segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Nobel de Medicina vai para descobertas por americano e japonês que estão ajudando a revolucionar a luta contra o câncer





Secretário do Comitê Nobel de Medicina, Thomas Perlmann anunciando os vencedores do prêmio de 2018 Foto: JONATHAN NACKSTRAND / AFP
Secretário do Comitê Nobel de Medicina, Thomas Perlmann anunciando os vencedores do prêmio de 2018 Foto: JONATHAN NACKSTRAND / AFP

O americano James Allison e o japonês Tasuku Honjo ganharam o Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia de 2018 por descobertas que estão ajudando a revolucionar a luta contra o câncer. Allison e Honjo estudaram mecanismos do sistema imunológico que freiam ou bloqueiam a ação do organismo contra as células cancerosas, abrindo caminho para o desenvolvimento de novas terapias, conhecidas como inibidores de checagem imunológica, contra a doença que estão permitindo estender significativamente a vida dos pacientes, ou mesmo curá-los.
"Durante mais de cem anos os cientistas tentaram engajar o sistema imunológico na luta contra o cãncer",  lembrou o Instituto Karolinska, da Suécia, responsável pela escolha, em comunicado sobre a premiação, divulgado na manhã desta segunda-feira. "Mas até as descobertas fundamentais dos dois laureados, o progresso nos desenvolvimentos clínicos foi modesto. As terapias de checagem imunológica agora reviolucionam o tratamento do cãncer e mudaram a maneira que vemos como a doença pode ser administrada".
Hoje professor do Centro de Câncer MD Anderson da Universidade do Texas, Allison começou seus estudos de uma proteína conhecida como CTLA-4 nos anos 1990, quando era pesquisador da Universidade da Califórnia em Berkeley. Localizada na superfície das células T, uma das principais do sistema imunológico, a proteína funciona como um freio de sua ação.
Até então, os cientistas buscavam explorar o mecanismo da CTLA-4 para o tratamento de doenças autoimunes, Allison, porém, percebeu seu potencial na luta contra o câncer. Tendo criado um anticorpo capaz de bloquear seu funcionamento, ele mostrou que era possível destravar este freio, desencadeando o sistema imunológico para atacar os tumores.
Já Honjo, professor da Universidade de Kyoto desde 1984, descobriu alguns anos antes uma segunda proteína na superfície das células T conhecida como PD-1. Em uma série de experimentos, ele demonstrou que a proteína, a exemplo da CTLA-4, também funciona como um freio do sistema imunológico, mas com um mecanismo diferente.
"Das duas estratégias de tratamento, as terapias de checagem imunológica contra a PD-1 se provaram as mais eficazes, e resultados positivos têm sido observados em diversos tipos de câncer, incluindo cãncer de pulmão, renal, linfoma e melanoma ( um tipo de cãncer de pele)", destacou o Instituto Karolinska. "Novos estudos clínicos indicam que uma terapia combinada, tendo como alvo ambas CTLA-4 e PD-1, pode ser ainda mais eficaz, como já foi demonstrado em pacientes com melanoma. Assim, Allison e Honjo inspiraram esforços de combinar diferentes estratégias para soltar os freios do sistema imunológico com o objetivo de eliminar as células tumorais de forma ainda mais eficaz. Um grande número de ensaios clínicos de terapias de checagem imunológica estão em curso atualmente contra a maioria dos tipos de câncer, e novas proteínas estão sendo testadas como alvos".
Pelo Nobel de Medicina, Allison e Honjo vão dividir 9 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 4,1 milhões).  O prêmio da categoria é tradicionalmente o primeiro a ser concedido a cada ano. Nesta terça, será anunciada a escolha na área de Física, enquanto na quarta o Prêmio Nobel  de Química encerra a lista no campo das ciências.
Já o Prêmio Nobel da Paz será divulgado na sexta-feira, com Ecnomia fechando a lista de 2018 na próxima segunda-feira. Este ano, excepcionalmente, o Prêmio Nobel de Literatura não será anunciado , com a escolha ficando para 2019, em razão de um escândalo de assédio sexual que atingiu a Academia Sueca, responsável pela escolha.
Cesar Baima, O Globo

"Primeiros dias do novo mundo", por Fernando Gabeira

Outro dia, uma simpática leitora me escreveu, dizendo que eu estava em cima do muro. 

Não é exatamente isso o que acontece. Estou na mesma posição que estarei depois das eleições: independência crítica.

