Gestão petista voltou a elevar as despesas da máquina pública para um patamar acima de R$ 70 bilhões em 2025
Em 2025, os gastos administrativos do governo federal alcançaram o patamar mais elevado dos últimos nove anos, segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional corrigidos pela inflação. Os dados foram compilados pelo g1.
Nesses três últimos anos, do governo Lula 3, os gastos públicos que vinham sendo diminuídos desde o impeachment de Dilma Rousseff (PT), em 2016, voltaram a crescer. O recorde de gastos — R$ 77,7 bilhões — foi justamente em seu último ano, finalizado por seu vice, Michel Temer (MDB). Durante o mandato da petista, as despesas anuais com o funcionamento da máquina pública sempre superaram R$ 70 bilhões.
Nos dois últimos anos de Temer, os gastos foram reduzidos e ficaram na casa dos R$ 68 bilhões. Nos quatro anos de Jair Bolsonaro (PL), a redução foi ainda maior e, em 2021, ficou em R$ 57,7 bilhões.
Porém, desde que Lula assumiu o terceiro man• 2011: 72.616 • 2012: 75.262 • 2013: 74.014 • 2014: 77.438 • 2015: 72.565dato, o custo da máquina só aumentou: foi de R$ 63,2 bilhões em 2023; de R$ 65,2 bilhões em 2024; e saltou para R$ 72,7 bilhões em 2025, uma alta de mais de 11% em relação ao ano anterior.
Veja os gastos ano a ano:
Dilma Rousseff
• 2011: 72.616 • 2012: 75.262 • 2013: 74.014 • 2014: 77.438 • 2015: 72.565
Michel Temer
• 2016: 77.748 • 2017: 68.549 • 2018: 68.425
Jair Bolsonaro
• 2019: 65.841 • 2020: 61.944 • 2021: 57.779 • 2022: 60.187
Lula
• 2023: 63.235 • 2024: 65.197 • 2025: 72.738
O que são os custos administrativos
Os custos administrativos envolvem gastos com itens como água, energia elétrica, telefonia, serviços de limpeza, vigilância, combustíveis, tecnologia da informação, aluguel de imóveis e veículos, diárias, passagens, serviços bancários e apoio operacional e administrativo.
O arcabouço fiscal estabelece que as despesas livres, incluindo o custeio da máquina pública, não podem crescer acima de 2,5% ao ano, já descontada a inflação. Já os gastos obrigatórios, como salários, benefícios e pensões de servidores, têm crescido mais do que esse limite, reduzindo a margem para investimentos e outras despesas discricionárias.
Segundo o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, há uma margem de R$ 129,2 bilhões disponível para gastos livres dos ministérios em 2026, que abrangem desde despesas administrativas até investimentos e programas setoriais.
Impacto da gastança
Como mais de R$ 70 bilhões desse valor são usados para custos administrativos, sobra menos verba para áreas como infraestrutura, defesa agropecuária, bolsas de pesquisa, emissão de passaportes, fiscalização ambiental, Farmácia Popular, universidades federais e agências reguladoras.
Marcus Pestana, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado Federal, disse que o elevado custeio da máquina pública deixa uma margem de gastos para investimentos “medíocre”. “Insustentabilidade e horizonte pouco promissor ao país [são características que] saltam aos olhos que essa estrutura fiscal [arcabouço] oferece”, declarou ao g1.
Loriane Comeli - Revista Oeste