
ROBERTA SCRIVANO e ANA PAULA RIBEIRO - O Globo
Terminal de Porto Alegre teve 837% de ágio e ficou com grupo Fraport, que também levou Fortaleza
Três grupos europeus arremataram os quatro aeroportos oferecidos pelo governo federal em leilão realizado na manhã desta quinta-feira na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa). Considerando todo o período de concessão dos quatro terminais, o governo vai arrecadar R$ 3,720 bilhões, ágio de cerca de 23% sobre o valor inicial esperado de R$ 3 bilhões.
O aeroporto de Fortaleza foi arrematado pela alemã Fraport por R$ 425 milhões, a oferta mínima era de R$ 360 milhões. A concorrente neste ativo era a francesa Vinci e, no total, foram dados seis lances pelo terminal. A Fraport também levou o terminal de Porto Alegre com lance de R$ 290,512 milhões, a oferta inicial mínima era de R$ 31 milhões. O ágio foi de 837%. Neste caso, a alemã disputou com Zurich. No total, foram ofertados oito lances para Porto Alegre.
Já o terminal de Salvador ficou com a francesa Vinci por R$ 660,943 milhões. A Vinci foi a única proponente interessada no aeroporto baiano e, portanto, não houve concorrência.
O aeroporto de Florianópolis foi bem disputado pelas empresas Zurich e Fraport, com onze lances feitos ao longo da 1h30 de leilão. Ao final a vitoriosa foi a Zurich, com lance de R$ 83,3 milhões, contra valor inicial de R$ 53 milhões.
MAIOR ÁGIO POR AEROPORTO
Porto Alegre foi o aeroporto com maior ágio (837%) entre os já privatizados no país. Assim, ultrapassada os 673,9% de ágio obtido no aeroporto de Brasília, em 2012, até então a maior valorização. No caso do Galeão, esse montante tinha sido de 294%. Já o de Natal foi vendido por 228,8% mais que o preço mínimo do leilão. Os ágios por aerporto foram os seguintes; 18% em Fortaleza, 57% Florianópolis, e 113% para Salvador.
Levando em conta o valor total da outorga, e não apenas os 25% usados como base dos lances, os ágios para cada terminal são menores. No caso de Porto Alegre, cai para 209,3%; Salvador 28,3%; Florianópolis 14,3% e Fortaleza de apenas 4,5%.
Pelas regras do certame, o consórcio vencedor foi aquele que oferecer o maior ágio, mas ele incide apenas sobre a parcela à vista de 25% da outorga total de R$ 3,01 bilhões. O ágio deverá também ser pago de imediato e o restante ao longo do prazo da concessão, que é de 30 anos, prorrogáveis por mais cinco, com exceção do aeroporto de Porto Alegre, em que o período é de 25 anos, extensíveis por mais cinco.
FRAPORT SAI VITORIOSA
Depois de ser derrotada na competição pelo aeroporto de Galeão, em 2013, a alemã Fraport mostrou agressividade na disputa de hoje. Com o arremate de dois terminais (Fortaleza e Porto Alegre) a companhia vai fazer o maior desembolso total, de R$ 1,888 bilhão, dos quais R$ 715,12 milhões serão à vista e correspondem aos valores ofertados por lance durante a disputa (25% da outorga mais o ágio 83,2%).
Os lances mínimos foram fixados com base em 25% do valor da outorga. Esses valores ser pagos a vista, no momento da assinatura do contrato. Nesta etapa, o governo vai arrecadar R$ 1,46 bilhão, ágio de quase 93,75% sobre o valor mínimo estabelecido pelo edital (R$ 753 milhões). Os investimentos esperados ao longo do prazo de concessão totalizam R$ 6,613 bilhões.
— Nós vamos ter bons resultados. Nós temos propostas de consórcios com grande conhecimento técnico, são players internacionalmente reconhecidos e nenhum deles é construtora, o que é positivo, pois teremos contrato de concessão e não de construção - disse o ministro ao GLOBO.