Não gosto de muros, tanto que, quando caiu o de Berlim, mudei-me para lá com a família, para acompanhar as consequências. Nem todo muro dá para aceitar. Nas eleições municipais do Rio, recusei a alternativa que a maioria dos eleitores me apresentou.

Recusá-la agora não significa desrespeito às grandes multidões que escolhem Lula ou Bolsonaro. Pelo contrário, uma oposição consciente pode ser uma forma de valorizar essa escolha.

A amiga pede que eu rejeite apenas Bolsonaro. É ameaçador para a democracia. Ela leu nos jornais que o PT, ao contrario, tem um forte compromisso com a democracia.

Respeito sua posição e a dos jornalistas. No entanto, era deputado federal no período do mensalão. Discutir com fantoches comprados pelo governo era para mim um arremedo de democracia.

Creio que passa por aí nossa divergência. No meu entender, a ameaça à democracia não se resume hoje ao clássico golpe militar, com tanques na rua. Ela pode ser subvertida por dentro, envenenada aos poucos.

Talvez a amiga precise de um pouco de paciência não só comigo, que não aceito esse muro, como também com as pessoas que realmente estão ainda em cima dele, por indecisão. Se ajudar, recomendo o livro de John Gray — “A alma da marionete, um breve ensaio sobre a liberdade humana” — que acaba de ser lançado aqui. Entre outras coisas, ele diz: “não é a autoconsciência, mas a divisão de si mesmo que nos torna humanos.”

Isso não quer dizer que não fazemos escolhas. Caso contrário, não estaríamos onde estamos hoje. Lembro que há pouco mais de 20 anos brincava sobre o tema, com Luís Eduardo Magalhães. Ele, presidente da Câmara; eu, o único deputado do PV. Ele dizia, para me ironizar: como vota sua bancada? Eu dizia: a bancada tem apenas uma pessoa, por sinal bastante dividida.

Compreendo que a pressão é natural. Muitos artistas já estão mergulhados no dilema de declarar voto.

Infelizmente, não sou artista, mas apenas alguém com uma experiência política de pouco mais de meio século. Minha análise me conduz à oposição, não importa o que sair desse duelo entre Lula e Bolsonaro.

Só que, nas circunstâncias nacionais, terá de ser uma oposição construtiva e cuidadosa , exatamente porque me preocupo com a democracia.

Há algum tempo que procuro conhecer os programas de governo do PT e de Bolsonaro. São vagos o bastante para não rejeitá-los em bloco, mas contêm várias armadilhas.
Na verdade, não há ainda programa real de governo. Há intenções, acenos contraditórios. A necessidade de seduzir o centro ainda pode trazer novidades.

O choque de personalidades ofuscou o confronto entre programas. Não só os que estão no muro como os que recusam o dilema eleitoral representam um estímulo para que os candidatos sejam mais explícitos em suas propostas, moderados em sua retórica.

Mesmo com um conhecimento precário dos verdadeiros programas, esquerda e direita terão muitas dificuldades para implementá-los. Como impor uma agenda liberal a um país dividido, como impor uma agenda como a dos anos petistas?

Não, se conseguirmos deter a intolerância entre os contrários. Mas outra busca é possível: deter a intolerância contra quem simplesmente não toma o partido de um dos lados.
Ao invés, é essencial evitar a potencial tragédia no choque entre eles.

O período que vem por aí é muito difícil, desses em que você não inveja os vencedores. A economia patina, o Congresso não se renova, e as eleições sempre trazem grandes expectativas.

Não esperava encarar isso nos primeiros anos de democratização. Mas é preciso olhar de frente. Para mim, o Galeão não é saída porque leio o outro nome dele, Antonio Carlos Jobim, e me lembro da beleza e do talento que o país abriga.
Será apenas uma longa fase de sufoco.



