| Pedro Ladeira/Folhapress | |
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| O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em reunião do Conselho Superior do Ministério Público
Em 6 de março de 2015, mal se respirava em Brasília. Políticos, jornalistas, autoridades e outros comensais do banquete diário do poder não continham a ansiedade sobre quais revelações surgiriam na primeira "lista de Janot".
A Operação Lava Jato faria um ano em poucos dias, e ainda havia dúvidas sobre o alcance institucional dos fatos que vinham sendo investigados a partir de Curitiba.
Recém-reeleita, Dilma colecionava problemas, mas a palavra impeachment não saía nem da boca do mais esperançoso oposicionista.
Dois anos depois, a versão 2.0 da lista do procurador-geral chega carregada de outro sentido. A Lava Jato, de forma benéfica e deletéria, incrustou-se no panorama político de forma irremediável.
O assalto à Petrobras e a outros setores está esmiuçado, figurões do antigo regime estão na cadeia. Eduardo Cunha está preso, Antonio Palocci também.
O debate sobre a relação empresas-políticos está a pleno vapor.
O sistema político como um todo busca saídas para a implosão antevista na nova relação de inquéritos a serem abertos. Ainda que os nomes não tenham sido divulgados, espera-se que a enxurrada atinja mais fortemente membros do novo regime.
Em 2015, para ficar na comparação, o desconhecido PP aparecia como sigla mais afetada –ainda que tivessem sido incluídos Palocci e a campanha de Dilma, que caiu por outros motivos, mas também pela percepção da radioatividade do esquema sobre o PT.
Talvez não curiosamente, o "modus operandi" da divulgação agora foi diverso. Em 2015, tuítes anunciavam freneticamente cada novo nome, já que Teori Zavascki optou pela queda total do sigilo dos casos, "em atenção aos valores republicanos".
A lista de 2015, como se sabe, pouco resultou juridicamente até aqui, embora tenha aberto e muito o escopo da Lava Jato. A morosidade usualmente associada aos tribunais superiores garantiu que apenas 5 dos 50 investigados naquele primeiro arrazoado virassem réus, e nenhum foi julgado.
O mesmo pode ser esperado agora. Mas o clima mudou, e a Lava Jato tornou-se régua e esquadro no debate público, o que naturalmente carrega injustiças.
Assim que os detalhes da lista, como as citações feitas pelos delatores da Odebrecht, vierem à tona, é previsível um frenesi de julgamentos sumários. Extrajudiciais e turbinados pela velocidade das redes sociais.
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