Simone Iglesias - O Globo

Em reunião com os líderes dos partidos aliados no Senado, o presidente interino Michel Temer falou que deverá corrigir o déficit fiscal previsto pelo governo Dilma de R$ 96 bilhões para cerca de R$ 150 bilhões. Ele disse aos senadores que enviará a nova meta fiscal ao Congresso na próxima segunda-feira, dia 23. A ideia dos aliados é votar a atualização da meta no dia seguinte.
O peemedebista fez um apelo geral pela agilização de votações importantes ao governo, com ênfase na meta.
No café da manhã, Temer reclamou da "herança maldita" deixada pelo governo Dilma, citando boicotes.
— O presidente quer inaugurar uma nova relação com o Congresso, discutindo os temas polêmicos. Também está fazendo um inventário da herança maldita para denunciar boicotes que foram feitos antes da saída da presidente Dilma — relatou Cássio.
Durante a conversa, Temer não falou sobre a volta da CPMF, nem do aumento da Cide (Contribuição sobre Intervenção de Domínio Econômico), mas foi alertado sobre resistências no Congresso sobre o tema.
— Não se falou em CPMF, mas há uma resistência conhecida no Congresso sobre aumento de impostos — afirmou o tucano.
O presidente interino brincou com os senadores que, ao ler as críticas que vem sofrendo nos últimos dias, tem a sensação de estar no cargo “há um ano e meio”. Sem citar um caso específico, justificou algumas falhas que possam ter ocorrido nesse início ao fato de não ter tido nem sequer um tempo para pensar e estruturar previamente sua equipe. Disse estar preparado para a cobrança e para tomar as medidas impopulares que forem necessárias.
Afirmou que uma impopularidade momentânea é o que poderia levar o governo a ter uma popularidade definitiva mais a frente.
De acordo com os relatos, o presidente interino afirmou que o Itamaraty “saberá responder à altura” os ataques que têm sido feitos por lideranças internacionais com base no discurso dos aliados da presidente afastada Dilma Rousseff de que o impeachment trata-se de um golpe de estado.
Diferentemente da campanha feita na Câmara entre partidos aliados para a definição do líder do governo, os senadores deixaram claro ao presidente interino que esta definição cabe exclusivamente a ele. Na reunião, o tema não foi debatido, relatou o senador do PSDB.
— Esta é uma prerrogativa exclusiva do presidente. Por parte do Senado, não vamos emparedá-lo — disse, numa crítica à ação dos deputados.