O Globo

"Entre a prisão e o hospital", por Denis Lerrer Rosenfield

Do cárcere, um ex-presidente condenado por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro manipula o processo político via processos ditos jurídicos, agindo por interposta pessoa, no caso, o candidato Fernando Haddad. No hospital, um candidato atacado, vítima de um ato cruel, sobreviveu e se manteve presente politicamente via redes sociais. O primeiro representa uma esquerda degenerada que descambou para o crime e para o aparelhamento dos Poderes constituídos. O segundo representa o antipetismo, tão ancorado na sociedade brasileira, seja por reação ideológica, seja pela necessidade de uma limpeza da vida pública.
Considerar, agora, uma terceira alternativa não é uma proposta séria, por partir de completo desconhecimento da realidade. Esta está dada, e atente pelo nome da oposição entre petismo e antipetismo, entre defesa da corrupção e seu combate. As artimanhas das últimas semanas, permeadas por ideias de uma terceira via, mais servem para apaziguar consciências desnorteadas que, em nome do politicamente, correto, procuram uma fuga da realidade. Para além da iniciativa tardia, imagine-se a confusão nas urnas eletrônicas, com candidatos que lá estariam e não estariam mais!
Como máscara a acobertar uma suposta “justificativa”, aparece a defesa da democracia contra o “fascismo” e outras bobagens do gênero. De repente, num toque de magia, todos se tornaram “democratas”, até mesmo aqueles cuja longa trajetória se caracterizou pela defesa das ditaduras castrista, de Chávez e de Maduro e, de modo geral, do “socialismo bolivariano”. São democratas da mais alta estirpe, certamente! Isso para não falar da corrosão das instituições democráticas, das investidas contra a Lava Jato e da apropriação de empresas públicas, sendo o caso da Petrobrás o mais emblemático.
Os tucanos merecem um tratamento à parte. Não apenas deixaram de ser uma alternativa ao PT, mas vieram a se tornar uma força auxiliar do petismo. O candidato Geraldo Alckmin bate preferencialmente em Jair Bolsonaro, com uma propaganda caricatural e rasteira. O deputado, que sempre lutou contra o “socialismo bolivariano”, é apresentando como se um Hugo Chávez em potencial fosse! Qual foi o resultado disso? Ajudou a desacelerar o crescimento de Bolsonaro, estancou o dele mesmo, se não caiu, e favoreceu o aumento das intenções de voto em Haddad. O PT agradece e manda um forte abraço lá de Curitiba!
Aliás, o namoro do PSDB com o PT não é de hoje. Remonta a uma suposta afinidade ideológica entre os dois partidos, supostamente em torno de ideias social-democratas, embora os petistas jamais se tenham reconhecido em tal denominação. Ao contrário, não cessaram de criticar a tal da “herança maldita” do governo Fernando Henrique. E o ex-presidente tucano não cessa de lançar palavras amigáveis a Haddad, Lula e congêneres, para além de afirmações feitas realmente por Alckmin, e supostamente desmentidas, de que não votaria jamais em Bolsonaro em segundo turno. Numa eleição polarizada, criticar tão fortemente um candidato significa, evidentemente, balizar o caminho para o outro.
Lula talvez nem esperasse tanto, deve estar emocionado! Após as sucessivas tentativas de aviltar a democracia brasileira e suas instituições, além de ter conduzido o País, com a ajuda de outra “eleita” dele, Dilma Rousseff, a uma crise econômica, social e política de vulto, Lula e seu partido se colocam como“vítimas” e, para algumas “boas almas”, como representantes da democracia. Vítima é o povo brasileiro!
Afinal, quais são as credenciais petistas? O Brasil legado pelos sucessivos governos Lula e Dilma é uma verdadeira ruína. A irresponsabilidade fiscal foi tanta que até agora o PIB encontra dificuldades para crescer, após sucessivas quedas. O desemprego atingiu mais de 12 milhões de trabalhadoras e trabalhadores; a classe média ascendente, tanto alegada por seu novo status, fez o movimento inverso, após ter usufruído uma efêmera bonança.
E o pior de tudo é que esse descalabro vem sendo atribuído pelos petistas ao governo Temer, que ousou enfrentar tal situação. A irresponsabilidade é total, marcada pela completa falta de pudor! A narrativa do “golpe”, num claro artifício demagógico, foi o instrumento utilizado para debilitar as instituições democráticas. É como se Lula não fosse um cidadão qualquer, pairando por cima das leis, como se estas devessem estar a seu serviço.
O desrespeito à leis e à Constituição – só aparentemente respeitadas – conduziu o partido e os seus auxiliares na mídia televisiva e impressa a uma investida contra o Judiciário e o Ministério Público. Isso para não falar das tentativas reiteradas de desconsideração da Lei da Ficha Limpa e de levar o “caso” de Lula, julgado segundo a lei em todas as instâncias dos tribunais brasileiros, a um comitê de Direitos Humanos da ONU, como se tivesse jurisdição sobre o País. O próprio Estado Democrático de Direito foi posto em questão.
Lula e o PT jamais esconderam seus sucessivos projetos de controle da imprensa, denominada “controle social dos meios de comunicação”. Basta substituir a palavra social por petista, para que tenhamos a sua plena significação. Foram e continuam sendo defensores do “socialismo bolivariano” e de Maduro, cuja opressão contra seu povo foge de qualquer parâmetro democrático. A violência e a miséria são suas características centrais.
Neste contexto, uma vítima, convalescendo num hospital, é designada como “fascista” e “ditatorial”, numa curiosa inversão de papéis. Se Bolsonaro veio a se consolidar enquanto alternativa, isso muito se deve às mazelas e arbitrariedades petistas, em paralelo com as dubiedades e incoerências tucanas. Aliás, estes aliados “objetivos” ou escondem ou não compreenderam que a candidatura da “direita” é uma resposta à corrupção, à insegurança que grassa pelas ruas e ao politicamente correto. Estão colhendo o que plantaram.
PROFESSOR DE FILOSOFIA NA UFRGS

