Rio de Janeiro” com 9 pontos que exigem atenção. Há pedidos como maior controle das fronteiras e que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) proíba os jammers, que são aparelhos que embaralham os sinais de bloqueadores de cargas.

LEI AUMENTA PUNIÇÃO PARA EMPRESAS

No dia 7, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou uma lei que prevê punição a empresas que venderem ou armazenarem produtos roubados ou furtados. 

Segundo o projeto de lei 505/15, que ainda será votado em segunda discussão na Casa, as empresas ficam proibidas de firmar contratos ou participar de licitações com o poder público. As empresas também ficarão vedadas de receber benefícios ou incentivos fiscais.

O texto também prevê sanções para sócios majoritários ou administradores, como o impedimento de exercer no estado o mesmo ramo de atividade, mesmo que em outra empresa, e a proibição de abrir outra empresa na mesma atividade.

PaísRisco
Afeganistão4,6 (severo)
Brasil3,7 (muito alto)
Iêmen5,4 (severo)
Líbia5,4 (severo)
Mali3,6 (muito alto)
México3,6 (muito alto)
República Centro Africana3,6 (muito alto)
Somália3,7 (muito alto)
Sudão do Sul3,7 (muito alto)
Síria5,4 (severo)
Escala de risco: 6,5 e acima – Extremo; 4,4 a 6,4 – Severo; 3,2 a 4,3 - Muito alto; 2,4 a 3,1 – Alto; 1,6 a 2,3 – Elevado; 0,8 a 1,5 – Moderado; 0 a 0,7 - Baixo