quarta-feira, 18 de maio de 2016

Temer fala em ‘herança maldita’ de Dilma e projeta déficit de R$ 150 bilhões


Simone Iglesias - O Globo


O presidente interino Michel Temer se reúne com líderes aliados do Senado - Divulgação


Em reunião com os líderes dos partidos aliados no Senado, o presidente interino Michel Temer falou que deverá corrigir o déficit fiscal previsto pelo governo Dilma de R$ 96 bilhões para cerca de R$ 150 bilhões. Ele disse aos senadores que enviará a nova meta fiscal ao Congresso na próxima segunda-feira, dia 23. A ideia dos aliados é votar a atualização da meta no dia seguinte.

O peemedebista fez um apelo geral pela agilização de votações importantes ao governo, com ênfase na meta.

— É preciso fazer a revisão da meta com toda a transparência necessária. Esta é a crise mais grave que já enfrentamos e é necessário um esforço nacional — disse o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), após deixar a reunião.


No café da manhã, Temer reclamou da "herança maldita" deixada pelo governo Dilma, citando boicotes.

— O presidente quer inaugurar uma nova relação com o Congresso, discutindo os temas polêmicos. Também está fazendo um inventário da herança maldita para denunciar boicotes que foram feitos antes da saída da presidente Dilma — relatou Cássio.

Durante a conversa, Temer não falou sobre a volta da CPMF, nem do aumento da Cide (Contribuição sobre Intervenção de Domínio Econômico), mas foi alertado sobre resistências no Congresso sobre o tema.

— Não se falou em CPMF, mas há uma resistência conhecida no Congresso sobre aumento de impostos — afirmou o tucano.

O presidente interino brincou com os senadores que, ao ler as críticas que vem sofrendo nos últimos dias, tem a sensação de estar no cargo “há um ano e meio”. Sem citar um caso específico, justificou algumas falhas que possam ter ocorrido nesse início ao fato de não ter tido nem sequer um tempo para pensar e estruturar previamente sua equipe. Disse estar preparado para a cobrança e para tomar as medidas impopulares que forem necessárias. 

Afirmou que uma impopularidade momentânea é o que poderia levar o governo a ter uma popularidade definitiva mais a frente.

De acordo com os relatos, o presidente interino afirmou que o Itamaraty “saberá responder à altura” os ataques que têm sido feitos por lideranças internacionais com base no discurso dos aliados da presidente afastada Dilma Rousseff de que o impeachment trata-se de um golpe de estado.

Diferentemente da campanha feita na Câmara entre partidos aliados para a definição do líder do governo, os senadores deixaram claro ao presidente interino que esta definição cabe exclusivamente a ele. Na reunião, o tema não foi debatido, relatou o senador do PSDB.

— Esta é uma prerrogativa exclusiva do presidente. Por parte do Senado, não vamos emparedá-lo — disse, numa crítica à ação dos deputados.