O Estado de São Paulo

Haddad na cadeia... recebendo ordens de Lula, maior ladrão da Lava Jato

O presidenciável petista Fernando Haddad cumpre nesta segunda-feira, 1.º, mais uma agenda de campanha em Curitiba, mais precisamente na sede da Polícia Federal, onde está preso desde abril o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado pela Lava Jato. É a quarta visita de Haddad a Lula desde que o ex-prefeito se tornou oficialmente o candidato do PT ao Palácio do Planalto. 

Haddad conversa com a imprensa após visitar Lula em Curitiba
Haddad conversa com a imprensa após visitar Lula em Curitiba 
Foto: REUTERS/Rodolfo Buhrer
Assim como nas outras oportunidades, após a visita – que dura, em média duas horas –, Haddad vai conceder uma entrevista coletiva à imprensa. Integrante da equipe de advogados do ex-presidente desde o início de julho, o petista já cumpriu essa mesma rotina outras nove vezes, antes como coordenador de campanha. A seis dias da eleição, ele vai aproveitar a viagem para também fazer um ato público no centro da cidade.
Mas, se são inevitáveis diante da necessidade de Haddad continuar se favorecendo da transferência de votos do eleitor lulista – ele subiu 13 pontos nas pesquisas de intenção de voto em 15 dias –, os encontros frequentes têm exigido da campanha do candidato explicações sobre qual seria o papel do ex-presidente diante de um eventual governo Haddad. E se a vitória seria ou não acompanhada de um indulto presidencial a Lula.
Pressionado, Haddad já afirmou publicamente que não concederia o indulto, mas porque essa não é a vontade do ex-presidente, que preferiria aguardar por um novo julgamento para provar sua inocência. Já sobre a participação de Lula, caso vença a eleição, o candidato tem sido mais claro, afirmando que o padrinho político “será um grande conselheiro”. O presidenciável petista também já declarou que não deixará de fazer as visitas caso vença a eleição.
Para o professor de Filosofia da Faap Luiz Bueno, a aceitação das visitas de Haddad a Lula varia de acordo com o eleitor. “O eleitorado tradicional do PT tem interesse em votar no Lula. Então, não se afetam com isso, não conhecem direito o Haddad, mas veem essa continuidade”, diz. Por outro lado, segundo Bueno, esses encontros podem passar uma “incerteza” sobre quem iria governar, em caso de vitória do PT, diante da falta de autonomia de Haddad. 
Nessa última semana antes do primeiro turno da eleição, Haddad vai concentrar suas agendas no Sudeste, onde seu principal adversário, Jair Bolsonaro (PSL), coloca maior vantagem sobre o petista – segundo a última pesquisa Ibope/Estado/TV Globo, o deputado federal tem 31% das intenções de voto na região, ante 16% do candidato petista. 

Após o ato púbico em Curitiba desta segunda-feira, o presidenciável petista segue para o Rio. Ainda nesta semana, Haddad deve participar de eventos públicos em São Paulo. / COLABOROU RICARDO GALHARDO

Adriana Ferraz e Carina Bridi, O Estado de S.Paulo

Bolsonaro recebe apoio de líderes evangélicos

O candidato do PSL à Presidência nas eleições 2018, Jair Bolsonaro, encontrou um porto seguro no apoio do segmento evangélico. Líderes de igrejas neopentecostais já indicam apoio ao capitão da reserva em eventual segundo turno entre ele e Fernando Haddad, do PT, cenário mais provável conforme as pesquisas de intenção de voto.
O bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), declarou neste sábado, 29, voto em Bolsonaro. O PRB, partido ligado à Universal, já manifestou internamente predileção pelo candidato do PSL no segundo turno, embora tenha se coligado ao tucano Geraldo Alckmin no primeiro turno. 
Bolsonaro também saiu na frente para receber a adesão de outros partidos que concentram parlamentares evangélicos, como o DEM e o PSC.
Edir Macedo
O líder da Igreja Universal do Reino de Deus, bispo Edir Macedo, afirma no Facebook que votará em Bolsonaro Foto: FACEBOOK/ BISPO EDIR MACEDO
O candidato do PSL lidera em todas as vertentes evangélicas, segundo as pesquisas. Na série do Ibope/Estado/TV Globo, Bolsonaro teve uma curva ascendente entre os evangélicos como um todo, sempre acima da intenção de voto geral. Desde agosto, ele passou de 26% para 34% no segmento, acima dos 28% de intenção de voto global, conforme o mais recente levantamento. Haddad tem 22% do total, mas atinge só 17% entre os evangélicos. Já Marina Silva (Rede) caiu de 12% para 7% entre os evangélicos, enquanto Alckmin se manteve na faixa de 8%. Os religiosos avaliam que votos de Marina migraram para Bolsonaro por causa de manifestações dela que consideram dúbias. 
Levantamentos feitos pelas campanhas adversárias mostram que a resiliência de Bolsonaro na liderança das intenções de voto está muito relacionada ao voto evangélico, que não é necessariamente um voto “antipetista”, mas sim um voto conservador, contra o aborto, a pauta LGBT e a esquerda. 
Perfil. Edir Macedo, que lidera a igreja neopentecostal considerada a mais influente eleitoralmente, usou seu perfil oficial no Facebook para responder ao questionamento de um fiel da Iurd, que desejava saber quem ele apoiaria na eleição para presidente da República. Em eleições anteriores, a Universal apoiou a ex-presidente Dilma Rousseff(PT), hoje candidata ao Senado em Minas Gerais. 
O PRB, partido ligado à igreja e criado durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – condenado e preso na Lava Jato –, participou das duas últimas gestões petistas, mas desembarcou do governo e apoiou o impeachment de Dilma. A sigla comanda o Ministério da Indústria no governo Michel Temer.
Bolsonaro é católico por formação e se apresenta assim em encontros fechados com pastores. Em público, costuma dizer que é “cristão”. A mulher dele, Michelle Bolsonaro, frequenta a Igreja Batista Atitude, na Barra da Tijuca, no Rio. O casamento deles foi celebrado por Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. 
O presidente do PSC, Pastor Everaldo Pereira, membro da Assembleia de Deus Ministério Madureira, batizou o agora candidato do PSL em 2016 nas águas do Rio Jordão, em Israel. O PSC está coligado ao candidato do Podemos ao Planalto, Alvaro Dias, mas Pastor Everaldo já deixa clara sua opção num eventual segundo turno. “O PSC (apoia) na hora. O partido não vota com a esquerda, com o PT e o Haddad em hipótese nenhuma. Vai ser unanimidade para votar com Bolsonaro.”
Pauta. A atração do eleitorado evangélico e das igrejas por Bolsonaro se deve ao posicionamento dele, de forma clara, em defesa de pautas morais: é contrário ao aborto, à liberação das drogas e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, além da campanha contra educação sexual e identidade de gênero nas escolas – chamada por religiosos de “ideologia de gênero”. 
“Há uma unanimidade de que o Bolsonaro foi o único que empunhou a bandeira da vida, da família, da igreja, da livre economia, da escola sem partido e contra a ideologia de gênero”, afirmou o bispo Robson Rodovalho, líder da Sara Nossa Terra, que emitiu nota pela Confederação dos Conselhos de Pastores do Brasil. “Achamos que deveríamos manifestar esse apoio antes do primeiro turno, a tempo de influenciar nossa sociedade.” 
O manifesto gerou uma carta pastoral contrária assinada, majoritariamente, por adeptos de igrejas históricas como presbiterianos, batistas, metodistas, luteranos e anglicanos.
No início da noite deste domingo, 30, Flávio Bolsonaro, filho do presidenciável, postou no Twitter um vídeo em que ele e o pai aparecem ao lado do Pastor Cláudio Duarte – que atua no canal Foco em Cristo, no YouTube. “Como eu disse antes, é melhor ‘Jair se acostumando’”, diz o pastor no vídeo, frisando que o apoio é individual e não da igreja. “Sonhamos com um Brasil diferente do que está aí hoje, em que a família realmente seja respeitada”, respondeu o candidato.
Na semana passada, Bolsonaro ganhou adesão de Hidekazu Takayama (PSC-PR), deputado e pastor da Assembleia de Deus Cristo Vive e ligada ao Ministério do Belém, o mais tradicional. Presidente da Frente Parlamentar Evangélica, uma das mais influentes do Congresso, Takayama relata que os líderes de igrejas temem uma derrota de Bolsonaro no segundo turno e apela aos cristãos para votarem no colega de Câmara. “A doutrinação esquerdista radical está caminhando para um ateísmo que fere a igreja.”

Culto da Universal exibe vídeo contra ‘kit gay’ 

No dia seguinte à declaração de apoio do bispo Edir Macedo ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), um culto ontem na sede da Igreja Universal do Reino de Deus em Brasília exibiu vídeo contra o “kit gay” – termo usado pelo candidato do PSL para o projeto Escola sem Homofobia, vetado pelo governo federal em 2011. 
Bolsonaro não foi citado, nem seu virtual adversário no segundo turno, Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Educação. O material de orientação sexual era atribuído ao Ministério da Educação na gravação apócrifa que reunia depoimentos de supostos professores e alunos, além de trechos de reportagens da TV Record com parlamentares, religiosos e especialistas. 
“Acredito que não é esse o Brasil que você quer”, disse um pastor aos fiéis. Após a gravação, os fiéis oraram pelo Congresso para “expulsar o demônio do parlamento” e “amarrar projetos de lei diabólicos”. Seguidores da igreja usavam adesivos com nome e número de candidatos do PRB colados na roupa dentro do templo.
Apesar da expectativa de que Bolsonaro tenha a maioria dos votos evangélicos, o peso do segmento ainda é incerto. O professor de Ciência Política do Ibmec Fábio Lacerda pondera que este voto tem mais efeito nas eleições proporcionais. “Não é claro e evidente que os fiéis vão seguir os pastores na eleição par cargos do Executivo. Há outras determinantes.”

Armas. Uma das propostas de Bolsonaro que divide o meio evangélico é a liberação do porte de armas. No programa de governo, consta “reformular o Estatuto do Desarmamento para garantir o direito do cidadão à legítima defesa”. “É um dos pontos que faz com que muitos evangélicos não consigam votar nele”, diz o pastor Luiz Roberto Silvado, presidente da Convenção Batista Brasileira.  / COLABOROU VINICIUS NEDER

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

Japonês e americano vencem Nobel de Medicina por pesquisa contra o câncer

O japonês Tasuku Honjo e o americano James Patrick Allison foram anunciados nesta segunda-feira como os vencedores do prêmio Nobel de Medicina. A dupla de imunologistas recebeu a honraria por suas pesquisas contra o câncer. Segundo os organizadores do prêmio, “ao estimular a capacidade inerente do sistema imunológico de atacar as células de tumor, os laureados estabeleceram uma base inteiramente nova para a terapia contra o câncer”.
Paralelamente, Allison e Honjo desenvolveram estudos sobre proteínas que funcionam como “freios” no nosso sistema imunológico. Ao manipular esses “freios”, eles conseguiram liberar ataques mais potentes das defesas naturais do corpo contra os tumores malignos. Para o Nobel, “as descobertas seminais dos dois vencedores representam um marco na luta contra o câncer”.

Veja

Capitão da organização criminosa do Lula, Dirceu agora prega tirar os poderes do Supremo

Foto: Alex Silva/Estadão
O ex-ministro José Dirceu defendeu ao portal 180 graus, no Piauí, “tirar todos os poderes do Supremo” e mudar até o nome do tribunal. “Não sei por que chamam Supremo. Deveria ser só Corte Constitucional”. Na semana passada, disse que o PT “vai tomar o poder”.
Ao portal, ele afirmou que “luta” para eleger Fernando Haddad presidente e já fala em alianças. “Não há nenhum óbice de estarmos juntos no 2.º turno”, afirmou, sobre Ciro Gomes. A presidenciável Marina Silva (Rede) não teria espaço. Dirceu diz que ela “mudou de lado” e que sairá da eleição “devendo voto”.

O Estado de São Paulo